Cessar medicações antes da prescrição pode afetar tratamento de doenças mentais

Ausência de sintomas nem sempre indica que problema está solucionado

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 15/02/2013

Dr. Hewdy Lobo Ribeiro
Psiquiatria - CRM 114681/SP
especialista minha vida

Os familiares e pacientes que estão em tratamento para doenças mentais como depressão, síndrome do pânico e transtorno bipolar nem sempre estão cientes de informações que poderiam melhorar seu quadro de saúde. Uma delas é a recomendação de que pacientes que estão fazendo uso de medicamentos da classe dos psicofármacos, ou seja, medicações psiquiátricas não devem interromper o tratamento sem orientação médica. A advertência é válida mesmo quando o paciente vem obtendo benefícios de outras terapêuticas como psicoterapia, terapia ocupacional ou cuidados de enfermagem em homecare.

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Os tratamentos medicamentosos prescritos por psiquiatras para doenças ou transtornos mentais têm algumas características diferentes em relação a medicações de outras especialidades clínicas. Isso porque eles agem no sistema nervoso central, ou seja, no cérebro e, por isso, nem sempre apresentam resultados imediatos. Pelo contrário, alguns podem até piorar o quadro inicial do paciente antes que ele sinta alguma evolução emocional positiva.

Os psiquiatras sempre explicam isso para o próprio paciente e para os familiares, porque é natural que os portadores de qualquer adoecimento emocional invistam em um tratamento esperando melhora imediata. Embora compreensível, vale ressaltar que a maioria das medicações psiquiátricas só começar a fazer efeito positivo depois de 15 dias de uso, aproximadamente. Outra característica particular do uso dessas medicações psiquiátricas está na necessidade de continuar o tratamento mesmo sem apresentar sintomas de adoecimento.

Os pacientes e seus acompanhantes devem saber que nos tratamentos para doenças mentais existe a chamada manutenção. Em outras palavras, mesmo o paciente já tendo obtido a melhora desejada, ainda pode ser necessário continuar o uso das medicações por algum tempo. Em casos de depressão leve com ausência de sintomas, a manutenção costuma durar cerca de um mês. Já no caso de problemas mais graves, como acontece com o transtorno afetivo bipolar e a esquizofrenia, o paciente pode precisar usar medicações por toda a vida.

Assim, nunca se deve parar o uso de quaisquer medicações sem a orientação médica, recomendação importante, sobretudo para quem está usando remédios que agem no cérebro, porque esta interrupção pode causar desde vômitos, dor de cabeça, tremores, aumento da pressão arterial e sensação de calafrios até convulsão e desmaio. Em caso de dúvida, consulte seu médico.

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