Tratamento de coronavírus: veja os medicamentos promissores

Saiba quais são os medicamentos que estão sendo estudados para tratar a COVID-19

POR LIDIA CAPITANI - PUBLICADO EM 27/03/2020

O surgimento do novo coronavírus (SARS-CoV-2) causou grande impacto na comunidade científica. Logo, os médicos e pesquisadores de saúde começaram uma corrida para identificar as características do vírus e desenvolver um tratamento efetivo contra os efeitos da COVID-19.

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Aliada à criação de uma vacina, a medicina batalha para descobrir qual é o melhor procedimento para acabar com a doença. Até o momento, estudos científicos têm apostado em medicamentos já existentes, que foram utilizados para combater outros vírus, como o da ebola, HIV e malária.

Segundo a infectologista Raquel Muarrek, as drogas terapêuticas estão sendo utilizadas em casos moderados e graves, sob contexto de pesquisa clínica, uma vez que ainda não há um protocolo de tratamento. A grande questão, nesse sentido, é que os estudos realizados até o momento possuem um número de participantes muito pequeno para afirmar a eficácia dos remédios.

Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um projeto chamado "Solidarity" (solidariedade, em inglês). Trata-se de um ensaio global com quatro medicamentos para tratar a COVID-19. Entenda como age cada um e quais são os efeitos colaterais.

Da triagem ao tratamento

A partir da análise dos sintomas, o paciente será classificado em caso leve, moderado ou severo. Dentro dessa triagem, a falta de ar, por exemplo, pode classificar um caso moderado, enquanto a síndrome respiratória aguda é considerada sintoma de um quadro severo.

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De início, Raquel Muarrek indica a utilização de Tamiflu para reduzir a proliferação do vírus no corpo. Se o paciente apresentar alteração de alguma função vital, de acordo com a médica, o próximo passo seria utilizar outra medicação das que estão sendo estudadas, como a Cloroquina, Hidroxicloroquina, Remdesivir e Kaletra.

Ao decidir pela utilização desses medicamentos, o médico precisa protocolar o tratamento na instituição em que trabalha ou no município, estado ou na instituição federal. Além disso, é preciso que a família do paciente assine um termo de consentimento, para que ela entenda como será feito o uso do medicamento - já que ainda se trata de uma pesquisa clínica.

Ainda não há um protocolo de qual medicação utilizar em casos de COVID-19 nem quais as doses mais indicadas. São estas questões que estão sendo estudadas pelos pesquisadores do mundo inteiro. Veja o que se sabe até o momento:

Cloroquina e hidroxicloroquina

A Hidroxicloroquina é uma variação da Cloroquina, antiviral que existe há 70 anos e que é prescrito para tratar malária. Ela costuma ser utilizada especialmente nos tratamentos contra doença reumatoide e autoimune.

A cloroquina, além de ter uma composição diferente, é restrita pelo governo, ao contrário da hidroxicloroquina, que pode ser comprada na farmácia. Esses dois antivirais já foram estudados para tratar outras doenças, como o HIV e Zika, por isso, estão sendo utilizados contra o SARS-CoV-2.

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Ainda não se sabe como eles atuam no organismo do paciente com coronavírus. No entanto, as próximas pesquisas vão determinar o perfil de segurança adequado, ou seja, a dose ideal e a interação medicamentosa.

No dia 26 de março, o Ministério da Saúde do Brasil aprovou o uso de cloroquina para casos graves de COVID-19. Entretanto, a Anvisa proibiu a compra do medicamento sem prescrição médica, a fim de evitar que a população se automedique e estoque o produto.

Efeitos colaterais

As maiores ressalvas em relação ao uso destes medicamentos são os possíveis efeitos colaterais causados. Tais medicações podem provocar alterações cardíacas, como arritmias, e também alterações visuais e auditivas.

O que dizem as pesquisas preliminares

Estudos clínicos e especialistas sugerem que a cloroquina reduz a replicação do vírus SARS-COV-2 no organismo. Uma pesquisa indicou que o medicamento foi utilizado em cerca de 100 pacientes na China, que apresentaram melhora mais rápida do quadro, além de melhora nas imagens pulmonares e diminuição da pneumonia.

Outro estudo conduzido na França trouxe resultados do uso de Hidroxicloroquina junto com o antibiótico azitromicina em pacientes com COVID-19. Com a combinação das duas drogas, os pacientes obtiveram melhora do quadro em 6 dias.

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Remdesivir

Remdesivir é um antiviral criado em 2017 para tratar o ebola e, atualmente, passa por testes clínicos contra o SARS-COV-2 em diversos locais do mundo, como China e Estados Unidos. Entretanto, trata-se de uma droga experimental, sem aprovação em nenhum país e que ainda não está disponível no Brasil.

Efeitos colaterais

De acordo com a infectologista Raquel Muarrek, o Redemsivir pode causar algumas reações adversas, como náuseas, vômitos e alterações de transaminases (acarretando em possíveis alterações hepáticas).

O que dizem as pesquisas

Em estudos in vitro, o Remdesivir comprovou-se efetivo no controle da infecção causada pelo SARS-CoV-2. Pesquisas desenvolvidas localmente em diversos países estão utilizando o medicamento, mas ainda são incipientes. São necessários dados de maior qualidade para avaliar sua ação.

Mesmo assim, especialistas sugerem que o medicamento pode ser utilizado no tratamento contra a COVID-19. Além disso, pacientes graves nos Estados Unidos que foram tratados com Remdesivir obtiveram melhora no quadro, de acordo com outra pesquisa.

Lopinavir e Ritonavir

A mistura destes dois componentes, Lopinavir e Ritonavir, é vendida sob o nome Kaletra e costumava ser utilizada para tratar pacientes com HIV.

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O que torna a medicação uma candidata para o tratamento contra a COVID-19 é sua disponibilidade no mundo, a facilidade de aumentar a escala da produção e, assim, poder ser prescrita imediatamente.

Efeitos colaterais

Apesar de segura para tratamento em humanos, a Kaletra pode apresentar efeitos colaterais, como icterícia, aumento de transaminases (provocando alterações hepáticas) e até arritmias, de acordo com Raquel Muarrek.

O que dizem as pesquisas

Em pesquisa com primatas, a Kaletra conseguiu impedir a protease do vírus MERS, outro tipo coronavírus. A protease é um passo importante para a reprodução do vírus dentro de um organismo.

Em outra pesquisa com 199 pacientes, em Wuhan, na China, 99 receberam doses de Lopinavir/Ritonavir, enquanto outros 100 receberam um tratamento padrão. Porém, os médicos observaram que não houve diferença entre os tratamentos, ou seja, o tratamento com lopinavir-ritonavir não apresentou benefícios.

Interferon beta

Aliado ao tratamento com Lopinavir/Ritonavir, algumas pesquisas apontam como positiva a utilização de Interferon beta, um antiviral usado para tratar hepatite e que regula a reação inflamatória do corpo. Ele também mostrou-se eficaz em testes em primatas infectados com MERS.

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Efeitos colaterais

A infectologista alerta que ainda se está estudando a dosagem correta de Interferon beta, pois, em doses erradas, o medicamento pode causar reação entérica, quadros depressivos e alteração neutropênica.

O que dizem as pesquisas

A combinação das três drogas (Lopinavir/Ritonavir e Interferon-beta) está sendo pesquisada na Arábia Saudita em pacientes com MERS, um tipo de coronavírus diferente do SARS-CoV-2. Portanto, ainda não há respostas concretas para o tratamento da COVID-19.

Favipiravir

Por último, há uma medicação que tem apresentado resultados positivos, mas que não entrou na lista do projeto "Solidarity" da OMS. A Favipiravir é uma droga antiviral japonesa que começou a ser testada em pacientes com COVID-19 em fevereiro de 2020.

O que dizem as pesquisas

Num estudo envolvendo 340 pessoas em Wuhan e Shenzhen, na China, os médicos utilizaram a Favipiravir para tratar a COVID-19. Os pacientes apresentaram melhora no quadro após 4 dias de uso da medicação, comparado a uma média de 11 dias dos pacientes que não receberam o tratamento.

Além disso, exames mostraram que a Favipiravir aumentou a capacidade pulmonar dos pacientes em 91%, em comparação com o aumento de 62% dos pacientes sem a droga.

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Doutores no Japão também estão testando a medicação em seus pacientes, porém o ministro de saúde japonês sugere que a Favipiravir não foi efetiva em pacientes de casos severos.

Próximos passos

O design do projeto Solidarity da OMS pode mudar a qualquer momento, acompanhando o avançar das pesquisas científicas. A eficácia dos medicamentos será analisada a todo instante para saber se eles continuam no painel ou se não estão apresentando benefícios e podem ser descartados.

Segundo artigo da revista Science, o medicamento Favipiravir pode vir a ser adicionado à lista. De qualquer maneira, para ter resultados robustos, é preciso que centenas de pacientes sejam recrutados para os exames. Países como Argentina, Irã e África do Sul já aceitaram participar do estudo.

De acordo com a infectologista Raquel Muarrek, é preciso que a discussão sobre o tratamento seja maior, para apontar qual medicamento é mais efetivo contra o SARS-CoV-2 e qual será a dose adequada. Enquanto isso, o mundo continua apostando em medidas de prevenção para conter a disseminação da doença entre a população.

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