Como reconhecer um alcoolista e ajudar a pessoa a se tratar

Alguns sintomas do alcoolismo auxiliam no reconhecimento na doença e facilitam a oferta de ajuda para um tratamento adequado

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 28/11/2019

Dr. Arthur Guerra de Andrade
Psiquiatria - CRM 33807/SP
especialista minha vida

O consumo de bebidas alcoólicas faz parte de muitas práticas culturais, religiosas e sociais, inclusive não causando problemas para a maioria dos consumidores. No entanto, uma parcela da população faz uso nocivo do álcool, podendo se envolver em situações graves e até mesmo chegar à dependência.

PUBLICIDADE

No caso específico do alcoolismo, é preciso esclarecer que se trata de uma doença crônica de origem multifatorial, que depende da quantidade e frequência do uso de álcool, da saúde e das condições psicossociais do indivíduo, além da herança genética. A pessoa que desenvolve dependência por álcool é alcoolista (ou alcoólatra, na expressão popular).

Como saber se uma pessoa é alcoolista

Mas, afinal, como reconhecer se alguém próximo está com problemas decorrentes do álcool? A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial de Saúde, aponta critérios diagnósticos para a dependência, que são sintomas indicativos que nos ajudam a reconhecer essa condição. São eles:

  • A pessoa tem um forte desejo de beber quase incontrolável
  • Ela não consegue diminuir nem parar o uso de álcool, apesar dos prejuízos
  • O consumo é priorizado em detrimento de outras atividades e relações
  • A pessoa precisa beber maiores quantidades para atingir os mesmos efeitos de antes (a chamada tolerância ao álcool)
  • Na falta de álcool no organismo, podem ocorrer sintomas físicos de abstinência, como sudorese, tremores de extremidades, aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial.

Ajudando um dependente de álcool

Se você conhece alguém que apresenta alguns destes sintomas, não se desespere. O alcoolismo é um problema de saúde que deve ser abordado com muito cuidado e empenho. Familiares e amigos são essenciais e muitas vezes o tratamento se inicia através deles.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DESSA PUBLICIDADE ;)

Converse sem julgar

A primeira maneira de ajudar é evitando rótulos e julgamentos. Portanto, ofereça escuta, informação e apoio necessário. Encontre o momento mais adequado para conversar, de preferência quando a pessoa estiver sóbria e em local com privacidade. É imprescindível fazer uma aproximação afetuosa e amiga, com respeito pela pessoa, sem acusá-la ou culpá-la por seu comportamento em relação à bebida.

Demonstre compreensão

Seja objetivo ao dizer que está preocupado com seus hábitos e que gostaria de auxiliá-la a procurar ajuda, dando exemplos de situações negativas que ocorreram com ela em função do uso do álcool. Procure ajudá-la a perceber que pode ter desenvolvido uma doença e que as pessoas não esperam que ela consiga parar de beber sozinha.

Mostre os pontos negativos do hábito

Durante as conversas, tente mostrar que há o lado prejudicial do consumo de álcool. Faça com que ela pese os motivos que teria para continuar e os motivos para interromper o uso, com o objetivo de reforçar o desejo de mudar que o dependente geralmente tem - mesmo que de forma inconsciente.

Encoraje o tratamento

Incentive, sempre, a busca por tratamento. Nesse sentido, é importante tentar encaminhar o dependente para um médico especialista o quanto antes. Somente ele poderá diagnosticar a doença e, caso positivo, iniciar o tratamento mais adequado.

Papel da família no tratamento contra alcoolismo

A família, em especial, é muito importante no tratamento contra o alcoolismo, principalmente porque o usuário de álcool costuma não aceitar o seu problema, não reconhece que o uso dessa substância lhe traz prejuízos ou está desmotivado para buscar ajuda.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DESSA PUBLICIDADE ;)

Nesse sentido, os familiares conseguem auxiliar o paciente na aderência, na permanência, na superação de dificuldades decorrentes do processo e no estabelecimento de um novo estilo de vida sem o álcool.

Muitas vezes, porém, a família pode adoecer junto com o alcoolista - no fenômeno chamado de codependência. Isso porque o familiar passa a se preocupar mais com o dependente do que consigo mesmo, sentindo-se dominado pelas suas necessidades e desejos. Nesses casos, abordagens psicoterápicas podem beneficiar o familiar, assim como grupos de ajuda mútua.

É preciso compreender que, mesmo com muito esforço e dedicação, a mudança será um processo difícil, demorado e permeado de dúvidas e recaídas. O caminho é cheio de obstáculos, mas a maioria se beneficia de alguma forma com o tratamento, e ter o apoio daqueles que o amam pode ser o ponto-chave para a recuperação.

Efeitos do abuso de bebidas alcoólicas

Mitos e verdades sobre o consumo de bebidas alcoólicas

Saiba como cada parte do seu corpo sofre com o excesso de álcool

Complicações do alcoolismo vão desde refluxo até tipos de câncer

Não deixe de consultar o seu médico. Encontre aqui médicos indicados por outras pessoas.