Veja atitudes inimigas de quem tem doenças gastrointestinais

Você sabia que ficar muito tempo com o estômago vazio e até mesmo usar roupas apertadas na cintura são hábitos contraindicados?

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 10/05/2018

Por apresentarem sintomas como queimação3, azia3, cólicas4 e gases4, as doenças gastrointestinais muitas vezes são interpretadas como "um mal-estar passageiro". O fato de elas serem razoavelmente comuns5 também contribui para essa tranquilidade excessiva em relação aos cuidados que deveriam ser tomados para evitar que elas se manifestem e que seus sinais se agravem.

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Quando falamos de doenças gastrointestinais estamos falando desde condições mais corriqueiras, como prisão de ventre, indigestão, refluxo gastroesofágico, síndrome do intestino irritável e gastrite, até as mais raras, a exemplo da doença de Crohn.

O clínico geral é o médico que pode fazer o diagnóstico inicial de uma doença gastrointestinal. Quem preferir ir direto a um especialista da área, por perceber que os sintomas são evidentemente de algo relacionado ao trato intestinal, deve procurar um gastroenterologista. Em qualquer um dos casos será necessário avaliar o quadro geral do paciente, entender seu histórico, fazer exames físicos e pedir e analisar testes clínicos6.


As doenças gastrointestinais pedem cuidado7 e acompanhamento constantes, e dar uma forcinha para uma qualidade de vida quando se convive com elas é fundamental: para isso, é preciso evitar determinadas atitudes rotineiras que atrapalham sua melhora ou agravam seus sintomas. Mas não se preocupe, nenhuma delas é muito difícil de colocar em prática.

Confira, a seguir, os hábitos que devem ser evitados:

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Ficar muito tempo com o estômago vazio

Na ligação entre o esôfago e o estômago fica o esfíncter esofágico inferior, que permite a passagem da comida e se mantém fechado quando não estamos fazendo uma refeição. Em resumo, funciona assim: ele se abre para o alimento passar do esôfago para o estômago e logo em seguida se fecha, tanto para reter o que foi ingerido quanto para impedir que os sucos ou ácidos gástricos que atuam na digestão "subam" para o esôfago, pois essa subida causa azia8.

Ocorre que os sucos gástricos são produzidos normalmente pelo estômago, mesmo quando não nos alimentamos. Se ficamos com o estômago vazio, ele se acumula e pode refluir, causando irritação no final do esôfago e azia. Alimentar-se com regularidade mantém o sistema digestivo em funcionamento, sem sobrecarga da produção do suco ou ácido gástrico9.

Usar roupas muito apertadas na cintura

Por causa da ação dos ácidos gástricos, o estômago dilata-se após as refeições. A pressão de calças, saias e outras peças de roupas com elásticos apertados demais na cintura, assim como cintos fechados em uma ou mais posições além do necessário, aperta o estômago e pode acabar obrigando a comida a voltar para o esôfago junto com os ácidos gástricos, o que causa azia e refluxo2.

Comer demais em uma única refeição

Às vezes, a comida é realmente muito gostosa, mas montar - e comer - aquele pratão bem servido é ruim para quem tem doenças gastrointestinais10. Isso porque comer demais torna o processo de digestão mais demorado, causando sensação de mal-estar. O ideal é fazer várias refeições por dia em vez de se esbaldar em uma só10.

Beber pouca água

O simples uso de medicamentos11 como analgésicos, diuréticos, anti-histamínicos, descongestionantes e remédios para pressão alta e depressão é suficiente para deixar a boca seca12. Além disso, doenças como diabetes13, Parkinson14 e HIV15 afetam as glândulas salivares. E o que isso tem a ver com os problemas gastrointestinais? Tudo!

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A saliva inicia o processo de digestão, pois é por ela que são liberadas as primeiras enzimas que ajudam na quebra dos alimentos. Se a boca não estiver "irrigada" o suficiente, o processo digestivo é prejudicado. Para evitar esse problema, a solução é simples: lembre-se de beber água sempre que houver a sensação de boca seca16.

Tomar um belo copo de leite para "tratar" a queimação do estômago

O leite pode ter o efeito contrário e prejudicar ainda mais quem tem síndrome do intestino irritável (os sintomas costumam aparecer depois do consumo de leite e de alimentos como chocolate17 e bebidas gaseificadas17) ou refluxo gastroesofágico (o leite contribui para o quadro de azia18, assim como bebidas gasosas19, chocolates19 e tomate10, por exemplo). O melhor para tratar qualquer queimação do estômago é tomar um remédio receitado pelo médico7 após exames.

Deitar para dormir logo depois da refeição

Dormir profundamente após o almoço ou o jantar não é nem um pouco recomendado, pois atrapalha a digestão e favorece o refluxo20. O ideal é esperar de duas a três horas para ir dormir21.

Estressar-se

O estresse pode causar muitos problemas, não é mesmo? E com o trato intestinal não é diferente: ele pode causar prisão de ventre22, diarreia22, dispepsia (indigestão)22 e gastrite23, além de agravar sintomas de refluxo gastroesofágico24, por exemplo.

Tudo isso ocorre porque, por efeito direto do estresse ou intermediado por hormônios liberados por ele, há aumento na secreção de ácido gástrico e mudanças na regulação de fatores protetores da mucosa do estômago25.

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Por mais difícil que seja, o melhor mesmo é tentar eliminar as fontes de estresse do dia a dia. Praticar atividades físicas26, cuidar da postura27 e controlar a respiração28 são atitudes que ajudam a controlar e evitar o problema. Além disso, tente rir mais da vida29 e deixe o celular de molho30 por alguns momentos do seu dia, quando seu uso não for tão necessário. Vamos colocar tudo isso em prática para diminuir o estresse?

Referências:

1. El Mekkaoui Amine, Saâda Kaoutar, Mellouki Ihssane et al. Effect of Ramadan fasting on acute upper gastrointestinal bleeding. J Res Med Sci. 2013 Mar; 18(3): 230-233. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3732905/

2. Mitchell DR, Derakhshan MH, Wirz AA et al. Abdominal Compression by Waist Belt Aggravates Gastroesophageal Reflux, Primarily by Impairing Esophageal Clearance. Gastroenterology. 2017 Jun;152(8):1881-1888. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28267445

3. Informed Health Online. Heartburn and GERD: Overview. Informed Health Online. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmedhealth/PMH0072438/

4. Richard Mendelson. Imaging for chronic abdominal pain in adults. Aust Prescr. 2015 Apr; 38(2): 49-54. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4653992/

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5. Raul Badillo, Dawn Francis. Diagnosis and treatment of gastroesophageal reflux disease. World J Gastrointest Pharmacol Ther. 2014 Aug 6; 5(3): 105-112. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4133436/

6. Roger Jones, Richard Stevens, Jamie Dalrymple et al. Management of common gastrointestinal disorders: quality criteria based on patients' views and practice guidelines. Br J Gen Pract. 2009 Jun 1; 59(563): e199-e208. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2688069/

7. K. Lynette Whitfield, Robert J. Shulman. Treatment Options for Functional Gastrointestinal Disorders: From Empiric to Complementary Approaches. Pediatr Ann. Pediatr Ann. 2009 May; 38(5): 288-294. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2830707/

8. Mark Fox, Ian Forgacs. Gastro-oesophageal reflux disease. BMJ. 2006 Jan 14; 332(7533): 88-93. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1326932/?tool=pubmed

9. Su-Lin Lim, Claudia Canavarro, Min-Htet Zaw et al. Irregular Meal Timing Is Associated with Helicobacter pylori Infection and Gastritis. ISRN Nutr. 2013; 2013: 714970. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4045282/

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10. Miroslaw Jaroszcorresponding, Anna Taraszewska. Risk factors for gastroesophageal reflux disease: the role of diet. Prz Gastroenterol. 2014; 9(5): 297-301. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4223119/

11. Jaume Miranda-Rius, Lluís Brunet-Llobet, Eduard Lahor-Soler et al. Salivary Secretory Disorders, Inducing Drugs, and Clinical Management. Int J Med Sci. 2015; 12(10): 811-824. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4615242/

12. Scully C. Drug effects on salivary glands: dry mouth. Oral Dis. 2003 Jul;9(4):165-76. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12974516

13. Rosa María López-Pintor, Elisabeth Casañas, José González-Serrano. Xerostomia, Hyposalivation, and Salivary Flow in Diabetes Patients. J Diabetes Res. 2016; 2016: 4372852. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4958434/

14. Cersosimo MG, Raina GB, Calandra CR et al. Dry mouth: an overlooked autonomic symptom of Parkinson's disease. J Parkinsons Dis. 2011;1(2):169-73. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23939300

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15. Sandra López-Verdín, Jaime Andrade-Villanueva, Ana Lourdes Zamora-Perez et al. Differences in Salivary Flow Level, Xerostomia, and Flavor Alteration in Mexican HIV Patients Who Did or Did Not Receive Antiretroviral Therapy. AIDS Res Treat. 2013; 2013: 613278. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3880737/

16. Walsh NP1, Montague JC, Callow N et al. Saliva flow rate, total protein concentration and osmolality as potential markers of whole body hydration status during progressive acute dehydration in humans. Arch Oral Biol. 2004 Feb;49(2):149-54. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14693209

17. Friedman G. Diet and the irritable bowel syndrome. Gastroenterol Clin North Am. 1991 Jun;20(2):313-24. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2066155

18. Nanda R, James R, Smith H et al. Food intolerance and the irritable bowel syndrome. Gut. 1989 Aug;30(8):1099-104. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2767507

19. Jung Wan Choe, Moon Kyung Joo, Hyo Jung Kim et al. Foods Inducing Typical Gastroesophageal Reflux Disease Symptoms in Korea. J Neurogastroenterol Motil. 2017 Jul; 23(3): 363-369. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5503285/

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20. Dantas RO, Aben-Athar CG. [Aspects of sleep effects on the digestive tract]. Arq Gastroenterol. 2002 Jan-Mar;39(1):55-9. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12184167

21. Fujiwara Y, Machida A, Watanabe Y et al. Association between dinner-to-bed time and gastro-esophageal reflux disease. Am J Gastroenterol. 2005 Dec;100(12):2633-6. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16393212

22. Eun Young Lee, Mi Suk Mun, Seon Hye Lee et al. Perceived stress and gastrointestinal symptoms in nursing students in Korea: A cross-sectional survey. BMC Nurs. 2011; 10: 22. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3226627/

23. Sang Pyo Lee, In-Kyung Sung, Jeong Hwan Kim et al. The Effect of Emotional Stress and Depression on the Prevalence of Digestive Diseases. J Neurogastroenterol Motil. 2015 Apr; 21(2): 273-282. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4398234/

24. Eun Mi Song, Hye-Kyung Jung, Ji Min Jung. The Association Between Reflux Esophagitis and Psychosocial Stress. Dig Dis Sci. 2013 Feb; 58(2): 471-477. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3576549/

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25. Eric Shah, Ali Rezaie, Mark Riddle et al. Psychological disorders in gastrointestinal disease: epiphenomenon, cause or consequence? Ann Gastroenterol. 2014; 27(3): 224-230. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4073018/

26. Hamer M, Endrighi R, Poole L. Physical activity, stress reduction, and mood: insight into immunological mechanisms. Methods Mol Biol. 2012;934:89-102. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22933142

27. Nair S, Sagar M, Sollers J et al. Do slumped and upright postures affect stress responses? A randomized trial. Health Psychol. 2015 Jun;34(6):632-41. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25222091

28. Perciavalle V, Blandini M, Fecarotta P et al. The role of deep breathing on stress. Neurol Sci. 2017 Mar;38(3):451-458. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27995346

29. Ciro Conversano, Alessandro Rotondo, Elena Lensi. Optimism and Its Impact on Mental and Physical Well-Being. Clin Pract Epidemiol Ment Health. 2010; 6: 25-29. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2894461/

30. Sara Thomée, Annika Härenstam, and Mats Hagberg. Mobile phone use and stress, sleep disturbances, and symptoms of depression among young adults - a prospective cohort study. BMC Public Health. 2011; 11: 66. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3042390/

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