Catapora: baixa umidade do ar favorece surtos

Métodos caseiros para evitar coceiras podem trazer complicações mais sérias

POR ANDRESSA BASILIO - PUBLICADO EM 07/10/2010

A varicela, popularmente conhecida como catapora, está se espalhando rapidamente e já é declarado um surto. Segundo dados do Ministério da Saúde, em todo o Brasil, de janeiro a setembro, foram registrados mais de 12 mil casos - só o Estado de São Paulo é responsável por 10.218 casos. Nos relatórios oficiais, a incidência da doença aumentou mais do que o dobro, comparado ao mesmo período do ano passado.

Porém, a infectologista e pediatra Sandra de Oliveira Campos explica que não há motivo para pânico, pois os surtos repentinos são comuns e acontecem de tempos em tempos. "Isso acontece porque é a transmissão é muito rápida e contagia muita gente, mas depois, se esgotam as possibilidades de contágio. Como é uma doença que só se pega uma vez, quem já teve esse ano, não vai ter de novo e, por isso, demora até um novo surto aparecer", explica a especialista.

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catapora - foto: getty images
cuidados com a catapora

O principal sintoma da catapora é o aparecimento de pintinhas vermelhas pelo corpo, que coçam e ardem. Como essa doença é comum, principalmente em crianças, as mães se engajam em uma tarefa nada fácil de evitar que o filho fique coçando as bolinhas e, ao mesmo tempo, tratar o problema. Mas, na tentativa de aliviar os incômodos da criança, muitas mães acabam apelando para métodos nada convencionais e podem acabar mais atrapalhando do que ajudando. Abaixo, veja alguns cuidados para tratar a catapora do seu filho do jeito certo, ou até evitá-la.

O que é?

A varicela, ou catapora, é uma doença causada pelo vírus Varicela-Zoster, e seus principais sintomas são febre, sintomas respiratórios, como coriza e tosse e, o que pode ser mais incômodo e evidente, o aparecimento de bolhinhas vermelhas que coçam muito e deixam marcas pelo corpo. "Essas lesões aparecem no corpo todo, principalmente no couro cabeludo, nas pernas e braços e na região das genitálias", explica Sandra Campos, da Unifesp.

A doença aparece em qualquer idade, porém é muito conhecida como uma doença de criança, por ser mais comum a incidência até os cinco anos de idade. Como é uma doença transmitida pela respiração, o tempo seco é um fator agravante para o aparecimento de um surto de catapora. "O ar seco é agressivo para as vias respiratórias e agride mais a mucosa, deixando-a fragilizada. Por isso, nessa época, os vírus se instalam com mais facilidade", diz a especialista da Unifesp. Além disso, a primavera ainda é a época ideal de aparecimento e procriação do vírus da varicela.

Período de transmissão

criança com catapora - foto: getty images
como cuidar da catapora

A especialista ensina que o período de transmissão da catapora é de dois dias antes do aparecimento das manchinhas até a última bolhinha vermelha que surgir no corpo. Por isso, a pessoa que contrai varicela, precisa ficar cerca de sete dias em casa, sem maiores contatos com outras pessoas.

Porém, o atraso de dois dias para aparecer as manchas no corpo é um dos responsáveis pela rápida transmissão do vírus, principalmente em crianças. "Como as crianças estão em constante contato com outras, o vírus se espalha muito rápido entre essa faixa-etária. Além disso, nessa idade, as defesas imunológicas ainda são mais fracas", diz Sandra Campos.

Evite a coceira

mãe e filha - foto: getty images
cuidados com a catapora

O mais difícil para os pais é evitar que as crianças cocem e machuquem as bolinhas, no entanto esse passo é muito importante para que as manchas não se tornem permanentes e para que a criança não tenha complicações mais sérias. "A coceira rompe a integridade da pele, o que significa que, além de aprofundar a lesão - deixando cicatrizes -, ainda facilita que uma bactéria se instale no corpo, levando a um quadro de complicações infecciosas, entre elas, a infecção pulmonar", explica Sandra Campos.

A especialista ressalta que, apesar dos riscos de complicações, é uma doença que, se bem tratada, não apresenta maiores problemas. A febre, por exemplo, é normal nos três primeiros dias, e tratada com antitérmico. "Dos antitérmicos comuns, a aspirina não é aconselhável, pois, quando entra em contato com o vírus da varicela, pode desencadear a Síndrome de Reye, doença danosa ao cérebro e fígado", alerta Sandra Campos.

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Mantenha distância das receitas caseiras

É muito comum as mães tentarem amenizar a coceira dos filhos com "receitinhas caseiras" como, por exemplo, passar álcool, maizena com água ou pomada contra assaduras infantis. "Para evitar a coceira, a mãe ou um adulto pode, com as unhas bem aparadas, passar sobre a região afetada um algodão com água filtrada ou água boricada. Se a coceira não for embora de jeito nenhum, pode-se recorrer ao médico, que indicará o melhor antialérgico", diz Sandra Campos.

Além disso, a especialista ensina que se a criança tiver alguma doença mais grave, como HIV, leucemia ou câncer, deve ir imediatamente ao médico, assim que notar o aparecimento das manchinhas, pois, nesses casos, o tratamento da catapora é feito de forma mais específica.

Vacinas

Com a catapora é assim: só não pega, quem já teve. Por isso, as mães que nunca sofreram com as manchinhas, podem ter problemas se o filho aparecer em casa com catapora. Porém, existe uma vacina que garante a prevenção ou atenuação dos sintomas. "Até o 3º dia que o vírus está no corpo, portanto antes do aparecimento das bolhinhas, a vacina com o anticorpo ou com o vírus vivo atenuado, pode ser usada para diminuir os sintomas ou até evitá-los. Se o filho contraiu a doença e a mãe nunca teve, então deve rapidamente se vacinar", diz a especialista da Unifesp.

Além disso, existe uma vacina preventiva para a varicela, porém, como ela ainda não está na cartilha oficial de vacinação, grande parte da população não tem acesso a isso e, muito menos, conhecimento da existência dessa vacina. Porém, Sandra diz que, apesar de não ser oficial, caso uma escola ou determinado lugar tenha registrado muitos casos de catapora, a comunidade pode solicitar junto a Secretaria do Estado que a vacina seja aplicada.

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