8 coisas que você não sabia, mas podem piorar a candidíase

Usar roupa úmida por muito tempo e consumo excessivo de doces podem desencadear a doença

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 11/05/2018

Coceira2 e vermelhidão na área vaginal2, corrimento branco e agrupado2, dor para urinar2 ou nas relações sexuais3: os sintomas característicos da candidíase vaginal não são desconhecidos das mulheres, já que a doença é bem comum2. Mas isso não quer dizer que ela não mereça cuidados constantes.

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O primeiro passo é entender como a candidíase funciona. O fungo Candida, geralmente Candida albicans4, é o responsável pela infecção. Ele existe em pequenas quantidades no organismo da mulher e convive perfeitamente bem com outras bactérias na flora vaginal, inclusive protegendo a região íntima5. O problema é que alguns hábitos ou mudanças na rotina podem causar um desequilíbrio no organismo e promover a proliferação do fungo, que se reproduz com bastante facilidade na região genital da mulher6.

Apesar de não ser uma infecção alarmante, não é natural enfrentar os sintomas da doença com frequência7. Quando a candidíase se manifesta mais de quatro vezes ao ano, ela se torna recorrente8 e precisa ainda mais de ajuda médica. Ao notar sintomas de candidíase, procure um ginecologista, especialidade médica que diagnostica e trata a doença.


Além de procurar o médico, é preciso ficar de olho em alguns detalhes do dia a dia que podem piorar a candidíase. Usar roupas muito justas1 ou exagerar nos carboidratos1 durante as refeições são alguns exemplos. Mas o bom disso tudo é que dá para virar esse jogo.

Veja abaixo o que pode piorar a candidíase e evite essas situações:

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Doces e carboidratos além da conta

Carboidrato é bom e todo mundo gosta, certo? Inclusive o fungo da candidíase. Alimentos ricos em carboidratos simples, como arroz e farinha branca, criam o cenário perfeito para o desenvolvimento da infecção1. Para começar, o carboidrato altera o pH da região íntima, tornando o meio mais ácido1 e propício para a proliferação dos fungos9. E não para por aí: os carboidratos e alimentos ricos em açúcar liberam glicose no organismo, fonte de energia ideal para as células de Candida albicans10.

Com o pH ácido9 e glicose liberada10, os fungos aproveitam para expandir suas colônias pelo organismo10. Em um quadro de candidíase instalado, a dica é consumir os alimentos citados com moderação.

Ingerir bebida alcoólica

Alguns tipos de bebidas alcoólicas possuem um alto teor de carboidratos1, o que mantém o nível de açúcar no sangue alto, um prato cheio para os fungos10, como vimos no item anterior. A dica é passar uma temporada longe das bebidas com teor alcoólico até o organismo se recuperar.

Roupas íntimas ou de banho úmidas

A praia parece o lugar perfeito para usar aquele biquíni bonito e versátil o dia inteiro, não é mesmo? No mar, na areia, na piscina, na festa com os amigos à noite. Nesse ritmo, esquecemos que é extremamente importante trocar as roupas de banho por peças limpas e secas.

Além de um pH mais ácido, os fungos da infecção se multiplicam com facilidade em ambientes quentes e úmidos1. Por isso, passar o dia inteiro com o biquíni molhado ou a calcinha úmida de suor depois de um treino intenso na academia, por exemplo, contribui para o agravamento da candidíase1. Não secar a região íntima direito depois do banho também pode levar à infecção1.

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Lingeries e roupas íntimas sintéticas

Imagine a situação: a região íntima já é, por natureza, um pouco úmida e abafada, levando em conta que sempre tem alguma peça de roupa sobre essa parte do corpo. As condições naturais, portanto, não são tão favoráveis assim para combater a candidíase, pois os fungos adoram o calor para formar novas e numerosas colônias1.

Diante disso, a solução é fugir de lingeries e outras peças íntimas feitas com material sintético, que impedem a ventilação das partes baixas e pioram a coceira1. Lembre-se que o conforto é um bom aliado no combate à candidíase; escolha, portanto, peças de algodão1, mais soltinhas1, para enfrentar a batalha contra os fungos.

Uso de antibióticos

Como explicamos, o fungo responsável pela candidíase já existe na flora vaginal, convivendo em perfeita harmonia com outras bactérias que protegem a região. Os antibióticos de amplo espectro, ou seja, aqueles que funcionam contra muitas doenças, podem acabar bagunçando a paz da flora vaginal, matando as bactérias "do bem" 11. Com o território livre, as leveduras começam a crescer e se multiplicar, como no caso do fungo Candida albicans11. É aí que a candidíase começa a incomodar. Conversar com o médico é o caminho mais adequado nestes casos.

Sucos de frutas muito doces

Optar pelo suco em vez da fruta in natura parece mais gostoso para muita gente. O problema é que ele tem uma concentração de açúcar muito mais alta. Comer frutas muito doces no período da candidíase já é um pouco problemático, uma vez que os açúcares e amidos presentes nos alimentos são rapidamente transformados em glicose1, componente fundamental para a reprodução dos fungos no organismo10. Portanto, prefira a versão in natura e não tão doce das frutas.

Roupas justas, justíssimas

Pense na flora vaginal como um organismo vivo, que respira. Vestir roupas justíssimas1, como calças jeans skinny, leggings e meias-calças, acaba "sufocando" a região, que se torna mais úmida, abafada e quente com o tempo1.

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Os fungos são extremamente propícios à reprodução nestas condições1. A dica dos especialistas é encarar o processo de recuperação da infecção com total liberdade, abusando de roupas largas, soltinhas e com tecidos leves1, sempre que possível.

Estresse e noites mal dormidas

Saúde emocional e física caminham lado a lado. Quando essa parceria entra em desequilíbrio, o corpo sente e apresenta sintomas diversos. Com a candidíase também funciona assim. O estresse emocional costuma dar uma mãozinha para a infecção fúngica, já que ele compromete o sistema imunológico1.

Tente se esforçar para escutar o que seu corpo tem a dizer. Pode ser um pedido de ajuda ou um sinal de que você está dormindo muito menos do que deveria. Se for preciso, dê uma pausa na correria e coloque sua recuperação em primeiro lugar. Parece complicado, mas alguns hábitos muitos simples podem te ajudar a ficar com a mente mais calma.

O primeiro deles é respirar direito. A respiração diretamente relacionada às nossas emoções e pode ajudar a controlar momentos de ansiedade12. Práticas como yoga e meditação podem ajudar13.

Além disso, que tal rir mais? Isso mesmo, a risada pode estar relacionada ao controle do estresse. Isso porque o bom humor libera endorfina, hormônio que promove a sensação de bem-estar14. Pois é, agora você tem o motivo perfeito para sair e se divertir muito. Que tal fazer isso hoje mesmo?

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Referências:

1. Gonçalves B, Ferreira C, Alves CT. Vulvovaginal candidiasis: Epidemiology, microbiology and risk factors. Crit Rev Microbiol. 2016 Nov;42(6):905-27. Conteúdo disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/d4b0/edef43013a9f245a565992d621d8d47a35b6.pdf

2. Phyllis L Carr, Donna Felsenstein, Robert H Friedman. Evaluation and Management of Vaginitis. J Gen Intern Med. 1998 May; 13(5): 335?346. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1496957/

3. E Rylander, A Berglund, C Krassny et al. Vulvovaginal candida in a young sexually active population: prevalence and association with oro-genital sex and frequent pain at intercourse. Sex Transm Infect. 2004 Feb; 80(1): 54-57. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1758393/

4. PubMed Health Glossary. Candidiasis. National Library of Medicine. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmedhealth/PMHT0024526/

5. Hube B. From commensal to pathogen: stage- and tissue-specific gene expression of Candida albicans. Curr Opin Microbiol. 2004 Aug;7(4):336-41. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15288621

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6. Mathieu Cauchie, Stefanie Desmetab, Katrien Lagrou. Candida and its dual lifestyle as a commensal and a pathogen. Research in Microbiology - Volume 168, Issues 9?10, November?December 2017, Pages 802-810. Conteúdo disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0923250817300402?viewFullText=true

7. Mathieos Belayneh, Evan Sehn, Christina Korownyk. Recurrent vulvovaginal candidiasis. Can Fam Physician. 2017 Jun; 63(6): 455. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5471085/

8. M. Zangeneh, S.D. Siadat, M. Jamshidi et al. Zinc Level of Serum in Recurrent Vulvovaginal Candidiasis. Research Journal of Biological Sciences 3 (5): 515-518,2008. Conteúdo disponível em: http://docsdrive.com/pdfs/medwelljournals/rjbsci/2008/515-518.pdf

9. François L. Mayer, Duncan Wilson, Bernhard Hube. Candida albicans pathogenicity mechanisms. Virulence. 2013 Feb 15; 4(2): 119-128. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3654610/

10. Ivone Lima Santana, Letícia Machado Gonçalves, Andréa Araújo de Vasconcellos. Dietary Carbohydrates Modulate Candida albicans Biofilm Development on the Denture Surface. PLoS One. 2013; 8(5): e64645. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3667795/

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11. J. D. Oriel, Betty M. Partridge, Maire J. Denny. Genital Yeast Infections. Br Med J. 1972 Dec 30; 4(5843): 761?764. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1787055/?page=2

12. Perciavalle V, Blandini M, Fecarotta P et al. The role of deep breathing on stress. Neurol Sci. 2017 Mar;38(3):451-458. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27995346

13. Catherine Woodyard. Exploring the therapeutic effects of yoga and its ability to increase quality of life. Int J Yoga. 2011 Jul-Dec; 4(2): 49?54. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3193654/

14. Yim J. Therapeutic Benefits of Laughter in Mental Health: A Theoretical Review. Tohoku J Exp Med. 2016 Jul;239(3):243-9. Conteúdo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27439375

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