Compulsão sexual inibe a busca tratamento

Os homens são maiores vítimas do mal, que acomete o galã David Duchovny

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 12/09/2008

Imagine que você é um cara boa pinta e faz sucesso no mundo todo ao interpretar um personagem fanático por sexo. Com as mulheres caindo aos seus pés, as noites de farra repetem-se na rotina. Difícil ver um problema aí? Pois o ator David Duchovny, que é protagonista do seriado Californication e ficou famoso no elenco de Arquivo X, acaba de mostrar ao mundo que a festa pode não ser assim tão agradável: ele assumiu ser vítima de compulsão sexual.

Casado há dez anos e com dois filhos, David Duchovny buscou uma clínica para viciados em sexo para se internar (uma atitude que parece bem distante do comportamento adotado por seu personagem atual, um garanhão convicto). Para ser considerado um transtorno mental, o sexólatra precisa apresentar sintomas como o sofrimento mental, além de identificar perdas financeiras e nas relações familiares, ambas relacionadas ao vício , afirma a psicóloga Elenice Castelli, especialista em saúde sexual da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Na prática, os especialistas identificam que há um problema que demanda tratamento quando o paciente transforma o sexo como recompensa para suas atividades do dia-a-dia. Ele permanece insaciável e precisa do prazer sexual impulsivamente, sem se preocupar com as conseqüências éticas, morais e legais do seu desejo , afirma a psicóloga. O mal encaixa-se na lista dos Transtornos Obsessivos Compulsivos, segundo o entendimento mais recente dos pesquisadores.

E não pense que só os adultos são as vítimas. Segundo a especialista, a partir dos três anos de idade, já é possível encontrar casos de compulsão. Isso acontece nas crianças que se masturbam demais, causando constrangimento aos pais. Nos casos infantis, entretanto, o diagnóstico é mais complicado, afinal a criança ainda não tem noção das atitudes que podem ou não ser realizadas publicamente. Ao sinal de qualquer desconfiança, a melhor saída é procurar aconselhamento psicológico com um profissional voltado ao trabalho com crianças.

Entre os adultos, por sua vez, os homens destacam-se como as maiores vítimas da compulsão por sexo. Pesquisas feitas com base em tomografias computadorizadas do cérebro masculino e feminino indicam que a atividade sexual entre os homens é mais intensa, portanto a incidência de distúrbios nessa área tende a ser maior entre eles do que entre as mulheres , afirma a psicóloga.

Mas a virilidade masculina costuma mascarar o problema, constrangendo muitos homens que até desejariam se livrar do problema. Quando o sexo começa a trazer prejuízos para sua qualidade de vida, é sinal de que algo anda mal. Vale ressaltar também que o paciente compulsivo costuma dar várias explicações para seu comportamento assanhado, principalmente numa cultura, como a nossa, que glorifica a performance sexual do homem .

O tratamento combina a prescrição de medicamentos (geralmente, para diminuir a ansiedade) e terapia, necessitando do acompanhamento conjunto de psiquiatra e psicólogo. E adiar a busca de ajuda só tende a piorar a situação: de acordo com Elenice Castelli, existe uma correlação alta entre comportamento sexual compulsivo e parafilias, ou seja, fantasias sexualmente excitantes, com desejos fortes ou ainda comportamento sexual patológico, envolvendo crianças (pedofilia), animais (zoofilia) cadáveres (necrofilia) e fezes (coprofilia).Em geral os transtornos obsessivos compulsivos alcançam a cura com o tratamento adequado.



Relações de risco
Os especialistas notam uma alta correlação entre comportamento sexual compulsivo, o uso abusivo de drogas e doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS. A infecção pelo vírus HIV tem avançado no Brasil, do litoral para o interior, com destaque para a infecção de mulheres, crianças, adolescentes e idosos, 12% dos pacientes afetados no País têm mais de 60 anos , afirma a psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde. Hoje em dia, há uma mulher soropositiva para cada dois homens na mesma condição. Há 25 anos, essa relação era de duas mulheres para cada 20 anos, como apontam estudos apresentados em Congressos Internacionais sobre a doença.

Vícios em cadeia
O comportamento sexual compulsivo pode se associar a outros transtornos psiquiátricos, como a compulsão alimentar e o uso e abuso de substâncias psicoativas, a cocaína, principalmente. A compensação surge como mecanismo de defesa, diante do fracasso em resistir a um impulso ou tentação. O paciente acaba agindo por impulso e toma atitudes que podem causar prejuízo a ele mesmo ou a outras pessoas , afirma a psicóloga. A seguir, ela identifica a incidência da compulsão sexual associada a outros vícios.

Dos pacientes sexólatras...

42% também sofrem com dependência química
38% também sofrem com transtornos alimentares
28% são trabalhadores compulsivos (Workholics)
26% são gastadores compulsivos
5% são jogadores compulsivos

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