Acordar tarde afeta o metabolismo? Entenda

Estudos indicam que pessoas que dormem até mais tarde podem estar mais propensas a ganhar peso e desenvolver outras doenças; saiba como prevenir esses riscos

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 11/03/2019

Dra. Andressa Heimbecher Soares
Endocrinologia e Metabologia - CRM 123579/SP
especialista minha vida

Cada pessoa tem seu ritmo de sono. Enquanto uns gostam de acordar bem cedinho, outros preferem dormir até mais tarde. Esse padrão de comportamento individual com relação ao sono é o que chamamos de cronotipo.

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Nos últimos anos pesquisas têm sido desenvolvidas com a ideia de que o padrão do nosso sono pode afetar o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas como diabetes tipo 2 e obesidade, ou ainda contribuir para a perda de massa muscular.

Os pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, estudaram adolescentes e adultos que iam para a cama mais tarde e, consequentemente, também acordam mais tarde. Os resultados mostraram que comparados com os madrugadores, os corujinhas tinham maiores chances de ganho de peso.

As pesquisas convergem para o entendimento de que pessoas com o cronotipo vespertino - ou seja, que dormem até mais tarde - tem maiores chances de desenvolver diabetes tipo 2, por exemplo. Por outro lado, é como se os madrugadores tivessem o ciclo hormonal mais adaptado e de certa forma mais ajustado para responder às oscilações dos níveis de açúcar e do hormônio cortisol, que é o nosso hormônio do estresse.

Sabe-se, por exemplo, que o cortisol é liberado assim que despertamos, e que teoricamente se você acorda cedo, sua liberação de cortisol poderia ocorrer de forma mais harmônica ao longo do dia - e ajudaria a controlar os níveis de açúcar e regular o metabolismo mais facilmente.

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Já para quem acorda mais tarde, a liberação de cortisol ocorre no meio do dia, fazendo com que os níveis de cortisol permanecem elevados por períodos maiores. E justamente este desbalanço relativo na liberação do cortisol e outros hormônios, como a melatonina, poderiam explicar este risco mais elevado de doenças metabólicas.

Como reverter esse risco?

O primeiro passo é buscar dormir mais cedo, caso você seja um corujinha. Mas a qualidade do sono também é crucial. Evite cafeína, nicotina e álcool antes de deitar. Apesar de aparentemente a sensação de relaxamento surgir depois de fazer uso destas substâncias, sabemos que a qualidade do sono é melhor quando as evitamos.

Além disso, é importante estar atento aos alimentos consumidos, proteínas magras, legumes e verduras oferecem energia equilibrada e fornecem antioxidantes que lutam e protegem contra a fadiga.

Outro ponto é a prática de exercícios, isso porque eles liberam endorfinas, que melhoram as dores nas articulações e musculares. Sabe-se que os praticantes regulares de atividades físicas tem chances de sono de melhor qualidade.

E, para finalizar, evite televisão, vídeo game ou atividades estimulantes aproximadamente 2 horas antes de deitar - seu que é difícil - mas ao evitarmos exposição à luz artificial, estamos ajudando nosso cérebro a entrar no ritmo noturno de forma mais adequada.

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Referências

Lauren D. Asarnow, e colaboradores. Evidence for a Possible Link between Bedtime and Change in Body Mass Index. SLEEP, 2015; 38 (10): 1523 DOI: 10.5665/sleep.5038

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