Doações de sangue no Brasil podem conter Zika: há perigo?

Estudo realizado em São Paulo aponta que os bancos de sangue no Brasil podem estar usando coletas contaminadas por Zika; entenda os riscos

POR TATIANE GONSALES - PUBLICADO EM 10/12/2019

Pesquisadores brasileiros estão chamando atenção para a possibilidade de uma nova forma de transmissão do Zika vírus, além da picada do mosquito Aedes aegypti infectado: a transfusão de sangue.

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Um estudo recente realizado pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, indicou que os bancos de sangue de todo o Brasil podem estar, desde 2016, coletando e utilizando regularmente o sangue de doadores que são portadores do vírus.

A estimativa levou em consideração dois pontos primordiais nesse cenário: primeiro, o fato de que a maioria dos pacientes com a doença não apresenta sintomas; e, segundo, que o teste para detecção do Zika na doação de sangue não é obrigatório no Brasil.

Transmissão do Zika vírus

O Zika (ZKV) é um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus infectados. Após picar alguém com a doença, os insetos podem transmitir o ZKV por toda vida a outros indivíduos saudáveis.

Em geral, os sintomas da doença incluem febre, dor nas articulações, dor muscular, manchas no corpo e conjuntivite. Porém, cerca de 80% dos portadores de Zika vírus não apresentam nenhum sinal da doença, de acordo com o Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças.

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O risco de transmissão e manifestação do Zika vírus através da doação de sangue é mínimo - Foto: Shutterstock
O risco de transmissão e manifestação do Zika vírus através da doação de sangue é mínimo

Devido à ausência de sintomas, em 2015, muitos nascimentos de bebês com microcefalia no Brasil foram ligados à transmissão do vírus por meio da gravidez. Isso porque as mães, muitas sem saber que estavam infectadas, passaram a doença aos seus fetos.

Assim, o Zika ganhou maior notoriedade e vigilância da população, sendo que, em 2019, quase 11 mil casos da doença foram registrados no país, segundo o Ministério da Saúde.

Além da transmissão por picada de mosquito e gravidez, a infecção do Zika vírus também pode acontecer por relação sexual, entre a pessoa contaminada e seus parceiros(as), e por transfusão de sangue.

Há riscos na transfusão de sangue?

Exigências para a coleta

Apesar do dado encontrado pelos pesquisadores brasileiros, é importante ressaltar que existe uma série de exigências sanitárias para a coleta de sangue no Brasil. Antes da doação, é obrigatório que os candidatos passem por uma triagem clínica, que consiste em uma entrevista individual e sigilosa sobre seus antecedentes e atual estado de saúde.

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Nesta etapa, é aplicado um questionário que, desde 2016, pergunta se o doador teve Zika vírus. Em caso de resposta positiva, a coleta é suspensa.

Contudo, como a maioria dos portadores da doença não apresentam sintomas, é provável que muitos candidatos assinalem que nunca tiveram o vírus.

Por determinação do Ministério da Saúde, uma amostra de todo sangue coletado deve ser testada antes da transfusão, a fim de rastrear algumas doenças, como: HIV, hepatites virais (do tipo B e C), sífilis e Doença de Chagas. Se alguma das enfermidades for detectada, o sangue é descartado e não ocorre a transfusão.

Falta de diagnóstico do Zika vírus

Por outro lado, como os doadores assintomáticos do Zika não identificam a doença e não há exame obrigatório para detecção do vírus no sangue coletado, é possível que ainda haja a transmissão do patógeno via transfusão.

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As análises feitas pelos pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto indicam que, entre os doadores de sangue, a presença do Zika vírus no sangue tem aumentado nos últimos anos, passando de 5,3% em 2015 para 13,2% em 2017.

Para Marianna Martins Lago, infectologista no Instituto Emílio Ribas, de São Paulo, "em momentos de maior circulação de Zika, é possível que algumas pessoas infectadas e assintomáticas (que são a maioria dos casos) doem sangue" e, assim, o vírus seja transmitido por via transfusional.

Perigos são mínimos

De acordo com a médica, são raríssimos os casos graves de Zika vírus. Isso porque grande parte das ocorrências são assintomáticas (sem manifestação da doença) ou oligossintomáticas (com poucos sintomas e não são incapacitantes). Isso quer dizer que os riscos relacionados ao uso de sangue infectado não são, necessariamente, relevantes.

A especialista alerta ainda que as incidências mais sérias de Zika vírus ocorrem, normalmente, em mulheres infectadas que estão em tentativa de engravidar ou que já estão gestantes.

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Nesse sentido, grávidas que apresentam Zika vírus podem ter filhos com microcefalia e Síndrome de Guillain-Barré, enfermidades que podem resultar em deformidades dos ossos, fraqueza, paralisias e deficiência dos músculos que controlam a respiração.

Precauções a serem tomadas

Pelos doadores de sangue

Para quem deseja doar sangue e não sabe se apresenta o Zika vírus (ou quer se prevenir da doença), há certas atitudes que podem ser tomadas, como:

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Pelos hemocentros e bancos de sangue

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No Brasil, o teste para detecção do Zika vírus em bancos de sangue não é obrigatório, não integrando o protocolo de rastreio de doenças para transfusão. Apesar disso, a infectologista Marianna Martins reforça alguns cuidados que podem ser realizados:

Razões para você se convencer a doar sangue

Apesar do cenário levantado pelos pesquisadores, os bancos de sangue, hemocentros e hospitais de todo o Brasil estão em constante campanha para doação de sangue, visto que a demanda por transfusão é grande e pode salvar vidas.

Para isso, confira 9 explicações científicas do porquê você deve doar sangue:

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1. Cada doação de sangue pode salvar até 4 vidas.

2. Não há como substituir o sangue: a doação é a única saída para salvar vidas.

3. Quando a pessoa apresenta qualquer sintoma de doenças, ela é impedida de doar sangue, a fim de preservar a integridade de quem receberá o sangue.

4. Em caso de doenças assintomáticas, a probabilidade delas serem repassadas ao paciente que recebeu a doação de sangue e se manifestarem é mínima.

5. O organismo do doador repõe rapidamente o sangue doado.

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6. Doar sangue não altera a densidade e características do sangue.

7. Todo o processo é individual e sigiloso.

8. Todas as etapas da doação de sangue são acompanhadas por profissionais especializados, que irão te orientar antes, durante e após a coleta.

9. Ajudar outras pessoas é fazer o bem a todos, até a si mesmo.

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