O que fazer quando uma pessoa tem anafilaxia?

Especialista ensina os primeiros socorros nesses casos delicados

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 21/05/2018

Dra. Rosane Bleivas Bergwerk
Alergia e Imunologia - CRM 69705/SP
especialista minha vida

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade que pode ser generalizada (envolvendo vários sistemas do corpo) ou apenas alguns sistemas. Ela é desencadeada por um alérgeno que ocorre de forma rápida e progressiva e que pode ser potencialmente grave com comprometimento de vários sistemas do organismo, podendo caminhar para uma situação fatal.

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O que fazer quando alguém próximo tem anafilaxia?

Quando ocorre a primeira reação anafilática do paciente, realmente é muito difícil a orientação de quem está próximo, pois nem mesmo o paciente entende o que está acontecendo, então nesse caso o ideal é encaminhar a pessoa o mais rápido possível ao pronto-socorro.

Em uma situação em que o paciente já passou por isso alguma vez, o mesmo pode dizer que trata-se de anafilaxia e, se for bem orientado, a medicação de escolha para sair desse quadro é a adrenalina.

Inicialmente, o paciente deve ser posicionado de forma adequada e colocado em decúbito dorsal (ou seja, com a barriga para cima) com os membros inferiores erguidos. Quando o paciente é atendido em ambulatório ou pronto-socorro, a adrenalina é preparada por enfermeiros (no Brasil a adrenalina é comercializada em ampolas), mas para o paciente fazer isso sozinho é muito difícil.

Hoje em dia existe uma apresentação que é auto-injetável (caneta de adrenalina auto-injetável), a qual deve ser administrada na lateral da coxa com aplicação intramuscular aos primeiros sintomas de anafilaxia. Essa medicação provoca uma vasoconstrição, evitando a progressão da anafilaxia prevenindo o edema (inchaço) de laringe, hipotensão e choque, ou seja, dessa maneira evita-se o óbito. Infelizmente essa medicação não é disponível no Brasil e os pacientes devem comprá-la de empresas que importam essas medicações.

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A utilização no momento da anafilaxia de anti-histaminicos orais e corticoesteroides orais pode ajudar, mas não são consideradas medicações de primeira linha para tratar a anafilaxia e não são capazes de tirar o paciente de um quadro dramático.

O que o paciente deve fazer após uma reação anafilática?

Após aplicar a adrenalina auto-injetável, o paciente deve ser sempre encaminhado a um serviço de emergência mais próximo. Lá serão checados os seus sinais vitais, as suas vias aéreas deverão estar abertas e pode haver a necessidade de receber oxigênio e broncodilatadores. Talvez seja necessário medicações mais complexas além da adrenalina.

Uma vez que o paciente já esteja em casa, deve procurar um alergologista para que possa indicar onde fazer a compra da adrenalina. O alergista deve ensinar a aplicar a adrenalina. O paciente deve ser portador de um cartão comunicando ao que é alérgico e com telefones de contato. O alergista deve pesquisar as causas da anafilaxia e ensinar o paciente a reconhecer os sintomas.

Alérgenos mais comuns envolvidos na anafilaxia

  • Alimentos: Os alimentos são os principais desencadeantes em crianças, adolescentes e adultos jovens. Os principais envolvidos são: leite, ovo, trigo, amendoim, camarão, frutos do mar, nozes e sementes
  • Medicamentos: antibióticos como penicilina, sulfa e antiinflamatórios não esteroidais como aspirina e dipirona. Nos pacientes internados os principais desencadeante são medicamentos, contrastes radiológicos e látex da borracha
  • Venenos de insetos: acontecem especialmente em adultos e idosos e são causados por abelhas, vespas e formigas
  • Látex
  • Agentes físicos como o frio e exercício (pode ter relação com a ingestão de alimentos e medicamentos).

Em 20% dos casos podem ocorrer na anafilaxia reações bifásicas, após a melhora dos sintomas iniciais (8 a 10 horas) há uma segunda reação com manifestações mais intensas, refratárias a tratamento. Por esse motivo, mesmo após a melhora do paciente, é indicado um período de observação hospitalar.

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Sintomas da anafilaxia

A anafilaxia pode ocorrer por mecanismos imunológicos (alérgicos-IgE mediada e não IgE mediada) e por mecanismos não imunológicos(não alérgicos). Os mastócitos e basófilos são as células centrais desses processo. Veja os sistemas mais afetados e seus sintomas:

Pele: 90% dos pacientes com anafilaxia apresentam sintomas na pele. Pode ocorrer coceira intensa em pés e mãos e couro cabeludo, rubor, rash e ereção pilar. Quadros de palidez, sudorese, cianose labial e de extremidades podem acontecer.

Há quadros de urticária, que é conhecida popularmente como a presença de vergões, é na realidade uma lesão elevada, que forma placas no corpo, com muita coceira e de cor avermelhada, que muda de local a cada tempo. Pode ocorrer a presença de angioedema que é um inchaço localizado em alguns locais do corpo como: lábios, pálpebras, orelhas, genitais, glote (parte interna da garganta), mais pode se espalhar para o corpo todo. Nem toda urticária e angioedema são provocados por anafilaxia;

Aparelho respiratório: 40 a 70% das pessoas que apresentam anafilaxia tem comprometimento do aparelho respiratório. A reação inicia-se pelo nariz com espirros, coceira, entupimento nasal, vermelhidão e coceira nos olhos, lacrimejamento, tosse seca, falta de ar, chiado no peito, aperto no peito, rouquidão, falha da voz e sensação de sufocamento na garganta. Esse comprometimento pode ocluir as vias aéreas e levar ao óbito.

Aparelho gastrointestinal: 30% dos pacientes com anafilaxia apresentam comprometimento do aparelho gastrointestinal com sintomas de náuseas, cólica, diarreia e vômitos.

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Aparelho cardiovascular: 10% dos pacientes com anafilaxia apresentam comprometimento circulatório, podendo apresentar arritmia, taquicardia, sensação de fraqueza, palidez e queda da pressão arterial.

Aparelho neurológico: O comprometimento do aparelho neurológico caracteriza-se pela perda de consciência, desmaios, liberação de esfíncteres (perda de fezes e urinas), alterações visuais e convulsão.

Na anafilaxia pode haver o envolvimento de todos esses sistemas simultaneamente e rapidamente. O conceito de choque anafilático é diferente, envolve o comprometimento da circulação aonde acontece a queda da pressão arterial, e o sangue não chega até os órgãos periféricos, há alteração da microcirculação. O choque anafilático é o tipo mais grave de anafilaxia que pode levar ao óbito, caso não seja tratado.

Fatores de risco para a anafilaxia fatal

Algumas condições favorecem uma piora da reação anafilática e pedem urgência no socorro, como:

  • Gravidez
  • Extremos de idade
  • Asma e doenças respiratórias crônicas
  • Atopia
  • Doenças cardiovasculares
  • Mastocitóse
  • Uso de beta-bloqueadores e de inibidores da enzima de conversão da angiotensina.
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