Alergia à absorvente: o que fazer e como evitar

Especialista tira dúvidas sobre o assunto e apresenta alternativas a quem tem essa alergia

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 29/09/2016

Dra. Rosane Bleivas Bergwerk
Alergia e Imunologia - CRM 69705/SP
especialista minha vida

A alergia a absorventes é um tipo de dermatite de contato. Nesse quadro há uma resposta inflamatória na pele resultante da exposição de substancias externas, que são estranhas ao organismo. A reação produz uma ação na pele que pode ocorrer por mecanismo não alérgico, caracterizando uma dermatite de contato por irritantes primários, ou é ocasionada por mecanismo alérgico caracterizando uma dermatite de contato alérgica.

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A pele em contato com qualquer substancia pode apresentar uma reação que se manifesta com coceira, vermelhidão, aparecimento de pápulas ou vesículas e, em uma fase crônica, descamação, além da alteração de coloração da pele.

A dermatite de contato é uma das doenças de pele mais comuns observada na sociedade atual. Estudos sugerem que 20% da população mundial tem risco de desenvolver a doença. Ela é mais frequente em adultos do que em crianças e é mais rara na raça negra.

Por que a alergia à absorventes acontece?

Não há um motivo pelo qual uma mulher comece a apresentar alergia aos componentes do absorvente. Pode acontecer de repente mesmo tendo utilizado anteriormente esse produto.

Entre os componentes do absorvente externo destacam-se: fibras de celulose, poliacrilato de sódio, adesivos termoplásticos, polietileno, fibras de polímeros com extrato de algodão e papel siliconado. Os absorventes internos apresentam polímeros celulósicos, resinas termoplásticas, conteúdo têxtil no núcleo absorvente de 100% de rayon. Essas substancias podem estar relacionadas com plástico, perfume, materiais sintéticos e, portanto, podem causar reações na pele e ter o resultado positivo no chamado teste alérgico de contato.

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Este teste deve ser realizado por especialista alergista, que colocará na região do tórax posterior do paciente fitas adesivas contendo substancias que poderão desencadear uma reação. É ele quem determinará que substância está causando as alergias e poderá indicar o melhor tratamento.

O teste é realizado durante uma semana em três etapas. A paciente, por exemplo, que utiliza o absorvente interno que contém rayon, no teste de contato pode apresentar-se positivo para a substancia PPD-MIX. Os polímeros relacionam-se com várias substancias presentes na recente lançada bateria de teste de contato de unhas. Há várias baterias de teste de contato como por exemplo: de cosméticos, regional, de unhas, de alimentos, de corticosteroides além de 30 substancias iniciais padronizadas.

O que fazer se eu começar a apresentar alergia ao absorvente?

Uma vez que seja realizado o diagnóstico de alergia dos componentes do absorvente, a mulher pode encontrar no mercado um absorvente hipoalergenico, que é feito de algodão orgânico, matérias primas naturais e livres de plástico, perfumes, aditivos químicos e materiais sintéticos, são considerados ecologicamente corretos (biodegradáveis), porém com preço mais alto do que os absorventes comuns.

O coletor menstrual pode causar alergia?

O coletor menstrual é um copinho de silicone ajustável ao corpo, que é colocado na entrada da vagina e coleta o sangue da menstruação. Quando comparado com os absorventes até é considerado com menor possibilidade de causar alergia, mas o silicone na realidade pode causar reação alérgica.

A alergia ao absorvente tem relação com a síndrome do choque tóxico?

A alergia causada pelo absorvente é uma dermatite alérgica de contato, ou seja, o contato com as substancias que compõem o absorvente é que causa alergia na pele. Já a síndrome do choque tóxico é um conjunto de sintomas causados por uma infecção bacteriana.

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As toxinas de bactérias, como Staphylococcus aureus, causam febre, exantema difuso, descamação de pés e mãos, náuseas, vômitos, dor muscular generalizada, queda da pressão arterial, queda de plaquetas, comprometimento do fígado, alteração do nível de consciência, podendo desencadear reações graves como insuficiência renal aguda, com falência de múltiplos órgãos e óbito.

Esta síndrome pode acontecer se a mulher utilizar um absorvente interno por mais de 8 horas. O sangue acumulado por tempo prolongado é um meio propício para o surgimento de bactérias e vírus. Os absorventes internos atuais são melhores do que os de décadas atrás e atualmente essa síndrome não é comum. Recomenda-se trocar o absorvente interno a cada duas ou quatro horas e lavar as mãos na colocação e retirada do mesmo.

Não deixe de consultar o seu médico. Encontre aqui médicos indicados por outras pessoas.