Miocardiopatia dilatada: cansaço excessivo é principal sintoma

Coração aumentado não consegue bombear o sangue com a mesma eficácia

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 10/11/2016

Dr. Bruno Valdigem
Cardiologia - CRM 118535/SP
especialista minha vida

Após caminhada leve, Cadu diz ao filho que "está com a sensação de ter subido o pão de açúcar". Como na maioria das novelas hoje, a inserção de algum grupo especial é muito importante para conscientização do público. O personagem criado por Manoel Carlos, na novela "Em família", apresenta sinais e sintomas de um problema que foi responsável por 231.964 internações no Brasil em 2013.

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A insuficiência cardíaca é uma condição na qual o coração tem dificuldade de bombear sangue suficiente para que o corpo funcione adequadamente. Isso quer dizer que o coração não tem "potência" para uma corrida (nos casos mais leves) ou até para pentear os cabelos ou andar da cama para o banheiro (nos mais graves). Essa insuficiência na maioria das vezes é um quadro crônico, traiçoeiro, que já se manifesta após alterações importantes já terem acontecido na forma do coração.

A miocardiopatia dilatada, também conhecida por cardiomiopatia dilatada, é uma condição em que há um aumento do coração a ponto dele não conseguir bombear sangue com a mesma eficácia de antes. O coração aumenta e as fibras musculares se esticam ao máximo, tendo dificuldade maior de se encurtar e comprimir o sangue para fora. Imagine outro músculo - o bíceps - em situação semelhante: como é mais fácil dobrar o cotovelo? Com ele já dobrado a 90 graus ou com ele completamente esticado, hiperextendido? Com o coração é a mesma coisa.

As causas da cardiomiopatia dilatada podem estar relacionadas a infarto prévio, alcoolismo, infecções do coração (miocardites, doença de chagas) ou problemas das válvulas do coração (temos quatro válvulas, e se elas abrirem ou fecharem com dificuldade o músculo tenta compensar e aumenta de tamanho). Exames como eletrocardiograma e ecocardiograma, juntos a uma conversa boa e exame com o médico fazem esse diagnóstico.

Depois de instalada, o tratamento da cardiomiopatia dilatada inicia com medicações que diminuem os efeitos ruins da adrenalina combinadas com outras que facilitam o trabalho do coração, reduzindo a pressão e o esforço que ele faz para empurrar o sangue. Outras drogas ainda podem ser usadas para aumentar a força e retirar líquidos (diuréticos). Casos que não respondem a essas medicações podem receber a indicação de ressincronizadores cardíacos e alguns dispositivos colocados por cirurgião cardíaco que funcionam como um segundo coração.

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Em casos muito sintomáticos, o transplante cardíaco é uma opção, uma vez que substitui o coração cansado por um novo, mas a quantidade muito inferior de doadores em relação aos receptores faz com que as filas longas aumentem a ansiedade e as internações dos candidatos. Espero que esse trabalho dos meios de comunicação em divulgar essa necessidade incentive doadores e traga esperança para os receptores na fila!

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