Novo exame de sangue prevê risco de demência e Alzheimer

Teste mostra se idosos com deficiência cognitiva poderão desenvolver a doença em um ano, diz estudo

POR REDAÇÃO - ATUALIZADO EM 10/07/2014

Pesquisadores desenvolveram um novo exame de sangue que prevê se uma pessoa saudável vai desenvolver a doença de Alzheimer ou declínio cognitivo nos próximos três anos. Em março de 2014, foram publicadas informações sobre esse exame na revsta Nature Medicine. Agora, os autores coletaram novas informações, que foram divulgadas dia 08 de julho no The Lancet Neurology.

No primeiro estudo, os cientistas da University Medical Center (EUA) testaram a memória, habilidades cognitivas e amostras de sangue de mais de 500 participantes com idade superior a 70 anos. O trabalho mostrou que 10 fosfolípidos - um tipo de gordura que forma um componente importante das membranas celulares - estavam presentes em níveis consistentemente mais baixos nas amostras de sangue do grupo que desenvolveu a doença de Alzheimer ou declínio cognitivo. Esses resultados foram validados em outro grupo de 41 participantes. Segundo os autores, o painel de lipídios foi capaz de distinguir com precisão de 90% destes dois grupos distintos, mostrando quais pessoas cognitivamente normais iriam desenvolver declínio cognitivo ou Alzhimer dentro de dois a três anos.

Já a nova pesquisa, feita por estudiosos do King's College London, na Inglaterra, propõe uma abordagem mais simples e confiável para diagnosticar a doença de Alzheimer, que promete reduzir a taxa de erros de diagnóstico atual de 33%.

A equipe analisou os resultados da amostra de sangue de três estudos internacionais que abrangem um total de 1148 indivíduos: 476 com a doença de Alzheimer, 220 com insuficiência cognitiva e 452 idosos sem demência que atuaram como controles. Além disso, 476 pessoas entre os três grupos foram submetidas à ressonância magnética do cérebro.

Os autores analisaram 26 proteínas nas amostras de sangue e descobriram que 16 delas estava fortemente ligadas
ao encolhimento do cérebro nos grupos com deficiência cognitiva e Alzheimer. Em uma segunda análise, eles descobriram uma combinação de 10 proteínas que poderiam prever se os indivíduos com deficiência cognitiva iam desenvolver Alzheimer dentro de um ano com uma precisão de 87%.

Os pesquisadora afirmam que esses resultados marcam o fim do trabalho de muitos anos para descobrir qual das milhares de proteínas no sangue são clinicamente relevantes. A equipe agora planeja validar os resultados em novos conjuntos de amostras, para melhorar a precisão e reduzir o risco de erros de diagnóstico. O objetivo final é desenvolver um teste simples e confiável que os médicos podem usar.

Siga 6 rastros do Alzheimer antes que ele se revele
O Alzheimer é uma doença silenciosa, que se revela aos poucos. Mas um estudo, publicado por pesquisadores do San Francisco VA Medical Center, nos Estados Unidos, conseguiu mapear os seis principais fatores de risco para a demência: sedentarismo, uso de álcool, depressão, tabagismo, diabetes, hipertensão na meia idade e obesidade. Em comum, todas essas condições oferecem algum risco à saúde cérebro-vascular. "Fumo, obesidade, hipertensão e diabetes contribuem para o aumento de lesões no cérebro que levam à perda de cognição", afirma o psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. As lesões, associadas às dificuldades de conexão entre os neurônios (efeito do aumento da proteína beta-amilóide), dão origem à maioria dos diagnósticos de Alzheimer atualmente. "A demência vascular, ou seja, os problemas que surgem devido ao mau funcionamento do coração já são elementos tão importantes quando o crescimento fora de controle da proteína na descoberta da doença", afirma o neurologista e geneticista David Schlesinger, do Hospital Albert Einstein. A seguir, especialistas discorrem sobre a relação entre esses fatores e dão dicas para você cuidar melhor da saúde e se proteger contra o Alzheimer.

Síndrome metabólica

A geriatra Yolanda Boechat, coordenadora do Centro de Referência em Atenção ao Idoso da UFF-RJ, explica que a síndrome metabólica eleva a incidência de doença vascular cerebral, além de aumentar o estresse oxidativo. A síndrome é a associação de doenças como obesidade, hipertensão arterial, hiperglicemia (níveis elevados de açúcar no sangue), aumento dos níveis de triglicérides, diminuição dos níveis de colesterol "bom" HDL e aumento dos níveis de ácido úrico no sangue.

Em comum, todos esses males provocam um maior acúmulo de gordura no sangue, dificultando a circulação pelo corpo. Com isso, há um aumento de lesões microcardiopáticas, assim como a atrofia cerebral. O excesso de glicose no sangue, proveniente do diabetes, tem as mesmas consequências. Segundo a especialista, esses fatores, juntos, podem elevar a perda da memória em até 40%.

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