Bombas de insulina podem controlar o diabetes melhor do que injeções

Aparelho consegue dobrar a eficácia no manejo da doença, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 07/07/2014

Pesquisadores da Universidade de Caen descobriram que o controle do diabetes pode ser mais efetivo com as bombas de insulina do que com as injeções diárias da substância. Os resultados foram publicados dia 2 de julho no jornal The Lancet.

Do tamanho de um celular, a bomba de insulina é um equipamento que controla a infusão de insulina de forma continuada durante 24 horas. A bomba contém um compartimento interno de armazenamento de insulina. Nela é utilizada a insulina ultrarrápida (lispro ou asparte), que é infundida no subcutâneo lentamente em microdoses por meio de um cateter. Dentro do equipamento existe um sistema computadorizado interno, que é programado pelo médico assistente, no qual é possível inserir a quantidade de insulina que será necessária para as 24 horas do dia.

O estudo foi financiado pelo fabricante de dispositivos médicos Medtronic e incluiu 331 pessoas com idades entre 30 a 75 anos. Todos os pacientes tinham diabetes tipo 2 mal controlado e estavam usando múltiplas injeções diárias de insulina para controlar seus níveis de açúcar no sangue.

Durante o estudo, os pacientes foram aleatoriamente designados para continuar usando injeções ou mudar para uma bomba de insulina.

Após seis meses, os pacientes que usaram a bomba de insulina tiveram uma redução muito maior nos níveis médios de açúcar no sangue do que aqueles que usaram injeções, segundo o estudo. De acordo com os autores, o dobro de pacientes no grupo bomba atingiu o intervalo alvo de controle de açúcar no sangue, foram 55% de paciente usando a bomba com a doença controlada contra 28% que conseguiu manejar a doença com injeções diárias.
No final do estudo, os pacientes no grupo da bomba precisavam de uma diária de insulina 20% inferior, se comparado com o grupo que prosseguiu com tratamento tradicional. Os pacientes do grupo bomba também passaram quase três horas a menos por dia com níveis elevados de açúcar no sangue em comparação com o grupo das injeções.

Segundo os cientistas, esses resultados abrem uma nova opção de tratamento para aqueles indivíduos que estão falhando no tratamento tradicional. Muitas pessoas com diabetes tipo 2 trabalham duro para maximizar o benefício das injeções diárias de insulina, mas não conseguem manter seus valores de glicose no sangue dentro do ideal, afirmam os autores. Para essas pessoas, as bombas de insulina podem ser uma opção.

Sete mudanças que ajudam a conviver bem com o diabetes
O diabetes já afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 6 milhões de pessoas sofrem com a doença , sem contar os que desconhecem possuir a doença. O problema pode trazer perda ou aumento de peso, é fator de risco para problemas cardiovasculares e, nos casos mais graves, provocar falência de órgãos (rins, olhos) e até a morte. Apesar dos perigos, é completamente controlável.

No entanto, apesar de ser uma doença crônica, é possível conviver bem com o diabetes - basta que o paciente tenha hábitos saudáveis e siga corretamente as indicações médicas. "Os riscos mais graves do diabetes, como perda total da visão, amputação e falência renal ocorrem em pacientes que não tiveram tratamento adequado", de acordo com o endocrinologista Josivan Lima, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM. A seguir, veja as mudanças que melhoram a vida de quem tem diabetes.

Diga não ao sedentarismo

A atividade física é essencial no tratamento do diabetes para manter os níveis de açúcar no sangue controlados e afastar os riscos de ganho de peso. "A prática de exercícios deve ser realizadas de três a cinco vezes na semana. Há restrição nos casos de hipoglicemia, de modo que pacientes não devem iniciar atividade física com a glicemia muito baixa, sob o risco de baixar ainda mais os níveis. Da mesma forma, deve-se evitar atividade física quando o diabetes está descontrolado, com glicemia muito elevadas. Nestes casos, a liberação de hormônios contra-reguladores pode aumentar mais ainda a glicemia", diz Josivan. Os pacientes devem privilegiar atividades físicas leves, pois quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino pode haver a hipoglicemia.

É importante saber como está o controle glicêmico antes do início da atividade física para então escolher o melhor alimento. Se a glicemia está muito baixa, é aconselhável dar preferência aos carboidratos e evitá-los se estiver alta. "A escolha do alimento depende também do tipo de exercício: exercícios aeróbicos de grande duração (como corrida e natação) tendem a baixar a glicemia, sendo necessária uma ingestão maior de alimentos. Em todos os casos, os pacientes devem sempre combinar com seus médicos quais são as melhores opções, pois o tratamento do diabetes tem muitas peculiaridades individuais", diz Josivan.

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