A endometriose pode levar à morte? Especialista explica

Doença requer atenção, mas com o diagnóstico precoce é possível realizar o tratamento sem complicações

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 17/05/2018

Dr. Marco Aurelio Pinho de Oliveira
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 52422-7/RJ
especialista minha vida

Não é possível afirmar precisamente que a endometriose nunca levou nenhuma paciente à morte, mas a ocorrência de quadros desse tipo é extremamente rara. As principais complicações relacionadas à doença, além da possibilidade de infertilidade, acontecem quando há focos extensos no intestino ou na bexiga, especialmente nos óstios ureterais - orifícios na bexiga por onde chegam a urina vinda dos rins.

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Os principais riscos causados pela endometriose são:

  • A obstrução intestinal, que pode levar à perfuração e à infecção generalizada (sepse)
  • A obstrução urinária, que, por sua vez, pode acarretar dilatação dos rins seguida de perda de função do órgão, infecção local e eventual sepse.

Mulheres diagnosticadas com endometriose extensa nessas regiões devem ser submetidas a tratamento cirúrgico o mais rápido possível, mesmo que não apresentem dor.

Contudo, como dito anteriormente, a probabilidade de morte é felizmente muito baixa. O diagnóstico precoce permite tratar a doença antes que ela fique extensa e grave. Além disso, mesmo nos casos mais avançados, em que a remoção cirúrgica dos focos é necessária, o procedimento resolve o quadro clínico na maioria das vezes.

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Vale destacar que a terapia com contraceptivos hormonais não é considerada adequada nessas situações e que é importante procurar um cirurgião com experiência em endometriose, pois a remoção incompleta pode causar problemas.

É importante ressaltar também que, os possíveis sintomas da endometriose não deve ser ignorados, sendo preciso procurar ajuda médica aos primeiros sinais. Ao contrário do que diz a crença popular, sentir cólicas fortes durante o período menstrual não é normal. Cólicas não relacionadas à endometriose costumam ser de leve ou média intensidade e tendem a diminuir com o passar do tempo.

A endometriose tem sintomas genéricos e pode ser confundida com diversas outras enfermidade, motivo pelo qual as portadoras costumam levar 10 anos para saber que têm a doença. Portanto, é essencial ficar atento aos indícios da doença.

Diagnóstico e tratamento

Após ouvir a história clínica da paciente, o médico tem à sua disposição a ressonância magnética (única indicada a meninas virgens) e a ultrassonografia transvaginal ? ambas com preparo especializado. Esses recursos, entretanto, nem sempre conseguem identificar lesões inferiores a 1 centímetro. Os focos pequenos podem ser vistos por meio da laparoscopia, mas, como se trata de um procedimento cirúrgico, ela hoje é muito mais usada no tratamento do que no diagnóstico.

Uma vez que os indícios apontem para a doença, o tratamento pode ser iniciado com contraceptivos hormonais de uso contínuo, capazes de bloquear o fluxo menstrual e, consequentemente, minimizar as dores típicas do período. Para as mulheres que não responderem bem ao medicamento, é recomendada a cirurgia videolaparoscópica ou a cirurgia robótica.

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Outro aspecto fundamental na escolha da abordagem terapêutica é entender se que a mulher possui vontade de engravidar. Se a mulher decidir ter filhos, ela precisará ser submetida à videolaparoscopia ou a técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro - especialmente indicada quando as lesões de endometriose não são muito extensas e não há queixas de dores.

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