Saiba quando e como recorrer a um transplante de coração

Como funciona cirurgia que aumenta sobrevida de quem teve falência do órgão

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 18/01/2011

No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), existem 24 centros especializados no procedimento, que realizam uma média de 130 transplantes de coração por ano. Hoje em dia, ao contrário do que acontecia décadas atrás, o principal desafio não é a rejeição ao novo órgão, mas sim o de encontrar um doador compatível e enfrentar a fila de espera pela doação. Para o especialista, ainda falta divulgação e sobra desinformação por parte das famílias de possíveis doadores.

Tudo começa quando se confirma a morte cerebral de um possível doador. Após a família ser acionada para que autorize a doação, a Secretaria Estadual de Saúde é notificada (procedimento obrigatório por lei) para determinar quais órgãos serão retirados e para quem serão encaminhados. "Além do tempo ser exíguo, é preciso a confirmação de que este coração a ser transplantado é saudável", afirma Bruno. O paciente receptor é então conectado a um sistema de circulação extracorpórea, que simula as funções do coração e do pulmão, para que se mantenha vivo. O tempo máximo entre a extração do órgão do doador e a colocação no corpo do receptor é de quatro horas.

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Saiba quando e como recorrer a um transplante de coração - Foto: Getty Images
Saiba quando e como recorrer a um transplante de coração

Existem dois tipos de técnicas cirúrgicas: transplante ortotópico (quando um coração doente é removido e em seu lugar é implantado o órgão saudável de um doador) e heterotópico (quando o coração do doador é implantado sobre o órgão nativo com a finalidade de ajudá-lo no bombeamento do sangue). Concluída esta operação, o paciente terá dois corações, o seu doente e o do doador saudável. Esta técnica é utilizada em situações em que o órgão danificado não pode ser removido.

Para recorrer a um transplante de coração, os receptores deverão ser inscritos em uma lista de espera e aguardarem a doação de um órgão compatível. A inscrição nessa lista só pode ser feita pela equipe médica que realizará o transplante após extensa avaliação clínica, laboratorial, além de vários outros exames que comprovem que esta é a melhor alternativa para o caso, considerando-se a relação risco-benefício, possibilidade de outros tratamentos e outras doenças associadas.

As complicações mais comuns deste procedimento são a rejeição ao órgão transplantado ou a infecção. Infecções podem ocorrer em qualquer procedimento cirúrgico, entretanto, em casos de transplantes de órgãos elas são agravadas pelo uso de medicamentos imunossupressores. Eles são utilizados para atenuar as defesas do organismo contra os órgãos transplantados, a chamada rejeição, e acabam também atenuando as defesas contra outras infecções, que podem ocorrer em qualquer etapa do processo.

No primeiro ano, a sobrevida de um paciente transplantado pode chegar a 90%. Com o passar do tempo esse índice vai se reduzindo até alcançar cerca de 50% de chance de sobreviver por dez anos ou mais. Eventualmente, após os primeiros anos do transplante, podem ocorrer obstruções nas artérias coronárias. Ainda assim, para quem teve insuficiência cardíaca diagnosticada e decretada uma expectativa de vida reduzida, a cirurgia representa a chance de nascer de novo.

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