Frio aumenta chances de ter um infarto? Especialista explica

Quem tem alguma doença cardiológica precisa redobrar os cuidados no inverno

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 04/07/2018

Dr. Paulo Chaccur
Cardiologia - CRM 22868/SP
especialista minha vida

Sim, é verdade! A chegada do inverno, período em que de maneira geral as temperaturas são mais baixas, traz um alerta importante: o aumento do risco de você ter um problema cardíaco, como um infarto, angina ou insuficiência cardíaca. Isso pode acontecer por diferentes fatores e aspectos de risco.

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O primeiro deles é em decorrência de uma sobrecarga no coração. Para manter o corpo aquecido, o coração passa a "trabalhar" mais, há uma necessidade de acelerar o metabolismo. Se você já tem o coração debilitado, a exigência de um "trabalho extra" pode desencadear ou agravar um problema.

Essa aceleração do metabolismo para evitar a perda de calor e proteger o funcionamento de órgãos vitais faz com que as paredes dos vasos sanguíneos que irrigam o corpo se contraiam e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue.

Para que você entenda melhor, vamos usar a mão como exemplo: quando uma pessoa fica exposta ao frio intenso, e ela não está devidamente agasalhada, vai começar a ficar com mão gelada. Isso acontece por uma alteração no processo de irrigação do sangue. A artéria que faz a irrigação reduz seu tamanho (calibre) e diminuiu o fluxo sanguíneo. Esse mecanismo de reação é chamado de vasoconstrição à temperatura.

Tanto como acontece na mão, pode acontecer com as artérias do coração, que irrigam o músculo do coração. Essa diminuição da irrigação do músculo cardíaco, da oferta de oxigênio, pode desencadear um processo de dor no peito (a chamada angina), um possível indício de isquemia cardíaca ou então do próprio infarto.

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Além disso, como sentem menos sede no frio, de modo geral, as pessoas acabam ingerindo menos líquido e consequentemente desidratam. Sangue mais denso e viscoso coagula com mais facilidade, o que também colabora para o aumento da pressão sanguínea.

Outro fator é que as baixas temperaturas aumentam a pressão sanguínea sobre a parede dos vasos que já estão com o calibre reduzido, além de sobrecarregar o coração, facilita o desprendimento de placas de gordura localizadas no interior das artérias, que podem bloquear o fluxo do sangue para o coração e para o cérebro.

Você pode pensar: "Mas isso só deve acontecer em baixíssimas temperaturas, em países em que o inverno é muito mais rigoroso, com temperaturas abaixo de zero". Aí está o engano. Temperaturas abaixo de 15 graus já são de alto risco.

A queda brusca da temperatura ou a mudança de um ambiente aquecido para um muito frio também podem ser perigosos. Ou seja, o choque térmico é outro fator entre os aspectos de risco que pode ser o estopim para desencadear algum evento cardíaco.

Doenças de inverno também aumentam os riscos

O inverno no Brasil não significa só frio, mas também tempo seco, aumento de poluição, maior incidência de doenças respiratórias e gripe, com o consequente aumento do risco cardiovascular.

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Isso porque a infecção pelo vírus da gripe pode alterar a frequência cardíaca, sobrecarregando o bombeamento de sangue pelo coração. Há risco, ainda, de a pessoa gripada contrair pneumonia, quadro capaz de gerar maior complicação em quem já tem um problema no coração.

Assim que o organismo detecta a presença de agentes infecciosos causados pela a gripe ou pneumonia, ele produz substâncias para tentar reagir. A questão é que estas substâncias são inflamatórias e nocivas ao sistema cardiovascular. Elas acabam na corrente sanguínea e, se o paciente já tiver alguma vulnerabilidade cardíaca, este processo é mais rápido e mais grave, podendo culminar no infarto ou no AVC (acidente vascular cerebral).

Por essa razão, as campanhas de vacinação contra a gripe têm como alvo, não só evitar infecções respiratórias, mas também proteger pessoas, principalmente os idosos, de eventos cardiovasculares. Daí a extrema importância em se vacinar!

Os problemas cardíacos podem ser impulsionados no frio em qualquer um, mas claro que a possibilidade é muito maior em pessoas que já apresentam fatores de risco, entre eles idosos, hipertensos, diabéticos, sedentários, fumantes, obesos ou aqueles que têm doenças metabólicas, como colesterol alto, ou ainda em pessoas que têm a doença coronária e desconhecem.

Quem faz parte desse grupo precisa redobrar os cuidados no inverno! No entanto, é importante para a população de modo geral evitar a exposição prolongada ao frio intenso e estar sempre preparado para quedas bruscas e variações de temperatura.

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