Tireoidectomia: quando é indicada e possíveis complicações

Procedimento consiste na retirada cirúrgica da glândula da tireoide. Veja os riscos e os benefícios de fazer a tireoidectomia.

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 04/07/2018

Dr. Marcus Borba
Cirurgia de Cabeça e Pescoço - CRM 13236/BA
especialista minha vida

A tireoidectomia é uma intervenção cirúrgica que consiste na retirada da tireoide. Esse procedimento ainda desperta apreensão entre pacientes devido aos riscos dessa cirurgia. No entanto, costumo falar para meus pacientes e seus familiares que o conhecimento ajuda muito a tomarmos juntos esta decisão.

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A cirurgia da tireoide é um método seguro, com baixa incidência de complicações, mas que, quando ocorrem, podem ser inquietantes, merecendo explicação detalhada antes da intervenção.

Quando um médico indica a cirurgia, o paciente pode avaliar junto com ele os riscos e os benefícios do procedimento. Se indicada indicada, os benefícios superam em muito os riscos. Há duas formas de tireoidectomia: a parcial, que retira metade da glândula, e a total.

Uma dúvida comum dos pacientes é se é possível ter qualidade de vida sem a tireoide. A resposta é sim. A falta da glândula implicará na necessidade de tomar um comprimido diariamente, em jejum, com a dosagem recomendada do hormônio tireoidiano durante toda a vida.

Indicações

As principais indicações para cada uma dessas intervenções são: o câncer de tireoide, a suspeita de câncer, o bócio volumoso e o hipertireoidismo não resolvido com outras condutas.

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No primeiro caso, quando após uma biópsia é detectado o câncer, a cirurgia é o único tratamento capaz de levar à cura. Após isso, podem ser feitos tratamentos complementares como a iodoterapia.

É importante considerar que, em alguns casos, o ultrassom e a punção não conseguem deixar claro se o nódulo na tireoide é benigno ou maligno. Em casos como esse, a tireoidectomia é indicada para se ter uma confirmação do diagnóstico.

Embora o "papo" volumoso seja uma doença benigna, a cirurgia de retirada da tireoide trata os sintomas que são muito incômodos, como entalo, engasgos, dificuldade para engolir ou dificuldade para respirar.

Outra indicação da tireoidectomia é o hipertireoidismo, tratado inicialmente com medicamentos que inibem a função da tireoide e depois por meio da iodoterapia. Uma vez que os tratamentos não obtenham resultado, a retirada da tireoide pode ser indicada.

Riscos da tireoidectomia

Os riscos da tireoidectomia são variáveis como em qualquer cirurgia. As chances de complicação dependem do quadro clínico do paciente e do tipo de intervenção. Por exemplo, quanto mais velho for o paciente e quanto mais doenças associadas ele tem, como diabetes e hipertensão, o risco de qualquer procedimento aumenta.

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Além disso, a depender da complexidade da cirurgia, há mais riscos, a exemplo de um bócio intratorácico ou um câncer de tireoide que esteja avançando na traqueia. São casos em que há maior possibilidade de algum problema pós-operatório.

Complicações

As complicações cirúrgicas decorrentes da tireoidectomia são muito raras. Em geral, os pacientes apresentam uma recuperação muito boa após o procedimento, e a alta hospitalar pode ser dada até mesmo no dia seguinte.

A complicação mais comum da tireoidectomia é o hipoparatireoidismo. O ser humano conta com quatro glândulas paratireóides responsáveis pela produção do paratormônio que controla os níveis de cálcio no sangue. Na tireoidectomia elas devem ser preservadas para evitar o hipoparatireoidismo e a consequentemente hipocalcemia, queda dos níveis de cálcio no sangue que provoca sintomas como câimbras, dormências, formigamentos, agitação, contrações involuntárias e desmaios. Esses sintomas aparecem nos primeiros dias após a tireoidectomia.

Entre as complicações, pode existir sangramento, embora a probabilidade seja baixa, há riscos que ocorra em pacientes hipertensos ou que usam remédios anti-agregantes plaquetários. Quando um sangramento ocorre, o curativo fica encharcado de sangue e há um inchaço significativo do pescoço, que pode inclusive levar à falta de ar. Em geral, essa complicação aparece nas primeiras seis horas após a cirurgia e deve ter intervenção imediata da equipe de enfermagem e plantonistas, que devem chamar o cirurgião.

De cada lado da tireóide passam dois nervos muito importantes para a fala ? o nervo laríngeo recorrente e o nervo laríngeo superior. Na maioria dos casos, quando é feita uma tireoidectomia, esses nervos são preservados, mas muito raramente pode haver a necessidade de que sejam retirados no caso da invasão pelo câncer.

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Em decorrência da manipulação cirúrgica para soltar a tireoide, os nervos podem não funcionar nos primeiros dias pós-operatórios, mesmo adequadamente preservados, causando alteração na voz e rouquidão transitória. No caso da tireoidectomia total, pode acontecer a paralisia bilateral de prega vocal. O risco é muito baixo, mas existe a possibilidade extremamente rara dos dois nervos laríngeos recorrentes ficarem sem funcionar logo após a retirada do tubo orotraqueal a anestesia geral. Nessa situação, pode ser necessária uma traqueostomia de urgência.

Algumas complicações clínicas também podem ocorrer após a cirurgia da tireoide. Por isso, é fundamental que o cirurgião faça a avaliação pré-operatória. A maioria das complicações clínicas pós-operatórias tem relação com doenças que o paciente já apresentava.

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