Preservação da fertilidade em pacientes com câncer

A Medicina Reprodutiva pode auxiliar esses pacientes

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 12/12/2008

Eduardo Motta
Ginecologia e Obstetrícia

O avanço nos tratamentos de cura do câncer tem permitido a cura desse mal em muitos pacientes jovens e em idade fértil. Nos últimos cinco anos, as estimativas apontam que as taxas de sobrevida ao câncer testicular, hematológico, mamário, e outros, têm variado entre 90 e 95%, quando diagnosticados em estágio inicial. Esses tratamentos, que em geral combinam substâncias quimioterápicas e radioterápicas de forte ação, são altamente prejudiciais às funções reprodutivas de homens e mulheres, pois alteram progressivamente a qualidade da produção espermática e ovular.

A Reprodução Assistida pode auxiliar esses pacientes, antes ou depois do tratamento contra a doença. As técnicas indicadas variam de acordo com cada caso e vão desde o congelamento de sêmen à ovodoação.

Criopreservação de óvulos
Uma das técnicas indicadas para pacientes que vão se submeter aos tratamentos contra o câncer é a criopreservação de óvulos.

O primeiro passo consiste na estimulação ovariana, realizada através de hormônios. Depois, os óvulos são coletados e congelados através do processo de vitrificação uma tecnologia avançada e inovadora. A vitrificação possibilita uma taxa de sucesso no descongelamento bastante alta.

O maior problema enfrentado na técnica anterior era a formação de cristais de gelo, que danificavam o óvulo no processo de descongelamento. Cerca de 50% do total de óvulos congelados eram perdidos. A vitrificação mostrou-se a melhor opção para o congelamento.

As taxas de sucesso com o novo método aumentaram 90%. A técnica de maturação de óvulos chamada de IVM (in vitro maturation) é uma das mais recentes novidades no Brasil. Trata-se da coleta de oócitos (óvulos imaturos) para serem maturados em laboratório e congelados posteriormente. Um dos benefícios da IVM consiste na não utilização de hormônios. O procedimento pode ser uma opção para casos de câncer de mama, já que a conseqüente hipersecreção de estradiol obtida com a estimulação ovariana não acontece. Também é possível realizar o congelamento do tecido ovariano.

Criopreservação de embriões
Os embriões resultantes de técnicas de FIV (Fertilização in Vitro) podem ser criopreservados para implantação no útero materno após a realização do tratamento contra o câncer. A FIV consiste na união, em laboratório, de óvulos e espermatozóides para a formação do embrião. Congelamento de sêmen

A criopreservação de esperma é um dos mais antigos métodos de preservação da fertilidade masculina na área de Reprodução Assistida. A indicação é que o sêmen seja coletado antes do tratamento contra o câncer, já que as sessões de radioterapia ou quimioterapia afetam a qualidade do DNA espermático. Um longo tratamento oncológico pode, inclusive, diminuir e até extinguir a produção do esperma. Com o sêmen descongelado, é possível realizar tratamentos de FIV / ICSI (Fertilização in Vitro através de injeção espermática citoplasmática), onde o espermatozóide é introduzido no óvulo maduro, por meio de uma microscópica injeção. Indicações após o tratamento oncológico

A prática clínica indica que muitos pacientes conseguem gerar um filho, mesmo depois do tratamento, de maneira natural ou assistida. Em casos de esterilidade, existem opções como a utilização de óvulos ou embriões doados (para casos de produção ovular afetada), ou da obtenção de esperma em bancos de sêmen (quando o problema for relacionado à produção espermática). Lembrando que a adoção também deve ser considerada como uma excelente maneira de constituir família. Em todos os casos, é fundamental que o paciente seja acompanhado por uma equipe especializada em Reprodução Humana para suporte às decisões mais adequadas.

Eduardo Motta é ginecologista e especialista em Reprodução Humana, diretor da Huntington Medicina Reprodutiva

Para saber mais, acesse: www.huntington.com.br

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