Excesso de pelos em mulheres pode ser sinal de doenças

O hirsutismo é frequentemente o sinal inicial e, muitas vezes, o único de uma desordem dos androgênios (hormônios masculinos)

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 23/01/2018

Dr. Danilo Höfling
Endocrinologia e Metabologia - CRM 55221/SP
especialista minha vida

O hirsutismo é uma disfunção que afeta cerca de 10% das mulheres e se manifesta pelo crescimento excessivo de pelos terminais em áreas tipicamente masculinas, como nas regiões supralabial, barba, peitoral, dorso, abdome, glúteos e face interna das coxas.

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Pelos terminais são espessos, longos e pigmentados. Eles podem ser dependentes dos androgênios como nas áreas acima mencionadas, ou independentes, como no caso dos cílios e das sobrancelhas.

Há ainda outros dois tipos: lanugos, pelos extremamente finos que cobrem a pele do feto; e os velus, que são macios, pequenos, finos e pouco pigmentados.

Deve-se diferenciar o hirsutismo da hipertricose, que corresponde ao excesso de pelos velus de distribuição uniforme por todo o corpo, que não é decorrente do excesso de hormônios masculinos. A hipertricose frequentemente tem caráter genético, mas também pode estar associada a algumas doenças e ao uso de alguns medicamentos.

A presença de hirsutismo pode estar ligada ao aumento da produção de androgênios, como testosterona, di-hidrotestosterona, androstenediona, DHEA e DHEA-S. No entanto, frequentemente esses hormônios estão normais e não é possível determinar a causa do distúrbio, que é denominado hirsutismo idiopático. Neste caso, acredita-se que as portadoras têm um aumento da sensibilidade dos folículos pilosos às quantidades normais de androgênios.

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Problemas relacionados

O excesso de pelos, por si só, embora não seja um problema grave de saúde, é esteticamente incômodo para a maioria das mulheres, induzindo transtornos emocionais e baixa autoestima.

Além disso, pode ser um sinal de várias doenças, especialmente quando também há presença de virilização, ou seja, presença de acne, calvície temporal, engrossamento da voz, crescimento da massa muscular e/ou do clitóris. Neste caso, geralmente há aumento mais pronunciado dos hormônios masculinos.

Algumas possíveis enfermidades relacionadas ao hirsutismo são síndrome dos ovários policísticos (a mais comum), hiperplasia adrenal congênita, síndrome de Cushing, obesidade, aumento de prolactina e, inclusive, alguns tipos de tumores adrenais, ovarianos.

Além dos motivos já citados, outra causa desse problema pode ser o uso de medicamentos, como danazol, diazoxide, minoxidil, hormônios masculinos, tamoxifeno, estreptomicina e fenitoína.

Vale lembrar que os fatores genéticos e a origem étnica também influenciam o crescimento de pelos de padrão masculino nas mulheres. Por exemplo, enquanto as asiáticas e as louras de pele clara apresentam, em geral, pelos mais escassos, as mulheres árabes ou com descendência mediterrânea tendem a ter maior quantidade de pelos, independentemente do aumento dos androgênios. De modo geral, neste caso, quando há de fato hirsutismo, ele é modesto.

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Vários elementos são relevantes na história clínica para a investigação do hirsutismo, tais como etnia; presença de história familiar do problema; idade de início e velocidade de progressão do crescimento de pelos; regularidade dos ciclos menstruais; resistência à insulina; presença de virilização e uso de medicamentos capazes de estimular os pelos sexuais.

Por exemplo, o aparecimento dessa desordem de forma lenta e progressiva a partir da puberdade, associada a alterações menstruais, sugere a síndrome dos ovários policísticos. Por outro lado, a presença de hirsutismo leve, que teve desenvolvimento lento em uma mulher com ciclos menstruais regulares, ovulação normal e fértil sugere hirsutismo idiopático.

Já o desenvolvimento súbito e rápido de hirsutismo, acompanhado de virilização, é sugestivo de tumores adrenais ou ovarianos capazes de produzir grandes quantidades de androgênios.

A investigação de doenças deve ser realizada nas mulheres com hirsutismo moderado ou severo ou ainda hirsutismo de qualquer grau associado a uma das seguintes alterações: irregularidade menstrual e infertilidade; obesidade central (circunferência abdominal maior que 88 centímetros - ver artigo Tipos de obesidade: conheça e diferencie); progressão rápida de aumento de pelos e virilização.

Assim, para o diagnóstico e tratamento adequados do hirsutismo, a avaliação do endocrinologista é muito importante.

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Causas comuns de hirsutismo

  • Síndrome dos ovários policísticos
  • Hirsutismo idiopático

Causas incomuns de hirsutismo

  • Drogas: danazol, androgênios, fenitoína, etc
  • Hiperplasia adrenal congênita: Deficiência 21-OH, 11-beta-OH e 3-beta-OH
  • Hipertecose
  • Tumores ovarianos
  • Tumores de células de Leydig
  • Tumores de células de Hilares
  • Arrenoblastoma
  • Tumores adrenais
  • Síndromes de resistência à insulina severas
  • Hiperprolactinemia
  • Síndrome de Cushing
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