Diabetes: avanços permitiram aplicação rápida de insulina e avaliação da glicemia pelo sangue

Confira as principais conquistas no tratamento da doença dos últimos 50 anos

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 08/06/2015

Quase tudo mudou ao longo dos últimos 50 anos quando o assunto é tratamento do diabetes. Um simpósio especial realizado pela American Diabetes Association apresentou uma retrospectiva do que médicos e pesquisadores aprenderam sobre a doença e como ela afetou a vidas dos pacientes nas últimas cinco décadas.


Um exemplo é a insulina: enquanto há 50 anos a única opção para o tratamento de diabetes tipo 1 era injetar insulina animal e vacas ou porcos, hoje é usada a insulina humana produzida por micro-organismos. Isso representa uma diferença importante, não só porque há menos reações adversas, mas porque não há risco de faltar insulina para a população afetada. Além disso, existem agora insulinas de longa e curta duração e uma variedade de sistemas de distribuição, incluindo as bombas de insulina, que melhoram a precisão e conforto no controle da glicose, diminuindo episódios de hipoglicemia.

A forma como os níveis de glicose são testados também mudou drasticamente. Considerando que antigamente a única maneira de avaliar o controle da doença era testando a presença de açúcar na urina de uma pessoa, hoje existem numerosos testes para avaliar os níveis de glicose no sangue, incluindo glicemia de jejum e a hemoglobina glicada.

Não só essas descobertas ajudaram a desenvolver melhores tratamentos para o diabetes, como também podem ajudar no tratamento de outras doenças. De acordo com os estudiosos da American Diabetes Association, entender o papel da insulina no sistema nervoso ajudou no conhecimento sobre as doenças neurodegenerativas, por exemplo o Alzheimer. O excesso de insulina pode afetar o funcionamento do sistema nervoso central e favorecer mudanças de comportamento comuns em pacientes com Alzheimer.

Além disso, esses 50 anos de pesquisa mostraram que o diabetes é um grave problema de saúde por conta também de suas complicações. Segundo os autores, se o diabetes não afetasse outros sintomas, como os rins e circulação sanguínea, a doença seria controlada facilmente com medicamentos e insulina. No entanto, complicações crônicas como cegueira, insuficiência renal e infarto dificultam o controle da doença.

A análise dos últimos 50 anos mostrou que até 1993 essas complicações eram consideradas consequências diretas do diabetes, em vez de atribuídas aos altos níveis de glicose no sangue. Agora é sabido que altos níveis de glicose no sangue por tempo prolongado aumentam o risco de complicações associadas ao diabetes - mas que manter o controle desses níveis reduz o risco.

Os cientistas também constataram que os efeitos adversos dos altos níveis de glicose no sangue podem persistir por muitos anos, mesmo após a taxa estar controlada. É um fenômeno chamado de memória metabólica.
No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer. Segundo os pesquisadores, apesar dos avanços no tratamento e convivendo com a doença, a cura ainda está longe de ser encontrada. Eles afirmam que os medicamentos usados agora para tratar o diabetes começaram a ser estudados cerca de 30 a 40 anos atrás - por isso estima-se que muita pesquisa é necessária até chegar à cura.

Sete mudanças que ajudam a conviver bem com o diabetes
Apesar de ser uma doença crônica, é possível conviver bem com o diabetes - basta que o paciente tenha hábitos saudáveis e siga corretamente as indicações médicas. "Os riscos mais graves do diabetes, como perda total da visão, amputação e falência renal ocorrem em pacientes que não tiveram tratamento adequado", de acordo com o endocrinologista Josivan Lima, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM. A seguir, veja as mudanças que melhoram a vida de quem tem diabetes.

Invista no cardápio certo

"Os pacientes diabéticos devem evitar os açúcares simples (presentes nos doces e carboidratos simples, como massas e pães), pois são absorvidos muito rapidamente, levando a picos de glicemia e, consequentemente, complicações a médio e longo prazo", de acordo com o endocrinologista Josivan Lima. Uma boa dica é beber bastante água, que ajuda a remover o excesso de glicose no sangue, que será eliminado pela urina.

Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue. Os carboidratos não são proibidos, mas existem recomendações dietéticas. "Uma ingestão diária de 50 a 60% de carboidratos usualmente é suficiente, preferindo-se os carboidratos complexos (castanhas, nozes, grãos integrais) que serão absorvidos mais lentamente, evitando picos de glicemia", diz Josivan.

Os diabéticos também podem sofrer de baixas de glicose no sangue, a hipoglicemia. Quinze minutos após ingerir algum alimento açucarado, cheque se a quantidade de glicose no seu sangue está normal.

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