Síndrome de Sjogren afeta o estado psicológico dos pacientes

Doença autoimune impede as pessoas de chorar

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 05/07/2011

Dr. Sergio Bontempi Lanzotti
Reumatologia - CRM 60377/SP

Pacientes que sofrem com a Síndrome de Sjögren, doença sistêmica imune que afeta a produção de lágrimas e saliva, apresentaram um pior estado mental e mais dificuldades em identificar os sentimentos dos outros, em comparação com os que não apresentam a doença. Os dados são de uma pesquisa holandesa, apresentada durante a Reunião Anual da Liga Européia Contra o Reumatismo (EULAR), em Londres.

Os resultados do estudo holandês com 300 pacientes - idade média de 56,8 anos, 93% mulheres - demonstraram que 22% dos pacientes com Síndrome de Sjögren foram classificados como clinicamente alexitímicos, ou seja, com dificuldades de identificar e descrever as emoções, em comparação com 12% do grupo de controle, que não apresentava a Síndrome de Sjögren.

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A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico do próprio paciente erroneamente ataca as glândulas produtoras de lágrimas e saliva

Os resultados do estudo também mostraram que os níveis mais elevados de alexitimia foram moderadamente correlacionados com o pior estado mental, em ambos os grupos, mostrando que existe uma relação comprovada entre os dois. Nos pacientes com Síndrome de Sjögren, os níveis de supressão de emoção também se correlacionaram com um pior estado mental dos pacientes, um efeito que foi observado em menor escala no grupo controle.

Os pacientes com Síndrome de Sjögren têm uma vivência crônica de secura dos olhos e da boca, bem como de outras partes do corpo e, portanto, têm uma capacidade prejudicada de chorar. Isso pode afetar sua capacidade de expressar suas emoções e, muitas vezes, eles só podem se valer de palavras e expressões para externarem o que sentem, ao invés de lágrimas.

Os pesquisadores holandeses, liderados por Ninke Van Leeuwen da Utrecht, esperam, agora, que os resultados do estudo possam conduzir a mais pesquisas para examinar diferentes intervenções psicológicas que possam beneficiar os pacientes com a Síndrome de Sjögren.

Entenda a doença

A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico do próprio paciente erroneamente ataca as glândulas produtoras de lágrimas e saliva.

O problema se dá porque os linfócitos infiltram-se nestas glândulas, provocando a diminuição da produção de saliva e lágrimas. Assim, a característica principal da Síndrome de Sjögren é a secura nos olhos e na boca, mas ela também pode causar ressecamento de pele, nariz e vagina, além de afetar outros órgãos do corpo, inclusive os rins, pulmões, fígado, pâncreas e cérebro.

Fadiga e dor nas articulações, que podem comprometer de forma significativa a qualidade de vida do paciente, também são sintomas frequentes. O diagnóstico do problema não é uma tarefa fácil, uma vez que os sintomas da Síndrome de Sjögren podem se assemelhar aos de outras doenças como o lúpus, a artrite reumatóide, a síndrome da fadiga crônica, a fibromialgia, a esclerose múltipla e a doença de Alzheimer.

Devido a variedades de sintomas, além do acompanhamento reumatológico, o paciente precisa ser acompanhado também por outros especialistas, como oftalmologistas, psicólogos, ginecologistas e dentistas. É importante que o paciente seja atendido por esta equipe multidisciplinar, pois nem todo ressecamento pode ser resultado da Síndrome de Sjögren. Muitos medicamentos, inclusive os usados para o tratamento da hipertensão arterial, da depressão, de resfriados, de alergias e de problemas gastrointestinais podem causar secura nos olhos e na boca.

A Síndrome de Sjögren não representa risco iminente de vida, mas certamente provoca profundas alterações na vida do paciente.

Com uma conduta terapêutica apropriada, a qualidade de vida pode ser melhorada. Como a doença não tem cura, o diagnóstico e a intervenção precoces podem afetar o curso da doença. O tratamento dependerá dos sintomas e do seu grau de severidade.

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