Intolerância à lactose é facilmente controlada

Alguns ajustes na dieta são capazes de aplacar os desconfortos causados pelo problema

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 05/06/2008

Quando o organismo se mostra intolerante a determinado alimento, é preciso se atentar ao cardápio e buscar alternativas para que os nutrientes oferecidos por ele não fiquem em baixa. Esse é o caso de quem sofre com a intolerância à lactose. "Ela se caracteriza por uma inabilidade para digerir completamente o açúcar predominante do leite", informa Karina Gallerani, nutricionista do Minha Vida.

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Falando mais sobre a intolerância, Karina detalha que a lactose, antes de ser absorvida pelo organismo, requer uma quebra das moléculas pelo intestino delgado. Tal atividade é realizada por uma enzima chamada lactase.

Dessa forma, a deficiência de lactase leva à má digestão (2065) do açúcar do leite e sua conseqüente intolerância. "O problema, então, se resume à incapacidade do organismo em digerir a lactose", diz.

Quem sofre com essa condição passa por transtornos como diarreia, flatulência excessiva, cólicas e aumento do volume abdominal, ao consumir leite e seus derivados.

Para que esses efeitos sejam notados, o consumo de leite é bastante variável, já que depende da quantidade de lactose que a pessoa é capaz de tolerar. Os sintomas ainda variam conforme a velocidade de digestão do indivíduo, podendo aparecer alguns minutos ou até horas depois da ingestão.


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Tipos de intolerância à lactose

O problema apresenta três razões distintas, segundo Karina. "A intolerância à lactose pode ser decorrente de uma deficiência congênita da lactase; devido à diminuição da enzima causada por doenças intestinais; ou ainda por causa de uma diminuição da enzima conforme o avançar da idade", pontua.

No primeiro caso, a criança nasce sem a capacidade de produzir lactase. "Como o leite materno (996) possui lactose, a criança é acometida logo após o nascimento. No entanto, este defeito genético é muito raro", conta a especialista do Minha Vida.

O segundo tipo de intolerância citado pela nutricionista é comumente notado em crianças no primeiro ano de vida (1008). Por causa de diarreias persistentes, as células da mucosa intestinal, produtoras de lactase, morrem. "Assim, o indivíduo passa por uma deficiência temporária da enzima, até que estas células sejam repostas pelo organismo", esclarece.

Já a chamada deficiência primária ou ontogenética representa o tipo de intolerância mais comum na população. Karina explica que, com o passar dos anos, é natural que a produção de lactase diminua, levando ao aparecimento do transtorno. "Não existe, porém, nenhum estudo que explique o motivo dessa queda significativa na produção da enzima, que dá surgimento à intolerância", ressalta a nutricionista.

Foto: KomootP/Shutterstock
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Driblando o inconveniente

Se os sintomas forem notados, Karina aconselha procurar um médico para passar por testes. Só exames específicos são capazes de detectar o problema e apontar as causas dos sintomas apresentados.

A nutricionista afirma que não há tratamento para aumentar a capacidade de produção de lactase, mas a boa notícia é que os sintomas são facilmente controlados com algumas adaptações na dieta.

Nos casos em que o leite é essencial, como para os recém-nascidos, a opção é o leite de soja, livre da lactose. Os adultos, além desta alternativa, não precisam se preocupar em evitar a lactose completamente, lembrando que os níveis de intolerância são variados.

"O controle da dieta para pessoas intolerantes à substância depende da experimentação de seus próprios limites, usando a tentativa e o erro", direciona a especialista.

Para os pacientes que reagem a pouca quantidade de lactose, já existe no mercado o leite UHT hidrolisado, ou com baixo teor de lactose. O sabor é o mesmo e ele ainda contêm todos os nutrientes do leite, garante Karina.

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Ainda de acordo com ela, os iogurtes (2239) são derivados que, mesmo quando ingeridos em grandes quantidades, não causam sintomas. As bactérias presentes em suas fórmulas produzem lactase suficiente para a digestão da lactose. Eles, portanto, são ótimas opções para quem não pode contar com o leite no cardápio e não quer abrir mão de seus nutrientes.

Vale atentar também para preparações à base de leite, como bolos, pudins, cremes e bolachas. "Procure pelas versões que não contenham o produto em sua composição", aconselha a nutricionista para driblar a intolerância.

Intolerância à lactose X alergia ao leite

Apesar de serem causadas pelo mesmo alimento e apresentarem sintomas semelhantes, a intolerância à lactose e a alergia ao leite são patologias distintas. "A intolerância à lactose ocorre quando, por algum motivo, o organismo não produz a quantidade suficiente da enzima lactase. Já a alergia ao leite de vaca é provocada pelas proteínas presentes no leite", lembra Karina.

Segundo a especialista, as proteínas do leite são identificadas pelo sistema imunológico como um agente estranho que precisa ser combatido. "A partir da ingestão destas proteínas, nosso corpo desencadeia uma série de reações contra esses agressores, causando diarreia, distensão abdominal, flatulência, sintomas respiratórios, pequenos sangramentos intestinais, e até lesões na pele, como urticária e coceira", lista.

Mais uma diferença entre as patologias é que, quem apresenta intolerância à lactose, não precisa excluir o componente da dieta, enquanto na alergia ao leite, a proteína deve ser excluída totalmente. "Até mesmo alimentos contaminados com proteínas do leite podem desencadear o processo alérgico", alerta Karina.

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