Conheça os diferentes impactos da endometriose e como superá-los

Algumas medidas podem auxiliar na diminuição do desconforto e das dores geradas pela endometriose

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 19/03/2018

Dr. Marco Aurelio Pinho de Oliveira
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 52422-7/RJ
especialista minha vida

Apesar da endometriose ser uma doença frequente, o tempo para o diagnóstico ainda é muito elevado: cerca de sete anos após o aparecimento dos primeiros sintomas, de acordo com estudos internacionais. A longa espera, geralmente marcada por consultas a médicos não habituados a lidar com a doença, expõe as portadoras a um verdadeiro calvário, com impacto negativo na qualidade de vida.

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O sofrimento é emocional e, ainda mais evidente, físico. A endometriose causa dores muitas vezes incapacitantes, dores nas relações sexuais, desconforto ao evacuar e urinar, infertilidade e até mesmo dores na região lombar e nas coxas. Em alguns episódios, a falta de tratamento pode levar a problemas mais graves, como o de obstrução intestinal, se houver comprometimento extenso do intestino, e a perda das funções renais, caso a bexiga e os ureteres sejam prejudicados.

O segundo martírio, não em ordem de importância, porque comparações desse tipo são descabidas, é o mental. Muitas mulheres com endometriose relatam ter sido chamadas de exageradas ou ?frescas? por pessoas próximas, inclusive outras mulheres que sustentam o mito de que dor na menstruação é normal e que não compreendem que a intensidade das cólicas de quem tem a doença é muito mais elevada.

Há ainda os prejuízos profissionais, acadêmicos e sociais - devido à possibilidade de afastamento das atividades por conta das dores - e, eventualmente, na vida amorosa, em função das já citadas dificuldades para engravidar e pelas dores nas relações sexuais. Tudo isso faz com que a depressão seja relativamente comum entre as portadoras.

Volta por cima

Felizmente, a qualidade de vida da mulher com endometriose pode ser restabelecida caso ela seja atendida por um ginecologista apto a fazer o diagnóstico e o tratamento adequado, seja por meio do tratamento hormonal (apenas para controle temporário da dor) ou de procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, como a videolaparoscopia ou, mais recentemente, a robótica.

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É importante destacar que a possibilidade de recaída existe e que talvez seja necessário fazer ajustes no tratamento. No entanto, algumas medidas podem ser de grande valia para a redução do desconforto. São elas a prática de exercícios físicos, não fumar, evitar o máximo situações estressantes, realizar sessões de acupuntura e de fisioterapia e adotar uma alimentação balanceada.

Nesse sentido, recomenda-se o consumo de alimentos ricos em ômega 3, a exemplo da sardinha, atum, salmão, castanhas e amêndoas. Reduzir açúcares e evitar adoçantes (preferir stévia, quando necessário); priorizar hortaliças, carnes magras, ovos, queijo cottage, azeite de oliva, feijões e frutas como caju, goiaba, limão e abacate - todas capazes de reduzir a resposta inflamatória no organismo. Óleos hidrogenados, sal refinado comum e temperos prontos também devem ser evitados sempre que possível.

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