Tire 15 dúvidas sobre prevenção de DSTs

Infectologista esclareceu essas questões no chat e evento online

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 07/03/2014

Um dos problemas de saúde mais comuns no mundo, as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ainda são um assunto pouco esclarecido para a população. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 340 milhões de pessoas são infectadas todos os anos com DSTs. Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 13 milhões de brasileiros já sentiram algum sintoma de DST, mas nem todos procuram um médico. Por isso, convidamos o infectologista Celso Granato, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e diretor Clínico do Grupo Fleury, que tirou as dúvidas de nossos leitores no Minha Vida ao Vivo sobre prevenção de DSTs, realizado dia 27 de fevereiro. Confira as questões levantadas no chat:

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Francine: Verrugas na área genital são sintomas de HPV?

Celso Granato: São sim, mas são HPVs um pouco diferentes do que causam câncer, correspondentes aos vírus 6 e 11.

Sonia Moreira: Quais os riscos de fazer sexo sem camisinha com parceiro fixo?

Camisinha é essencial na prevenção de DSTs - Foto: Getty Images
Camisinha é essencial na prevenção de DSTs

Celso Granato: Se os dois forem fixos, é zero risco, mas é preciso fazer os exames antes e ver se os dois são negativos para DSTs - ou seja, fazer o check-up.

Fabiana: Quais os sintomas do HPV na garganta? Pode causar câncer?

Celso Granato: O HPV está sim relacionado ao câncer de garganta. Nesse caso, o sintoma mais comum é uma rouquidão súbita, sem causa aparente. É importante ressaltar que nem toda a rouquidão é HPV.

Denize: Podemos contrair HPV em toalhas de motel e roupas de cama, ou só mesmo no contato sexual?

Celso Granato: Não é impossível acontecer uma infecção por toalhas de motel ou roupas de casa, mas é raríssimo acontecer, uma vez que os vírus são muito frágeis e não duram tempo suficiente fora do corpo humano para serem transmitidos dessa forma com facilidade.

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Valber: Se a penetração for rápida ainda há chance de contrair doenças?

Celso Granato: Sim, existem chances de contrair DSTs.

Alcione: Quanto tempo após uma infecção começam a surgir verrugas na vagina? Como sabemos se o corrimento vaginal é normal?

Celso Granato: Algumas semanas (duas ou três) após uma infecção já bastam para se perceber verrugas. Agora a secreção é uma questão muito individual para a mulher, mas se você perceber algum tipo de alteração, como aumento do volume da secreção ou alterações no cheiro e cor, o ideal é procurar um médico.

Jane: Banheiro público realmente pode transmitir DSTs?

Os vírus transmissores de DSTs são muito delicados, e dificilmente sobrevivem por muito tempo. Dessa forma, pegar uma DST em banheiros públicos é extremamente difícil.

Celso Granato: Até pode, se houver uma secreção na bacia do vaso que está ali há muito pouco tempo. Acontece que os vírus transmissores de DSTs são muito delicados, e dificilmente sobrevivem por muito tempo. Dessa forma, pegar uma DST em banheiros públicos é extremamente difícil.

Carla: Se eu transar sem camisinha com um rapaz que teve HPV e fez tratamento (com remédios e cauterização) eu corro o risco de contrair o vírus?

Celso Granato: Não. Se ela está considerada tratada, não há risco de contrair essa doença do ponto de visto médico.

Adriana: Qual a diferença entre ter a AIDS e ser portador do HIV?

Celso Granato: Quando a pessoa se infecta pelo HIV, ela passa um certo tempo sem nenhuma consequência da infecção - nós falamos então que ela é soropositiva apenas. Agora, num determinado momento ele passa a ter a consequência da infecção, tem uma doença oportunista ou tumor devido ao HIV - aí chamamos de AIDS. Existem pessoas que podem ter uma resposta imunológica tão boa que nunca manifesta doença decorrente, mas isso é 1% da população.

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João: Quanto tempo depois de ter uma relação de risco o exame para AIDS deve ser feito?

Celso Granato: Não adianta fazer antes de 20 dias, uma vez que a chance de o resultado dar negativo é grande. Mas recomendamos que se nos primeiros três meses após a relação de risco. Ainda sim, o vírus pode demorar mais para ser detectado, para que a carga se multiplique. Dessa forma, você pode repetir depois um tempo, para ter certeza.

Antonio: Pode um não portador do vírus da AIDS relacionar-se com uma pessoa contaminada tomando todos os cuidados e não correr nenhum risco?

Celso Granato: Essa pessoa pode usar preservativos e tomar outros cuidados, mas o risco vai sempre existir. Não podemos nunca dizer que o risco de transmissão é zero.

Marli Tayar: Quando uma pessoa adquire uma DST, ela pode ficar com algum tipo de sequela?

Celso Granato: Dependendo da DST sim. Alguns exemplos: a clamídia não tratada pode causar um esteiramento da tuba uterina, o que pode levar a infertilidade (uma vez que o espermatozoide não consegue chegar aos ovários) ou então impedir que óvulo atravesse para o útero, levando à gravidez tubária. Já o homem com clamídia pode ficar infértil. Outra DST que pode causar sequelas graves é o HPV, que pode causar câncer de colo uterino.

Anisio Reiter: Sexo oral sem ejaculação transmite alguma doença?

Celso Granato: Infelizmente sim, uma vez que aquela secreção que antecede a ejaculação do homem, assim como a lubrificação da mulher, podem ter vírus. Fora as DSTs que são externas, como a gonorreia.

Marli Tayar: Que tipo de exame se faz para detectar uma DST?

Celso Granato: Depende da DST. Têm exames que você fará pelo sangue, outros que você vai analisar a secreção. E outros que você fará uma análise da úlcera que a pessoa tenha. Infelizmente não existe um único exame que detecte todas as DSTs.

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Adriana Lucia Gonçalves: DSTs podem demorar anos para apresentar sintomas ou é de imediato?

Celso Granato: A maior parte das DSTs vai ter alteração em curto prazo, mas algumas podem demorar anos, como a HPV e sífilis. Porém, essas podem ser detectadas antes da manifestação dos sintomas com exames preventivos, como o papanicolau.

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