Células-tronco tratam mais de 70 doenças

Preservar este material é estar em sintonia com os avanços da medicina

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 12/02/2009

Desde 1945, quando foram realizadas as primeiras experiências com células-tronco até os dias atuais, muitos transplantes com células autólogas (do mesmo indivíduo) estão sendo realizados com sucesso e trazendo esperanças para muitas pessoas. Em 1988 foi realizado o primeiro transplante de células-tronco de sangue de cordão umbilical, e desde então, preservar este material é estar em sintonia com os avanços e conquistas diárias da medicina. Nos últimos 10 anos, as células do cordão umbilical passaram a tratar oficialmente mais de 70 tipos de doenças, entre elas anemias, leucemias, problemas do coração, articulares e alterações do metabolismo.

Dar oportunidade ao seu filho de ter suas próprias células armazenadas é dar a ele alternativas terapêuticas para o tratamento de uma série de doenças. Os estudos avançam e várias doenças hoje são tratadas com células adultas, retiradas da medula e do cordão. Cada vez torna-se mais freqüente o uso de células-tronco do cordão umbilical no tratamento de leucemia. Existia uma idéia geral de que quando uma criança tinha leucemia, ela já havia nascido com as alterações genéticas em suas células. Porém, já existem relatos na literatura médica de casos de crianças que receberam o transplante de suas próprias células-tronco do cordão umbilical e tiveram excelentes resultados no tratamento da doença.

O transplante de células tronco do cordão umbilical em tratamentos de leucemia pode ser feito em qualquer tipo de leucemia. O transplante é benéfico na quimioterapia porque diminui o tempo de falta de produção de células sanguíneas na medula - escassez provocada pelas altas doses de quimioterapia. Também repara a medula óssea com células-tronco não afetadas pela doença, fazendo com que as células do sangue sejam produzidas normalmente.

O procedimento de transplante é simples e seguro. Após a administração da quimioterapia que vai destruir as células cancerosas na medula óssea, faz-se a transfusão das células-tronco do cordão umbilical. Essas células, injetadas numa veia do paciente, vão migrar para a medula, onde se fixarão e passarão a se reproduzir.

O tempo entre o transplante e sua "pega" é de mais ou menos 15 dias para as células- tronco do cordão umbilical e de 20 a 25 dias para as células retiradas de medula óssea. Há muitos trabalhos publicados demonstrando que as células-tronco do cordão umbilical também podem ser utilizadas em transplantes de adultos. Isso devido a sua grande capacidade reprodutiva (plasticidade) e velocidade na duplicação. O sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco CD 34 (+) como também células mesenquimais, que são células muito jovens e capazes de se diferenciar em células hepáticas, da musculatura estriada ( coração), de ossos e cartilagem.




Dr. André Jensen é diretor Médico da Cellpreserve - Banco de Células-Tronco do Rio de Janeiro. Membro da Sociedade Brasileira de Hematologia-Hemoterapia e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.

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