Iodoterapia: o que é, para que serve e cuidados

Saiba quando o tratamento é indicado e se ele causa efeitos colaterais, como queda de cabelo e aumento de peso

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 03/02/2020

Dra. Rosália Padovani
Endocrinologia e Metabologia - CRM 105552/SP
especialista minha vida

O iodo é um mineral utilizado pela tireoide para a produção dos hormônios tireoidianos (triiodotironina - T3 e tiroxina - T4), fundamentais para o funcionamento do organismo. Normalmente, ele é encontrado para consumo sob a forma de iodeto e está presente em alguns alimentos como algas, peixes, mexilhões, leite, ovos e camarões, além do sal de cozinha.

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A deficiência de iodo no organismo pode causar sérios problemas de saúde, que começam ainda na gestação, incluindo aborto, malformações fetais, parto prematuro, entre outros. Se a falta do nutriente ocorrer nas primeiras fases do desenvolvimento, a criança pode ter funções psicomotoras comprometidas e redução da capacidade de concentração e aprendizado. Já na vida adulta, causa o bócio (aumento do volume da tireoide).

Felizmente, desde que foi determinada a obrigatoriedade da adição de iodo no sal de cozinha, a incidência destas condições vem diminuindo drasticamente. Atualmente, algumas regiões do país apresentam até mesmo excesso de consumo de iodo, o que também pode causar problemas na tireoide, como as tireoidites auto-imunes, por exemplo.

Nesse sentido, o iodo pode ser utilizado no tratamento de diversos problemas na tireoide, como hipertireoidismo, algumas doenças nodulares e o câncer de tireoide. Especificamente no caso do carcinoma da tireoide, o método mais utilizado é a iodoterapia.

O que é iodoterapia

O objetivo da iodoterapia pode ser destruir as células cancerígenas que ainda restaram após a tireoidectomia (remanescentes tireoidianas) ou controlar possíveis focos metastáticos presentes, porém ainda desconhecidos.

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Para isso, é utilizado o radio isótopo 131 I (um dos produtos obtidos a partir dos reatores nucleares que utilizam urânio como combustível). Assim como o iodeto, ele também é captado pela glândula tireoidiana e pode ser utilizado na medicina para fins de diagnóstico e tratamento de alguns distúrbios da tireoide.

Como é o tratamento de iodoterapia?

O iodo radioativo é administrado via oral na forma líquida ou em cápsula e, no organismo, emite radiação gama, semelhante aos raios X, usada para diagnóstico (cintilografia); e radiação beta, usada para tratamento.

A dose de 131 I a ser administrada é variável e deve ser decidida pelo médico nuclear, que irá se basear na patologia, exames de imagem e de sangue do paciente. No tratamento de metástases de câncer de tireoide, porém, a dose de radiação costuma ser mais alta.

É importante saber que nem todo o iodo radioativo administrado é absorvido e captado pelo organismo - parte é excretada pelas fezes, urina e suor. Para estimular a sua eliminação e reduzir o tempo de exposição a valores mais altos de radiação, os pacientes são orientados a consumir bastante líquido durante a internação.

Preparo para iodoterapia

O preparo para a iodoterapia inclui a suspensão dos anti-tireoidianos (5 dias), nos casos de pacientes com hipertireoidismo por nódulo ou nódulos hiperfuncionates; ou suspensão do hormônio tireoidiano (30 dias) para casos de pacientes com câncer de tireoide.

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Outras recomendações dos médicos que devem ser seguidas no preparo para a iodoterapia são:

  • Seguir uma dieta pobre em iodo por um período de 15 a 21 dias, dependendo do serviço
  • Não realizar exames contrastados
  • Não usar esmalte ou base de unha, álcool iodado, mercúrio e produtos iodados
  • Não realizar tratamentos dentários
  • Não realizar exames ginecológicos (colposcopia).

O objetivo deste preparo é reduzir a taxa de iodo circulante no corpo antes da terapia com iodo radioativo, a fim de que o 131 I seja mais absorvido pelo organismo e, assim, o tratamento obtenha maior sucesso.

Iodoterapia e isolamento

O paciente que recebe o 131 I deve se manter em isolamento, mantendo-se afastado de outros adultos, crianças e mulheres grávidas, para evitar que estas pessoas se exponham desnecessariamente à radiação. Em alguns casos, quando a dose de iodo radioativo é mais alta, o paciente precisa ser internado para receber o tratamento no hospital.

Cuidados após a iodoterapia

Após a internação, o paciente deverá manter os cuidados de radioiodoproteção em casa por mais alguns dias. Neste caso, os pacientes devem seguir algumas orientações, como:

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  • Manter 2 metros de distância dos adultos
  • Não ter contato com crianças ou gestantes
  • Usar pratos, talheres e copos descartáveis
  • Dar a descarga várias vezes ao usar o banheiro
  • Homens devem urinar sentados
  • Lavar a roupa do paciente separadamente
  • Manter a escova de dentes separada e descartá-la após o período de eliminação do iodo
  • Consumir bastante líquido

Efeitos colaterais da iodoterapia

Em relação a possíveis reações do 131 I, os pacientes podem apresentar, a curto prazo, aumento da sensibilidade e inchaço do pescoço, além de náuseas e vômitos. A longo prazo, os pacientes podem ter alteração do paladar, boca seca e olhos secos.

Por alguns meses após o tratamento, os homens podem apresentar algumas alterações no espermograma, que tendem a voltar ao normal com o passar do tempo. Já as mulheres são aconselhadas a não engravidar por, pelo menos, 6 meses após o tratamento.

Na grande maioria das vezes, a iodoterapia é um tratamento que ocorre sem intercorrências e o resultado depende muito do paciente realizar o preparo adequadamente. Assim, se você é candidato a este tipo de tratamento, procure seguir corretamente as orientações do seu médico para que tudo ocorra da melhor maneira possível.

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