Hipertensão mal controlada pode causar miocardiopatia hipertensiva

Doença leva a danos e disfunção do musculo cardíaco, aumentando risco de insuficiência

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 30/09/2014

Dr. Nilton Jose Carneiro da Silva
Cardiologia - CRM 107737/SP
especialista minha vida

A hipertensão arterial é reconhecida como fator de risco para lesão de órgãos importantes do nosso corpo, como os rins, olhos, cérebro e o coração.

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Em determinadas ocasiões, como quando a pressão arterial mantem-se elevada por um longo período ou quando há demora no diagnóstico e tratamento, existe maior risco para a lesão cardíaca.

Miocardiopatia é um termo utilizado para denominar um grupo de doenças que atingem o musculo cardíaco, de forma que há prejuízo na função de "bomba" deste órgão e pode haver evolução para insuficiência cardíaca.

Miocardiopatia é um termo utilizado para denominar um grupo de doenças que atingem o musculo cardíaco, de forma que há prejuízo na função de ?bomba? deste órgão e pode haver evolução para insuficiência cardíaca.

A miocardiopatia hipertensiva ocorre quando a hipertensão arterial leva a danos e disfunção do musculo cardíaco. Todo paciente hipertenso deve ser avaliado quanto a cardiopatia hipertensiva, pois encontra-se em risco de desenvolve-la. A hipertensão arterial não controlada ou com diagnóstico tardio, além daqueles casos de hipertensão com inicio precoce (menos de 40 anos de idade), pode ter risco maior de desenvolver cardiopatia hipertensiva com o passar dos anos.

Existe clareza na associação entre pressão arterial elevada e risco cardíaco, mas não é possível prever com certeza quais pacientes e em quanto tempo apresentarão a evolução para miocardiopatia, de forma que o controle dos valores da pressão arterial ainda é a medida mais efetiva na prevenção da cardiopatia.

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Essa lesão ao musculo cardíaco pode ser entendida pela maior dificuldade ou sobrecarga que o músculo tem que enfrentar a cada batimento por conta de um "obstáculo" maior, que seria um sistema com alta pressão que em que ser vencido para que o batimento cardíaco seja efetivo e haja circulação de sangue por todos os demais órgãos. Algumas alterações genéticas envolvendo hormônios e substâncias liberadas principalmente pelos rins e vasos sanguíneos contribuem para uma cascata de eventos que no final leva a miocardiopatia. A interação do musculo cardíaco com esses fatores é que determina em cada individuo qual a velocidade dessas alterações.

O diagnóstico da miocardiopatia hipertensiva ocorre com a análise de um conjunto de fatores:

  • Historia clinica e exame físico. Paciente hipertenso que evolui com cansaço para atividades que antes eram feitas com facilidade, palpitações, iedema em extremidades podem eventualmente ter comprometimento do musculo cardíaco. O médico durante exame físico pode flagrar alterações na inspeção do tórax, avaliar edema de extremidades, e observar anormalidades em ausculta cardíaca e pulmonar
  • Eletrocardiograma. Este exame de fácil e rápida realização pode fornecer sinais indiretos de doença do músculo cardíaco, indicando aumento de tamanho das cavidades cardíacas ou alteração na condução elétrica decorrentes de hipertensão arterial descontrolada
  • Ecodopplercardiograma, exame fundamental neste diagnostico, visto que fornece informações sobre estrutura do coração (se há aumento das cavidades cardíacas ou hipertrofia que corresponde ao aumento da massa muscular) e também sobre a função, visto que em fases avançadas da doença o coração pode perder sua força contrátil, ou seja, enfraquecer. O eco auxilia em estagiar a doença também, uma vez que no inicio pode ocorrer apenas dificuldade no relaxamento do musculo - as vezes assintomático, mas em fases avançadas já ocorre hipertrofia e perda de função do coração, eventualmente até dilatação
  • Exames complementares de imagem como a ressonância magnética e a tomografia cardíaca são pedidos, não como rotina, mas na dependência de características de cada caso.

O tratamento compreende controle da pressão arterial com modificações de estilo de vida (nutrição e atividade física adequadas) e fármacos anti-hipertensivos. Quando a pressão elevada acompanha presença de cardiopatia, o tratamento farmacológico muda, dando-se preferencia a associação de fármacos betabloqueadores e outros que bloqueiam um sistema denominado renina-angiotensina-aldosterona. Alguns desses fármacos podem ao mesmo tempo ter efeito benéfico no nível de pressão arterial.

Mesmo que o tratamento seja otimizado, uma vez que se desenvolve alteração da estrutura do coração o objetivo será impedir ou lentificar a evolução da doença, dificilmente retornando-se às condições iniciais. Logo o tratamento preventivo da pressão arterial é o mais importante.

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