Box informativo - Mal de Alzheimer

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 04/11/2008

1- O que é Mal de Alzheimer? O que caracteriza a doença?
A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença degenerativa cerebral que provoca perda de habilidades como raciocinar e memorizar. O mal é um dos tipos mais recorrentes de demência. As demências são definidas como afecções progressivas do sistema nervoso central, geralmente degenerativas, que se caracterizam por problemas cognitivos diversos. Entre eles, estão perda de memória, alterações da linguagem, da orientação de tempo e espaço e da habilidade para atos motores planejados e complexos.

2- Quais são as causas da doença?
Trata-se de uma doença degenerativa que envolve fatores ambientais e genéticos. Porém, o mecanismo que desencadeia todo o processo ainda é desconhecido. A suspeita fica em torno do envelhecimento. Além disso, o processo patológico e neuroquímico da doença é razoavelmente conhecido: placas neuríticas e novelos neurofibrilares são formados no cérebro, levando à morte dos neurônios. A formação das placas se deve à deposição anormal de uma proteína chamada beta-amilóide nos tecidos cerebrais e a demais alterações que envolvem outras proteínas e enzimas neuronais.

3- Por que a doença acomete os idosos? A partir de que idade costuma aparecer?
A maioria dos pacientes é afetada depois dos 65 anos. A prevalência da doença aumenta dramaticamente à medida que as pessoas envelhecem por ter caráter degenerativo. É ainda por este motivo que se suspeita que o envelhecimento leva a erros metabólicos que provocam o mal. Em alguns casos mais raros, no entanto, o mal se instala mais precocemente, entre os 30 e 50 anos.

4- A doença tem caráter hereditário? Existe alguma maneira de driblar tais tendências?
Existem casos hereditários, mas eles representam uma pequena parcela da totalidade de casos da doença. Geralmente, estes casos se iniciam em idades mais precoces, dos 30 aos 50 anos e são notadas diversas mutações genéticas nos cromossomos 1, 14 e 21. Não existem maneiras conhecidas de impedir o aparecimento da doença.

5- Quais são os sintomas do Mal de Alzheimer?
A doença se inicia quase sempre pela perda da memória recente. O problema vai piorando gradualmente com o decorrer dos anos. Posteriormente, mais problemas cognitivos são notados, como alterações da linguagem, perda da habilidade de atos motores planejados e complexos, além de perdas do reconhecimento e da associação sensorial e déficit executivo com perdas da capacidade de planejamento, organização e seqüenciamento. Partindo aos exemplos práticos, isso reflete em dificuldade para executar tarefas rotineiras, como cozinhar ou dar um passeio pelas redondezas, esquecer onde os objetos foram guardados, não reconhecer parentes ou amigos próximos, sofrer alterações de humor ou comportamento, entre outras atitudes.

6- Os sintomas iniciais são os mesmos sintomas notados ao longo da doença ou na fase inicial eles são mais amenos?
No início, o déficit de memória recente é o sintoma mais notado. Todos os sintomas, no entanto, progridem gradualmente, se somando ao quadro clínico inicial de forma variada. Podem haver pacientes, por exemplo, com déficit de memória e desorientação, sem necessariamente apresentar alucinações. Após 10 a 15 anos de doença, há uma profunda demência. A pessoa pode ficar totalmente alienada, com comportamento inadequado, perdendo a capacidade de se comunicar e ficando totalmente restrita ao leito, desligada do mundo ao seu redor. Fica ainda, dependente de outras pessoas, já que precisa de ajuda para se alimentar, reconhecer familiares e realizar atividades corriqueiras.

7- Como é o tratamento da doença? Ela exige um tratamento multidisciplinar?
Alguns medicamentos são eficazes na melhoria da memória e na adequação de comportamento, na fase inicial da doença. À medida que a doença avança, porém, a medicação acaba perdendo o efeito. Além do tratamento com estes remédios, drogas antidepressivas, tranqüilizantes, neurolépticos e sedativos podem ser necessários, visto que os pacientes comumente apresentam agitação, agressividade, insônia, depressão associada e alucinações. O tratamento é considerado multidisciplinar, pois os pacientes devem ser tratados por fisioterapeutas, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Vale lembrar que não só o paciente precisa de apoio específico, mas também seus cuidadores.

8- Como é a atuação dos medicamentos? Eles são capazes de controlar o mal ou apenas retardar suas conseqüências?
Na fase inicial da doença, todos os pacientes devem receber os medicamentos que melhoram a cognição. Mas, os remédios não são capazes de retardar ou controlar a doença. Os resultados tendem a ser estabilização dos sintomas ou ganhos modestos que levam algum tempo para aparecer. É importante lembrar que a doença é progressiva. Um tratamento, qualquer que seja, que evite que ela progrida já pode ser considerado bem sucedido. Existem dois tipos de medicamentos em ação atualmente: os que atuam diretamente sobre a doença (drogas que evitam a decomposição da acetilcolina) e os que atuam sobre complicações da doença (neurolépticos, benzodiazepínicos, antidepressivos, etc).

9- Caso o mal não seja tratado, quais são as conseqüências ao paciente?
O não-tratamento não muda a progressão da doença. No entanto, o tratamento promove melhora na qualidade de vida dos pacientes e lentifica um pouco a progressão da doença. Por isso, todos os pacientes devem ser medicados e receber atendimento multidisciplinar.

10- Como é feito o diagnóstico? Quais exames participam do processo?
O diagnóstico de demência é, principalmente, clínico. Mas, alguns exames devem ser feitos na fase inicial da Doença de Alzheimer, a fim de afastar outras causas de demência. Na lista destes exames, estão análise da função tireoidiana, dosagem de vitamina B12 e sorologia para sífilis. A tomografia de crânio e a ressonância magnética nuclear (RNM) do encéfalo pouco evidenciam problemas na fase inicial da doença, mas, nas fases avançadas, mostrem grande atrofia cerebral. Além disso, algumas medidas de estruturas cerebrais vistas na RNM podem sugerir Doença de Alzheimer, como o volume dos hipocampos e do córtex entorrinal. Porém, as observações não são suficientes para fechar o diagnóstico. Apenas o exame anatomopatológico do cérebro post-mortem é responsável pela plena certeza da doença. Ele não descarta, porém, a necessidade de exames funcionais, como a tomocintilografia por emissão de fóton único e a tomografia por emissão de pósitrons. Eles são úteis para diferenciar a Doença de Alzheimer das demências fronto-temporais (outra causa de demência em idosos, que não apresenta tratamento).

11- O diagnóstico logo no início da doença é importante? O que o diagnóstico precoce pode evitar?
O diagnóstico precoce é importante porque, na fase inicial da doença, o tratamento melhora a qualidade de vida do paciente. A orientação à família, na fase inicial da doença, também é fundamental.

12- O Mal de Alzheimer pode acarretar outras doenças?
Nas fases mais avançadas da doença, com restrições ao leito, os pacientes são mais predispostos a ter infecções, pneumonias, escaras de decúbito, entre outras complicações. Pode haver ainda associação de Parkinsonismo ao quadro demencial. Os sintomas são semelhantes à doença de Parkinson, incluindo tremor, rigidez e lentificação dos movimentos. Transtornos psiquiátricos, como depressão e alucinações, podem ser outros males associados ao de Alzheimer.

13- Existem maneiras preventivas contra o Mal de Alzheimer? Quais?
Apesar de haver muitas pesquisas na área, não existem drogas preventivas confirmadas. Entretanto, observa-se que a doença é muito mais grave em pessoas incultas e analfabetas. Pessoas com alta escolaridade e atividade intelectual intensa apresentam os sintomas somente quando a atrofia cerebral está em um estágio mais avançado. Isso significa que, em pacientes com maior atividade intelectual, é necessária maior perda de neurônios para que apareçam os mesmos sintomas das pessoas com menor atividade intelectual. Desta forma, é sugerido que, uma alta atividade cultural durante a vida sirva de estímulo à mente, criando mais conexões sinápticas entre os neurônios e oferecendo plasticidade cerebral. Atividades como leitura, realização de exercícios matemáticos e de lógica, jogos intelectuais, como xadrez e palavras cruzadas, proporcionam uma melhor qualidade de vida aos pacientes da Doença de Alzheimer. Além desta medida preventiva, estudos sugerem que altas doses de vitamina E e a reposição de hormônios em mulheres que passam pela menopausa podem fazer com que o Mal de Alzheimer se manifeste mais lentamente.

Fontes: Antonio Cezar Ribeiro Galvão neurologista do Hospital Nove de Julho e Clínica Neurológica do HCFMUSP

Luciana Hughes neurologista do Instituto de Telessaúde do Brasil e da Teledoctor, Soluções em Telemedicina

Paula Nunes psiquiatra do Ipq Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP

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