Endometriose na adolescência: como diagnosticar e tratamento

Comum em mulheres adultas, a doença que afeta o útero atinge aproximadamente 15% das adolescentes; especialista explica os sintomas e como tratar

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 04/10/2019

Dr. Marco Aurelio Pinho de Oliveira
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 52422-7/RJ
especialista minha vida

Estima-se que, aproximadamente, 15% das adolescentes têm endometriose, segundo estudos internacionais. A prevalência da doença cresce de acordo com o avançar da idade. No entanto, em casos menos frequentes, devido a malformações uterinas que obstruem o fluxo do sangue para fora do organismo, a enfermidade pode surgir até mesmo em mulheres que nunca menstruaram.

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Embora a maioria dos casos seja leve, os registros de endometriose profunda em adolescentes têm crescido. Uma das hipóteses tem a ver com os poluentes ambientais.

Filhas de mulheres com endometriose têm mais chance de ter a doença, portanto precisam de atenção redobrada.

Saiba mais: Endometriose - conheça os fatores de risco para a doença

Sintomas de endometriose na adolescência

O principal sinal da endometriose em adolescentes é a cólica menstrual, que costuma ser mais frequente e geralmente muito intensa: 70% das adolescentes com dores resistentes a analgésicos comuns apresentam o diagnóstico da doença, confirmado pelo exame de laparoscopia.

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Dores fora do ciclo menstrual também podem ocorrer. Já o incômodo durante as relações sexuais e a infertilidade, comuns em mulheres com um pouco mais de idade, são menos frequentes. Sobre a dificuldade de engravidar, é importante fazer a ressalva de que a maioria das jovens não tenta ter filhos nessa fase da vida - mas este também pode ser um sinal a se considerar.

Como diagnosticar endometriose

Apesar de a endometriose ser definitivamente confirmada apenas após biopsia na cirurgia, o médico pode ter um forte diagnóstico clínico a partir do relato da paciente e de um exame ginecológico cuidadoso.

Caso o profissional ache necessário, ele também pode recorrer a outros recursos, a exemplo de exames de imagem com preparo especializado, em particular a ressonância magnética.

A dosagem do marcador CA-125 no sangue durante o período menstrual é outro recurso, mas ele só ajuda se os níveis estiverem elevados. Valores normais, no entanto, não afastam a doença.

Descobrir a endometriose precocemente é fundamental para evitar o agravamento do quadro, não só no que diz respeito à intensidade das dores, como para não comprometer órgãos próximos aos focos da doença.

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Apesar disso, o tempo médio até a detecção pode chegar a 10 anos, não somente no Brasil, mas também no restante do mundo. Daí muitas adolescentes sofrerem com os sintomas sem saber que estão com a doença - que costuma ser tratada já na idade adulta.

Os sintomas, por serem comuns aos de outros problemas de saúde, contribuem para a demora do diagnóstico. Além disso, a cultura de que cólicas são normais e a não valorização das queixas apresentadas nos consultórios também atrapalham na descoberta precoce da doença.

Tratamento para endometriose

A conduta inicial em adolescentes, na maior parte das vezes, é a prescrição de pílula anticoncepcional de uso contínuo, para interromper a menstruação, e de analgésicos comuns.

Caso não sejam suficientes, são indicadas a videolaparoscopia ou a cirurgia robótica. Ambos os procedimentos são minimamente invasivos, bastante eficazes e seguros. A videolaparoscopia, muito usada para o diagnóstico, hoje é a mais usada no tratamento de endometriose.

Os exercícios físicos também ajudam a liberar substâncias que reduzem a dor, como a beta-endorfina. Praticá-los regularmente é extremamente benéfico para quem tem endometriose.

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Uma alimentação inadequada também pode estimular respostas inflamatórias no organismo e contribuir para o desenvolvimento e o agravamento da endometriose. Portanto, manter uma dieta equilibrada é fundamental e quanto mais cedo o hábito for iniciado, maiores serão os benefícios ao longo da vida.

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