Por que os cabelos caem durante a quimioterapia?

Alguns dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer causam queda de cabelos. Veja técnicas para prevenir ou reduzir a perda dos fios

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 04/07/2018

Dr. Felipe Ades
Oncologia - CRM 168018/SP
especialista minha vida

Quimioterapia é o nome que se dá a um grupo de medicamentos utilizados no tratamento do câncer. Existe um grande número destes, que são bastante diferentes entre si. Cada um é utilizado para uma doença específica. Eles agem em diferentes locais das células cancerígenas e têm também efeitos colaterais diversos.

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No entanto, existe um mecanismo de ação em comum a todas as drogas conhecidas com quimioterapia. A medicação age atacando as células que crescem e se multiplicam mais rapidamente, já que sua reprodução e multiplicação é ainda mais rápida em comparação às células normais do corpo, já que elas são mais afetadas pelos medicamentos.

Contudo existem células normais do corpo que também se reproduzem rápido, e estas células são igualmente afetadas pela quimioterapia. Logo, efeitos colaterais nestas células também são esperados durante o tratamento.

Um dos reflexos mais marcantes da quimioterapia é a queda de cabelos. Como os fios estão em constante crescimento, o tratamento pode afetar sua raiz, causando a queda. Este é um efeito que ocorre durante a quimioterapia vermelha, com a utilização de medicamentos como as antraciclinas, conhecidas como doxorrubicina e epirrubicina, os alquilantes, como a ciclofosfamida e os inibidores de topoisomerase, como o irinotecan.

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Outros medicamentos, como os taxanes, conhecidos como quimioterapia branca (docetaxel e paclitaxel), afetam a estrutura do fio de cabelo, tornando-os mais quebradiços e também causando sua queda. Por vezes, quando o processo é mais intenso, ou a pessoa mais sensível, pode haver queda de pelos corporais, e até mesmo cílios e sobrancelhas.

No entanto, não são todas as drogas dessa classe que fazem os cabelos caírem. Existem aqueles considerados quimioterapia que causam pouca ou nenhuma queda de cabelo. São alguns exemplos a cisplatina, a fluorouracila (5FU), a capecitabina e a vinorelbina. Isto é uma regra geral, mas é importante notar que pode haver queda dos fios com qualquer medicamento dependendo da dose utilizada e da sensibilidade individual de cada pessoa.

Outros tratamentos para o câncer também provocam queda dos cabelos?

A radioterapia na região da cabeça é outro tratamento que causa queda dos fios. Em geral eles caem de maneira gradual, iniciando a partir do décimo dia após a quimioterapia. Em alguns casos a perda pode ser mais lenta, e por vezes nem todo o cabelo cai. Após duas semanas a um mês do fim do tratamento o cabelo volta a crescer normalmente na maioria das pessoas.

Há ainda os medicamentos que podem ocasionar na alteração da cor dos cabelos, tornando-os mais claros. Isto ocorre com drogas que interferem no estímulo de crescimento das células e dos vasos sanguíneos como o sunitinib e outros medicamentos que inibem os receptores de crescimento derivado do epitélio (EGFR).

Hoje existem técnicas que podem prevenir ou reduzir a perda dos fios durante o tratamento, em particular o uso de toucas geladas, conhecida tecnicamente como criopreservação do cabelo. O mecanismo dessa proteção seria relacionado ao frio como causa de contração dos vasos sanguíneos do couro cabeludo. Com isso menos medicamentos passam pela raiz, diminuindo a perda de cabelos. Este método é bastante eficaz quando se usa medicamentos que evitam a queda de cabelo. Porém quando é necessário um tratamento mais intenso, pode não ser tão útil.

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Alternativas interessantes são o uso de lenços, chapéus e perucas. Existem várias páginas, grupos de apoio e organizações não governamentais (ONGs) que podem ajudar pessoas que estão passando por um tratamento contra o câncer.

Apesar de ser algo temporário, perder os cabelos pode ser uma experiência bastante traumática e complicada. Neste período é fundamental contar com o apoio de amigos e familiares, assim como da equipe médica. Conhecer os detalhes do seu tratamento, os efeitos colaterais e estar amparado pela família, amigos e equipe é sempre a melhor maneira de passar por este momento.

Referências:
*Felipe Ades, oncologista do Grupo Oncoclínicas

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