Obesidade pode aumentar o risco de câncer colorretal, diz estudo

Pólipos pré-cancerosos são mais comuns em pessoas com maior índice de gordura corporal

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 24/02/2014

A obesidade parece aumentar a probabilidade de uma pessoa desenvolver pólipos colorretais, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade Estadual de Michigan, que oferece novas percepções sobre o risco de câncer colorretal. O estudo, financiado em parte pelo Instituto Nacional do Câncer dos EUA, foi publicado em fevereiro na revista PLoS One.

Especificamente, o estudo vincula risco pólipo a diversas características fundamentais da obesidade, incluindo ter níveis elevados do hormônio leptina, ter um maior índice de massa corporal (IMC) e uma circunferência abdominal acima do recomendado.

Para explorar uma potencial ligação entre obesidade e risco de câncer de cólon, os autores estudara 126 homens aparentemente saudáveis com idades entre 48 e 65 anos, durante três anos. Todos os homens foram submetidos a colonoscopias e forneceram informações sobre IMC, medidas da cintura e níveis corporais do hormônio leptina, cuja concentração varia conforme a quantidade de tecido adiposo do indivíduo.

Cerca de quatro em cada 10 homens apresentaram obesidade, com 78% deles acima do peso ideal. Analisando esse grupo, equipe descobriu que 30% deles tinham mais de um pólipo colorretal.

Após cruzamento com resultados globais, os pesquisadores determinaram que os homens com obesidade tinham um risco 6,5 vezes maior de ter três ou mais pólipos colorretais do que aqueles que eram magros (com um IMC abaixo de 25). Homens acima do peso também eram oito vezes mais propensos a ter pelo menos um pólipo, se comparados com os homens magros. Além disso, o risco de pólipo parecia subir gradativamente conforme o índice de gordura corporal aumentava.

No entanto, os investigadores sublinharam que os resultados atuais ainda não são definitivos, e não devem levar a quaisquer revisões imediatas de atuais recomendações para triagem de câncer colorretal.

Sete passos para manter o seu intestino saudável
O câncer colorretal, que também pode ser chamado de câncer de intestino, é um dos mais incidentes do Brasil, com 30 mil novos casos estimados por ano pelo Institui Nacional do Câncer (Inca). Esse tipo de câncer fica atrás apenas dos de pele não melanoma, próstata e mama feminina. O principal fator de risco para esse tipo de câncer é o histórico familiar. Segundo a proctologista Daniele Franco, do Hospital Santa Luzia, em Salvador, a genética atua um papel primordial da gênese do câncer e ainda tem uma força maior que fatores externos. No entanto, qualquer um pode se beneficiar dessa lista de bons hábitos para manter o intestino sempre em ordem, afastando o câncer de cólon e reto ou mesmo outros problemas relacionados ao órgão, como a presença de pólipos - pequenos acúmulos de pele que podem, inclusive, ser um sinal de alerta para o câncer. Confira:

Faça os exames regularmente

O teste mais específico para avaliação direta do intestino grosso e reto é a colonoscopia. "Trata-se de uma endoscopia feita pelo ânus que permite a visualização direta de toda a mucosa intestinal em sua circunferência, desde o reto até o íleo terminal (fim do intestino delgado) e possibilitando coleta de material para análise", afirma a proctologia Daniele Franco, do Hospital Santa Luzia, em Salvador. "A cápsula endoscópica é um exame que também permite a visualização da luz intestinal, mas não permite biópsias, e é utilizado quando existem lesões obstrutivas que impossibilitam a passagem do colonoscópio ou quando quer se avaliar o intestino delgado, segmento de difícil acesso pelos endoscópios", completa. Existem também testes indiretos radiológicos dos cólons, que são o clister opaco e a colonoscopia virtual. Esses exames desenham a luz intestinal e pode encontrar lesões de mucosa maiores que 6 mm.

Um estudo feito por pesquisadores do Massachusetts General Hospital Gastrointestinal Unit descobriu que fazer uma colonoscopia a cada 10 anos a partir dos 50 anos de idade poderia evitar 40% dos casos de câncer colorretal. O estudo acompanhou mais de 89 mil profissionais de saúde durante um período de 20 anos e foi publicado no New England Journal of Medicine. A colonoscopia se tornou exame de rotina como prevenção de câncer colorretal, e deve começar a ser feito a partir dos 50 anos de idade para pessoa sem histórico familiar da doença. Aqueles que possuem fatores de risco devem incluir o exame na rotina após os 40 anos ou 10 anos antes da idade do caso mais precoce na família. "A colonoscopia também pode ser indicada em investigação de dores abdominais, alteração do hábito intestinal, hemorragias pelo ânus, diarreias e outras queixas relacionadas", explica a especialista. Se os exames forem normais, devem ser repetidos a cada cinco ou dez anos. Já o resultado alterado deve ser repetido conforme orientação do médico.

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