Desvende 10 mitos e verdades sobre endometriose

Saiba se existe relação entre a infertilidade e endometriose, além de tirar outras dúvidas sobre a condição

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 11/03/2019

Dr. Marco Aurelio Pinho de Oliveira
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 52422-7/RJ
especialista minha vida

A endometriose é uma condição muito comum que afeta cerca de 6,5 milhões de mulheres no Brasil, porém ela ainda é relativamente pouco conhecida pela população. Por isso, muitas mulheres têm uma série de dúvidas sobre o assunto. Veja abaixo algumas questões verdadeiras e outras falsas feitas pelas pacientes com alguma frequência nos consultórios:

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1. A endometriose pode causar infertilidade

Verdade. Aproximadamente 60% das mulheres com endometriose apresentam infertilidade. A doença é também a principal responsável pelo problema no sexo feminino: cerca de 40% das mulheres inférteis, considerando todas as causas, têm endometriose.

2. A endometriose sempre causa dor

Mito. Algumas mulheres com endometriose não sentem dor e só são diagnosticadas com a doença quando têm dificuldade para engravidar. Além disso, estima-se que 10% das mulheres férteis tenham alguma lesão de endometriose pélvica, pequena ou superficial - classificadas como endometriose mínima ou leve -, sem apresentar nenhum sintoma.

3. A endometriose pode atrapalhar a vida sexual

Verdade. Muitas pacientes com endometriose se queixam de dores durante a relação, em geral na parte mais profunda da vagina. Isso ocorre porque os focos avançados da doença são mais frequentes no ligamento útero sacro, que fica atrás do útero, em contato com a parte superior da vagina. A intensidade da dor pode levar à interrupção da atividade sexual. Os incômodos são mais frequentes próximo ao período menstrual.

4. Portadoras de endometriose não podem engravidar

Mito. Estudos internacionais apontam que as chances de gravidez natural pós-cirurgia minimamente invasiva de endometriose, se realizada por profissional experiente, chegam a 50% nos casos de endometriose intestinal extensa, que demanda a retirada de parte do órgão. A cirurgia tradicional, de barriga aberta, apresenta resultados piores, provavelmente em função do maior grau de aderências gerado pela operação.

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Caso não tenham sucesso ou optem por não engravidar naturalmente, as mulheres também podem se submeter à inseminação artificial ou pela fertilização in vitro (FIV), na qual o óvulo fecundado em laboratório e reinserido na cavidade uterina. A FIV é especialmente indicada em casos mais avançados, quando há comprometimento das tubas uterinas, mas também pode ser feita por pacientes com quadros de endometriose menos graves.

5. A endometriose pode levar à depressão

Verdade. Além do sofrimento físico decorrente das dores, a endometriose muitas vezes acarreta limitações significativas no dia a dia da mulher. Entre elas o afastamento do trabalho, lazer e dos estudos. Outras situações que contribuem para a instalação de quadros de ansiedade e depressão são o descaso por parte de pessoas próximas, que tendem a achar que as queixas não passam de "fraqueza" ou "frescura", e a dificuldade de engravidar e de se relacionar sexualmente.

6. A única opção da mulher com endometriose é a cirurgia

Mito. O tratamento pode ser feito com contraceptivos hormonais de uso contínuo, capazes de bloquear o fluxo menstrual e, consequentemente, minimizar as dores típicas do período. Para aquelas que não responderem bem, a laparoscopia, procedimento minimamente invasivo, ou a cirurgia robótica.

Outro ponto importante a se considerado é a vontade de engravidar. A mulher que decidir ter filhos, evidentemente, não poderá fazer uso de anticoncepcionais. Dessa forma, ela precisará ser submetida à laparoscopia/cirurgia robótica ou a técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro - especialmente indicada quando não há queixas de dores e as lesões de endometriose não são muito extensas.

7. O meio ambiente pode contribuir para o desenvolvimento da endometriose

Verdade. Os agressores ambientais conhecidos como disruptores endócrinos são capazes de afetar a interação hormonal, o que deixa as mulheres mais suscetíveis à enfermidade. Essas substâncias, cuja presença no meio ambiente parece ter se intensificado nas últimas décadas, podem ser encontradas no ar, água e até mesmo em alimentos.

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Entre os agentes que mais preocupam estão a dioxina - liberada na incineração de lixo, resíduos industriais, fumaça de automóvel e até mesmo de cigarros - e o bisfenol A (BPA), facilmente expelido quando um dos tipos de plástico mais comuns, o policarbonato, é aquecido, seja no forno de micro-ondas ou até durante o transporte em dias quentes, devido às altas temperaturas. Em 2011, a Anvisa baniu o BPA em mamadeiras, mas o uso em outros utensílios ainda é permitido, portanto, antes de levar um recipiente ao micro-ondas, é necessário verificar se ele é certificado pelo Inmetro para este fim.

Também já foram relacionados com a endometriose os pesticidas, metais pesados, conservantes alimentícios e outros compostos. Cada um comporta-se de uma forma, mas todos prejudicam o sistema imunológico do trato reprodutivo, aumentando a sensibilidade às inflamações inerentes à doença.

8. A extração do útero e dos ovários elimina as dores da endometriose

Mito. A retirada dos órgãos - apesar de interromper a menstruação e reduzir a possibilidade de novos focos - não elimina os focos estabelecidos em outras regiões. Além disso, a cirurgia pode criar aderências ou estimular nervos que causam dor, bem como causar déficits hormonais que têm o potencial de levar a uma série de problemas como doenças cardiovasculares e osteoporose.

9. A endometriose tem aspectos hereditários

Verdade. As chances de filhas de mães com endometriose avançada desenvolverem a forma grave da enfermidade é seis vezes maior que a de filhas de mulheres que não têm endometriose. Vários estudos tentam descobrir as características dos genes responsáveis pelo aumento da probabilidade, mas até o momento não há testes genéticos em uso que possam ajudar a identificar a propensão à doença. Informar na consulta médica o histórico familiar contribui bastante para o diagnóstico.

10. A endometriose só afeta o sistema reprodutivo

Mito. A endometriose fora do sistema reprodutivo é menos frequente, mas pode ser extremamente perigosa quando detectada tardiamente. Se houver envolvimento extenso no intestino ou na bexiga, por exemplo, é necessário submeter a paciente à cirurgia imediatamente. No primeiro caso, existe chance de obstrução intestinal. No segundo, especialmente se os focos estiverem próximos aos óstios ureterais, há risco de dilatação dos rins. Os rins que se dilatam por muito tempo perdem a função, ou seja, a mulher pode ser obrigada a fazer diálise ou um transplante.

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A doença também pode atingir terminações nervosas e causar sintomas típicos de problemas ortopédicos. Quando o nervo frênico é acometido, é possível haver dores no ombro direito e na área do pescoço. A endometriose no nervo ciático, por sua vez, é capaz de causar dores na região lombar, no músculo posterior da coxa e algumas vezes irradiar por toda a perna. Em ocasiões mais raras, focos crescem em órgãos ainda mais afastados da pelve, como o pulmão.

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