Histeroscopia é opção para mulheres que não querem ter filhos

Procedimento não necessita de cortes e complicações são raras

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 23/04/2015

Dra. Bárbara Murayama
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 112527/SP
especialista minha vida

Esterilização cirúrgica é o segundo método mais utilizado de contracepção entre as mulheres nos Estados Unidos. A esterilização feminina consiste no bloqueio do trânsito pelas tubas uterinas, que têm a função de levar os óvulos dos ovários até a cavidade do útero. No Brasil, a Lei do Planejamento familiar nos dá algumas regras para esterilização definitiva por qualquer técnica:

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  • Realizada em maiores de 25 anos e/ou 2 filhos vivos
  • Pelo menos 40 dias após parto ou aborto e 60 dias após a confirmação da escolha deste método
  • Se união estável ou casados, ambos precisam autorizar em termo de consentimento livre e esclarecido.

Para as mulheres que não desejam mais ter filhos, a esterilização é uma opção segura e altamente eficaz. A esterilização histeroscópica, também chamada de laqueadura por histeroscopia, pode facilmente ser realizada em ambiente ambulatorial e é a abordagem menos invasiva, ganhando inclusive da vasectomia neste quesito.

A histeroscopia em si pode inclusive ser utilizada para investigar a cavidade endometrial de mulheres virgens que sofrem de problema como pólipos, já que não é necessário nem ao menos usar espéculo vaginal

A histeroscopia é uma técnica em que se utilizam equipamentos endoscópicos com os quais é possível ver a cavidade do útero por dentro. O equipamento também tem um canal operatório por onde introduzimos um cateter que contém em sua ponta o dispositivo. O procedimento é realizado via vaginal, utiliza apenas os orifícios naturais da mulher. A histeroscopia em si pode inclusive ser utilizada para investigar a cavidade endometrial de mulheres virgens que sofrem de problema como pólipos, já que não é necessário nem ao menos usar espéculo vaginal.

O dispositivo de esterilização histeroscópica está disponível nos Estados Unidos desde 2002 e no Brasil desde 2009. Ele é um pequeno implante de 4 cm de comprimento e 1 a 2 mm de largura, quando implantado. É constituída por uma bobina interior de aço inoxidável e fibras de polietileno, além de uma bobina externa de níquel-titânio (nitinol). Ele vem carregado em um sistema para colocação descartável.

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O dispositivo é colocado por ginecologista com pós-graduação em histeroscopia e treinamento específico para esta técnica. Os implantes são colocados por visão direta da histeroscopia dentro de cada trompa - um em cada uma.

Após a colocação, as fibras de polietileno estimulam o crescimento de tecido cicatricial que rodeia e se infiltra no dispositivo ao longo de várias semanas, o que resulta em fechamento completo das tubas em três meses. Esse processo de fechamento das tubas é indolor.

Doze semanas após a colocação, uma radiografia da pelve deve ser realizada para ter certeza que os dispositivos, um de cada lado, estão no local correto. Neste meio tempo outro método anticoncepcional deve ser mantido, pois há risco de gravidez. Caso a radiografia simples deixe dúvidas, uma histerossalpingografia deverá ser realizada.

Histeroscopia x outras técnicas

Além da histeroscopia, a esterilização também pode ser feita utilizando laparoscopia por vídeo ou laparotomia e cirurgia convencional. As vantagens da esterilização histeroscópica são:

  • Nenhum corte. Utilizamos os orifícios naturais da mulher
  • Menos dor pós-operatória, já que não há cortes. Em geral, a mulher tem um desconforto leve durante o procedimento, se este for realizado sem anestesia
  • Pode ser realizada em mulheres com extensas aderências pélvicas, já que não entramos na cavidade abdominal. O fechamento das tubas se dá por dentro delas, com acesso por dentro do útero e não por fora das tubas, como acontece nas demais técnicas
  • Pode ser realizada em mulheres com comorbidades que impedem laparoscopia ou laparotomia. Já que não requer anestesia, pode ser feito ambulatorialmente. É a opção mais indicada para mulheres com problemas cardíacos, respiratórios, obesidade, entre outros.
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As desvantagens são:

  • Necessidade de contracepção durante três meses após o procedimento (até a oclusão das tubas uterinas ser totalmente confirmada)
  • Necessidade de estudo de imagem para confirmar a oclusão tubária após os 3 meses
  • O procedimento pode ser realizado em mulheres que estão com pólipos ou miomas dentro do útero, sendo aproveitado o momento da cirurgia para retirada desses tumores histeroscopicamente
  • Pode ser realizado com DIU, que será mantido pelos 3 meses e retirado após confirmação da esterilidade.

O procedimento todo dura em torno de 5 minutos e se feito sem anestesia a mulher poderá ir embora em poucos minutos após a histeroscopia. Isso é muito importante quando falamos de mulheres que, geralmente, são mães de família.

Estudos de custo-efetividade relataram que a esterilização histeroscópica com microimplantes é mais barata em comparação com laqueadura tubária bilateral laparoscópica.

As contraindicações para esterilização histeroscópica incluem:

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  • Incerteza sobre a esterilização definitiva
  • Gravidez ou suspeita de gravidez
  • Menos de seis semanas a partir de um parto ou aborto espontâneo ou induzido
  • Infecção pélvica ativa ou recente.

Essas contraindicações, entretanto, valem para qualquer técnica de esterilização e não são exclusivas da histeroscópica. Uma contraindicação conhecida era a hipersensibilidade ao níquel - que é uma possível complicação do procedimento - no entanto, a Food and Drug Administration (FDA) retirou em 2011 a hipersensibilidade ao níquel como uma contraindicação para o procedimento, uma vez que o número de eventos adversos notificados foi extremamente baixo (menos de 1 em 5000).

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