Estresse pode atrapalhar o tratamento da infertilidade

Ioga e terapia cognitiva são opções de relaxamento

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 04/07/2011

Dr. Joji Ueno
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 48486/SP
especialista minha vida

Apesar de muitas clínicas de fertilidade já adotarem programas para gestão do estresse - ioga, terapia cognitiva e biofeedback - o papel do estresse na infertilidade continua a ser tema para debate. Alguns especialistas da área acreditam que a infertilidade, sem dúvida, provoca estresse, mas o estresse não causa infertilidade. Outros defendem que as duas condições podem certamente estar interligadas.

Em um estudo, feito por pesquisadores do National Institutes of Health e pela Universidade de Oxford, publicado online no periódico Fertility and Sterility, pesquisadores relataram que mulheres que pararam de usar contraceptivos levaram mais tempo para engravidar, quando tinham níveis elevados na saliva da enzima alfa-amilase - um indicador biológico de estresse.

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Alguns especialistas da área acreditam que a infertilidade, sem dúvida, provoca estresse, mas o estresse não causa infertilidade.Outros defendem que as duas condições podem certamente estar interligadas.

Os autores dizem que este é o primeiro estudo a relacionar um biomarcador de estresse com a concepção atrasada em mulheres normais e saudáveis, e sugerem que encontrar maneiras de reduzir ou controlar o estresse pode ser a solução para alguns casais inférteis engravidarem.

Para conduzir o estudo, os pesquisadores mapearam os ciclos de ovulação de 274 mulheres inglesas, com idades entre 18-40 anos, que estavam tentando engravidar. A intenção dos pesquisadores era determinar se a informação diária, a partir de um dispositivo de monitorização da fertilidade, aumentaria a taxa de gestação em mulheres que pretendiam obter uma gravidez. Às participantes foram entregues kits de teste de fertilidade para acompanhar as fases de seu ciclo menstrual.

No sexto dia de seu ciclo, cada mulher recolhia uma amostra de sua saliva, que foi posteriormente testada para alfa-amilase. As amostras de saliva das mulheres também foram analisadas para o cortisol, um hormônio produzido pela glândula adrenal em resposta ao estresse. Cada mulher participou do estudo até ficar grávida ou até completar seis ciclos menstruais.

Os pesquisadores descobriram que, mesmo com todos os outros fatores sendo iguais, as mulheres com altos níveis de alfa-amilase tinham menos probabilidade de engravidar do que as mulheres com baixos níveis desta substância na saliva, durante a janela fértil, seis dias após a menstruação, quando a concepção é mais provável de ocorrer. Os investigadores não encontraram uma correlação entre os níveis de cortisol e as chances de concepção.

Em mulheres que se submetem a vários tratamentos de reprodução humana assistida, o estresse pode aumentar com a decepção de várias tentativas fracassadas de engravidar, desencadeando um ciclo em que a gravidez se torna ainda mais difícil de ser alcançada. Os resultados dos tratamentos empregando as tecnologias reprodutivas sugerem a necessidade de encontrarmos meios adequados para ajudar as mulheres que estão tentando engravidar a aliviar o estresse, enquanto a concepção não ocorre.

O que ajuda as mulheres a relaxarem? Muitas pessoas podem recorrer ao álcool ou ao tabaco para aliviar o estresse, mas essas substâncias podem reduzir a probabilidade de gravidez. Estamos, no momento, necessitando de mais pesquisas para determinar se as técnicas de relaxamento - meditação, biofeedback, ioga - podem auxiliar as mulheres que têm dificuldade em conceber.

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