Entenda a relação entre aspirina e prevenção do câncer

Ácido acetilsalicílico pode causar hemorragias gastrointestinais e alterações da função renal

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 24/09/2014

Dr. Artur Malzyner
Oncologia - CRM 20456/SP
especialista minha vida

Dados do último congresso da União Internacional Contra o Câncer (UICC) dão conta de que pelo menos 1/3 das neoplasias seriam passíveis de prevenção. Medidas simples como mudança de hábitos de vida, controle da obesidade, redução do consumo de álcool, do tabagismo e da exposição a substâncias tóxicas, assim como a vacinação contra o HPV e contra as hepatites, poderiam ter um impacto marcante na redução do número de casos novos.

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A prevenção cirúrgica pode ser aplicada em poucos casos, e há dados sólidos de prevenção farmacológica apenas para câncer de mama.

A aspirina, nome comercial do ácido acetil salicílico, é um anti-inflamatório não esteroidal que age bloqueando um grupo de enzimas chamadas ciclo-oxigenases. As substâncias desse grupo têm propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e antipiréticas (tratam a febre).

Na evolução dos pólipos intestinais existe interferência de ciclo-oxigenase 2 no processo. Desta forma, cogitou-se que o uso de anti-inflamatórios poderia reduzir a formação de pólipos. De fato isso foi comprovado, mas no estudo clínico, a mesma magnitude de benefício na prevenção dos pólipos foi contrabalanceada por casos de hemorragia digestiva alta.

A partir daí tentou-se substituir o ácido acetilsalicílico por medicamentos de segunda geração, específicos para inibir a Cox-2, como foi o caso do Viox. Mas, também de forma imprevista, houve um aumento na mortalidade por doenças cardiovasculares.

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Desta forma, nenhum anti-inflamatório é indicado para uso como prevenção do câncer.

O uso crônico de anti-inflamatórios é muito problemático. Ele causa gastrites e úlceras gástricas, alterações da coagulação sanguínea (impedem a ação das plaquetas) e alterações da função renal. Ou seja, podem fazer mais mal do que bem.

Usamos anti-inflamatórios de forma crônica para algumas doenças reumatológicas (artrites) e como forma de diminuir o risco de fenômenos tromboembólicos e doença isquêmica coronariana em pacientes de risco.

Até o momento não há comprovação de que nenhum desses dois grupos se beneficie de uma maior proteção contra o câncer.

* Artigo escrito em parceria com o Dr. Ricardo Caponero, oncologista da Clionco

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