Retocolite ulcerativa: os principais sinais de alerta

Sintomas podem ser facilmente confundidos com os de outras inflamações intestinais

POR NATHALIE AYRES - PUBLICADO EM 10/08/2016

A retocolite ulcerativa é uma inflamação que acomete o trato gastrointestinal, principalmente o intestino. Ela normalmente começa no reto, e se expande para o cólon. "Essa doença não tem uma cura bem estabelecida, mas existem diversos tratamentos para conviver com ela e levar uma vida normal", considera a gastroenterologista Andrea Vieira, chefe da Clínica de Gastroenterologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e vice-presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD).

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Homem conversando com a médica no consultório -
O histórico familiar também pode auxiliar no diagnóstico da retocolite ulcerativa

A retocolite ulcerativa requer um diagnóstico minucioso. "A doença de Crohn pode ter características bem semelhantes. Além disso, a retocolite ulcerativa também pode ser confundida com outras colites causadas, por exemplo, por infecções", contextualiza a especialista.

Não se sabe ao certo a causa da retocolite ulcerativa. Antes, havia a ideia de que ela era ocasionada por estresse e dieta, mas, hoje, percebe-se que esses fatores podem agravar os sintomas, mas não podem ser considerados causadores do problema.

Como diferenciar?

Os sintomas da retocolite ulcerativa são muito semelhantes às outras doenças inflamatórias intestinais e incluem principalmente diarreia com muco e sangue e dor abdominal, apesar de ser menos intensa do que em outras doenças. Existem também manifestações extra intestinais: artrite, uveíte (doença inflamatória ocular que pode prejudicar a úvea, área que engloba íris, corpo ciliar e coróide) e feridas e manchas vermelhas na pele. No entanto, por acometer o reto inicialmente, o muco e o sangue nas fezes costumam ser sintomas mais importantes e isso pode trazer uma maior suspeita do diagnóstico para o médico.

De qualquer forma, essa suspeita sempre precisará ser confirmada por uma série de exames. O mais importante deles é a colonoscopia, que examina exatamente as regiões do sistema digestivo afetadas por esse quadro. "Com esse exame é possível observar se a inflamação é contínua na mucosa, um dos principais fatores que diferenciam a retocolite e a doença de crohn, já que a última costuma acometer regiões de forma salteada", diferencia Andrea.

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Além disso, o histórico familiar também pode auxiliar no diagnóstico. Isso porque, ao analisar a árvore genealógica, é possível perguntar e saber se algum membro da família teve especificamente a retocolite ulcerativa. Também é importante averiguar se existe histórico de doenças autoimunes na família, como artrite reumatoide, já que pode haver uma ligação genética entre elas.

Alguns exames de sangue também podem ser usados como forma de se chegar mais próximo do diagnóstico. No entanto, nenhum desses exames é capaz de diagnosticar com certeza a retocolite ulcerativa, pois é preciso sempre ponderar todos os resultados para se chegar a uma conclusão razoável.

Tratar é preciso

Uma vez que o diagnóstico é firmado, o tratamento pode ser iniciado. "Ele é baseado em diversos tipos de medicamentos, escolhidos conforme a intensidade e profundidade da lesão, além da insistência dos sintomas", considera Andrea. O tratamento é para a vida toda, já que a retocolite é uma doença crônica. Normalmente a pessoa segue com os mesmos medicamentos, que são trocados apenas se o paciente deixar de apresentar respostas.

Casos mais graves e que não respondam ao tratamento medicamentoso, podem requerer a cirurgia, para a retirada do intestino, já que a retocolite ulcerativa lesiona o intestino de forma contínua.

O tratamento multidisciplinar é muito importante. "Pessoas com retocolite ulcerativa tendem a ter diarreia, então começam a ter medo de comer algo diferente e provocar uma crise, por isso o tratamento nutricional os ajuda a ter mais segurança", pondera a especialista. Além disso, as urgências para ir ao banheiro podem abalar o comportamento social e o padrão emocional do paciente, de modo que o acompanhamento psicológico pode ser de grande valia.

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