Poluição pode causar endurecimento das artérias

Problema aumenta risco de pressão alta, AVC e ataque cardíaco

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 13/10/2011

Os poluentes químicos presentes no meio ambiente podem provocar arteriosclerose - endurecimento da parede das artérias, causando aumento da pressão arterial sistólica -, que pode levar a ataques cardíacos e AVC. A conclusão vem de um estudo desenvolvido no Instituto Karolinska, na Suécia, e publicado na revista americana Environmental Health Perspectives.

A pesquisa foi feita com mil moradores da cidade de Upsala. Para chegar a esses resultados, os autores do experimento mediram os níveis de componentes químicos no sangue desses indivíduos - como dioxinas, bifenis policlorados e pesticidas - e a incidência de arteriosclerose na artéria carótida, utilizando tecnologia de ultrassom.

Os cientistas descobriram que aqueles com maiores níveis de poluentes circulando no sangue eram mais propensos a sofrer um endurecimento das artérias e a ter sinais de acúmulo de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos. Esse resultado indica que os componentes tóxicos presentes no ambiente podem ter relação com o aparecimento de arteriosclerose e, portanto, podem levar à morte por doenças cardiovasculares no futuro.

Países com muitas indústrias têm um número maior de casos de doenças cardiovasculares, cuja causa principal é o endurecimento das artérias. Os fatores de risco também incluem dietas ricas em gordura, tabagismo, diabetes e pressão alta.

A equipe planeja analisar em breve a existência de algum vínculo entre a presença dos poluentes no sangue e a incidência de apoplexias (afecção cerebral) e ataques cardíacos.

PUBLICIDADE

Hipertensão é a principal causa de insuficiência cardíaca e AVC
A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Cada vez que o coração bate e bombeia sangue, sua pressão estará mais elevada, o que se chama pressão arterial sistólica. Quando o coração está em repouso, entre um batimento e outro, a pressão sanguínea diminui, é a chamada pressão diastólica.

A pressão arterial elevada aumenta diretamente o risco de doença cardíaca coronariana o que leva ao ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente se junto com outros fatores de risco. A hipertensão geralmente não apresenta sintomas, mas pode causar problemas graves, como insuficiência cardíaca e renal. É fácil controlar a pressão arterial através de um estilo de vida saudável e, se necessário, do uso de medicação.

A hipertensão pode ocorrer em crianças ou adultos, mas é mais comum em pessoas de meia-idade e idosos, obesos e alcoólatras. Pessoas com diabetes ou doença renal também têm pressão alta com mais frequência. Segundo o cardiologista do Instituto do Coração (Incor) Bruno Caramelli, a hipertensão arterial não é um gatilho para insuficiência cardíaca e derrame cerebral, mas sim o principal fator de risco. "Nos hipertensos há uma hipertrofia (aumento de tamanho) do coração para que consiga bombear o sangue pra frente mais facilmente", explica.

Se o órgão não dá conta de bombear todo o sangue, há o que chamamos de insuficiência cardíaca. Um dos sintomas mais comuns é a dificuldade de respirar, uma vez que o coração está inchado e rouba mais espaço dos pulmões. O especialista também lembra que a predisposição genética é outro fator determinante para a doença hipertensão arterial.

Por ser uma condição silenciosa, quase sem nenhum sintoma, a melhor indicação é para que as avaliações da pressão arterial se iniciem ainda durante a infância.

Com um teste simples, rápido e indolor é possível detectar a hipertensão no mesmo instante. E ela pode ser controlada. Porém, não apenas medicamentoso, o tratamento deve incluir: perda de peso, abandono do hábito de fumar ou beber alcoól, adoção de uma dieta com pouco teor de gordura e sal, além de exercícios físicos.

Não deixe de consultar o seu médico. Encontre aqui médicos indicados por outras pessoas.