Respirar pela boca causa desde mal desenvolvimento do maxilar até voz rouca

Alergias respiratórias podem provocar alterações nas funções orais, anatomia e órgãos vocais

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 07/11/2016

Solange Dorfman Knijnik
Fonoaudiologia - CRFa 4348/SP
especialista minha vida

Época de tempo frio e seco, nosso inverno tropical tem sido o tormento das pessoas propensas a alergias de vias aéreas superiores, quer sejam estas rinites, sinusites ou asmas. Sobretudo as crianças, que pelo fato do organismo infantil ainda estar em desenvolvimento, necessitam de atenção redobrada. Episódios constantes de obstrução nasais, muitas vezes somadas a maus hábitos orais, como uso de chupeta, chupar o dedo, ausência mastigação adequada, entre outros, muitas vezes acabam por estabelecer um padrão respiratório inadequado, ou seja, unicamente ou preferencialmente pela boca.

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Os problemas e alterações de saúde provenientes desse hábito são muito maiores do que precisar limpar o nariz frequentemente. Insuficiência de ar, cansaço, dor nas costas, diminuição de olfato e ou paladar, halitose, boca seca, acordar engasgando durante a noite, dormir mal, olhar triste, olheiras, cuspir saliva ao falar e dificuldade de realizar exercícios físicos estão entre as dificuldades frequentes de um paciente que não use corretamente o nariz para respirar.

Em qualquer idade, devemos cuidar de nosso aporte de ar como cuidamos de nosso aporte de alimentos!

Para facilitar o entendimento, vamos citar algumas das alterações possíveis de serem encontradas no respirador oral, segundo artigo da fonoaudióloga Irene Marchesan:

Alterações crânio faciais e dentárias

  • Ângulo goniaco aumentado (face longa)
  • Palato ogival ou inclinado
  • Dimensões faciais estreitas
  • Hipodesenvolvimento dos maxilares
  • Microrrinia com menor espaço na cavidade nasal
  • Desvio de septo
  • Mordida cruzada e/ou aberta
  • Protrusão dos incisivos superiores.

Alterações dos órgãos fonoarticulatórios

  • Hipotrofia, hipotonia e hipofunção dos músculos elevadores da mandíbula
  • Alteração de tônus com hipofunção dos lábios e bochechas
  • Lábio superior retraído ou curto e inferior evertido ou interposto entre dentes
  • Lábios secos e rachados com alteração de cor
  • Gengivas hipertrofiadas com alteração de cor e frequentes sangramentos.
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Alterações corporais

  • Deformidades toráxicas
  • Musculatura abdominal flácida e distendida
  • Olheiras com assimetria de posicionamento dos olhos, olhar cansado
  • Cabeça mal posicionada em relação ao pescoço trazendo alterações para a coluna no intuito de compensar este mal posicionamento
  • Ombros caídos para a frente comprimindo o tórax
  • Alteração da membrana timpânica, diminuição da audição
  • Face assimétrica visível.

Alterações das funções orais

  • Mastigação ineficiente levando a problemas digestivos e engasgos pela falta de coordenação da respiração com a mastigação
  • Deglutição atípica com ruído, projeção anterior, contração exagerada de orbicular, movimentos compensatórios de cabeça
  • Fala imprecisa, trancada com excesso de saliva, sem sonorização pelas otites freqüentes com alto índice de ceceio anterior ou lateral
  • Voz rouca ou anasalada.

Outras alterações possíveis

  • Sinusites frequentes, otites de repetição
  • Aumento das amígdalas faríngeca e palatinas
  • Halitose e diminuição da percepção do paladar e olfato
  • Maior incidência de cáries
  • Alteração do sono, ronco, baba noturna, insônia, expressão facial vaga
  • Redução do apetite, alterações gástricas, sede constante, engasgos, palidez, inapetência, perda de peso com menor desenvolvimento físico ou obesidade
  • Menor rendimento físico, falta de coordenação global com cansaço frequente
  • Agitação, ansiedade, impaciência, impulsividade, desânimo
  • Dificuldades de atenção e concentração gerando dificuldades escolares

Podemos perceber a importância de estar atento quanto à adequada atividade nasal, lembrando que o nariz filtra, aquece e umidifica o ar durante sua passagem rumo aos pulmões. O um dos papeis do fonoaudiólogo é auxiliar a criança ou o adulto nesse aprendizado, evitando problemas no futuro ou ajudando a reverter quadros que já estejam instalados. Em qualquer idade, devemos cuidar de nosso aporte de ar como cuidamos de nosso aporte de alimentos!

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