Especialistas esclarecem principais dúvidas sobre a quimioterapia

O que é, como age e quais os efeitos colaterais do tratamento usado contra o câncer

POR LAURA TAVARES - PUBLICADO EM 04/02/2013

Se você precisasse citar formas de tratar um câncer, certamente citaria a quimioterapia como um dos, senão o principal, artifício na luta contra a doença. Mesmo assim, poucas pessoas conhecem, de fato, como ela funciona. É regra que quem se submete a ela perde os cabelos? O que aumenta a chance de sucesso desse tratamento? Para tirar essas e outras dúvidas, conversamos com uma equipe de especialistas e, no Dia Mundial do Câncer (4), você confere as respostas:

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1. O que é a quimioterapia?

Tratamento de quimioterapia - Foto Getty Images
Existem diferentes tipos de quimioterapia e de administração dessas drogas

"Quimioterapia é um conjunto de medicamentos utilizados para impedir o crescimento celular", explica o pediatra oncologista Flavio Augusto Luisi, diretor clínico do Instituto de Oncologia Pediátrica do GRAACC.

2. Como a quimioterapia ajuda no combate ao câncer?

De acordo com a oncologista Ana Paula Garcia Cardoso, do Hospital Albert Einstein, a quimioterapia atua no ciclo celular, destruindo e impedindo a multiplicação das células, reação que acontece de forma acelerada em tecidos tumorais. "Infelizmente, ele acaba matando e impedindo a multiplicação das células de tecidos saudáveis também, o que gera os efeitos colaterais", aponta.

3. Existe mais de um tipo de quimioterapia?

Sim. Existem muitos tipos de quimioterapia e ainda diferentes tipos de administração dessas drogas, explica o oncologista Hezio Jadir Fernandes Junior, do Instituto Paulista de Cancerologia. "As drogas quimioterápicas podem ser administradas por via oral, endovenosa, subcutânea, intramuscular e intratecal (dentro do líquido da espinha dorsal)", explica.

4. Todo paciente diagnosticado com câncer faz quimioterapia?

"Nem todas as pessoas que têm câncer precisam fazer quimioterapia", afirma a oncologista clínica Solange Moraes Sanches, do Hospital A. C. Camargo. Segundo a especialista, a decisão depende do tipo do tumor, de sua extensão e das condições de saúde do paciente. Entretanto, a quimioterapia faz parte do trio de tratamentos mais usados no tratamento do câncer, juntamente com a cirurgia e a radioterapia.

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5. Quais os efeitos colaterais mais comuns da quimioterapia?

Criança com câncer - Foto Getty Images
O tratamento da doença pode beneficiar o paciente em qualquer estágio do câncer

Além dos tecidos tumorais, células do tecido mucoso, glóbulos brancos (leucócitos) do sangue e os cabelos também crescem de forma acelerada se comparados a outros tecidos, por isso, são os mais afetados no tratamento de quimioterapia. "Assim, alguns dos efeitos colaterais mais comuns são queda do cabelo, aparecimento de feridas na boca e diminuição dos leucócitos no sangue", aponta o pediatra oncologista Flavio. Outras complicações comuns são náuseas, vômitos, diarreia, constipação e fraqueza. Vale lembrar, entretanto, que existem inúmeros medicamentos disponíveis para controle desses efeitos colaterais e que, por isso, não é regra que o paciente terá essas complicações.

6. Em quais casos a chance de sucesso no tratamento é maior?

"A chance de sucesso no tratamento do câncer depende do estágio em que ele é diagnosticado", alerta o oncologista Hezio. Segundo ele, tumores pequenos e localizados são curáveis na maior parte dos casos. Já tumores em estágio avançado em que há metástase e o sistema linfático foi atingido costumam ser tratados para que se aumente a sobrevida e a qualidade de vida do paciente. ?Mas como o leque de drogas hoje existente é muito grande, o indivíduo deve buscar ajuda sempre, pois pode se beneficiar em qualquer estágio?, afirma. Mas não basta apenas dar início ao tratamento. É preciso seguir com disciplina o plano estabelecido pelo médico.

7. Quais atitudes do paciente podem ajudar no sucesso do tratamento?

Hábitos de vida saudáveis são sempre bem-vindos e auxiliam na recuperação do organismo, reduzindo até a intensidade dos efeitos colaterais, explica a oncologista Solange. "Isso inclui uma dieta balanceada, a prática regular de exercícios, o abandono do cigarro, entre outros cuidados", explica. Ela destaca que esses são hábitos saudáveis recomendados para qualquer pessoa que queira aumentar a longevidade, o que reforça que o indivíduo com câncer deve tentar levar uma vida o mais normal possível.

8. Quando o tratamento de quimioterapia é cessado?

"O tratamento de quimioterapia pode ter uma duração pré-determinada, pode ser utilizado até a resposta máxima ou ainda pode ser mantido até que alcance uma toxicidade inaceitável", diz a oncologista Solange. Não há regra. Cada caso é um caso.

9. Existe alguma diferença no tratamento da quimioterapia para crianças?

Sim. O câncer do adulto é o chamado câncer do envelhecimento e tem muita correlação com hábitos de vida, como alimentação composta de excesso de gordura e embutidos, tabagismo, alcoolismo, vida sedentária, obesidade, exposição solar sem proteção, entre outros. Assim, a maioria dos tumores do adulto são tumores sólidos na pele, na mama, na próstata, no pulmão, no útero, entre outros. A chance de cura aumenta quanto mais cedo iniciarmos o tratamento.

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"Já o câncer da criança é o chamado câncer do crescimento e, na maioria das vezes, é de causa genética não hereditária", explica o pediatra oncologista Flavio. Os mais comuns são as leucemias, os tumores cerebrais e os linfomas. Geralmente, o câncer na criança é muito agressivo e tem crescimento rápido, mas como a quimioterapia age em células que estão se multiplicando, quanto mais depressa um tumor cresce, mais rapidamente ele é destruído pela quimioterapia. Por essa razão, apesar de mais agressivo, a maioria das crianças, com o tratamento adequado, fica curada.

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