Enxergue bem com cirurgias a laser

Tratamento é opção para quem detesta armações e tem agonia das lentes

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 08/05/2009

Quem detesta os óculos de grau, por muito tempo, tinha apenas as lentes de contato como opção para enxergar bem sem que as armações atrapalhassem o visual. Mas, de uns tempos para cá, a cirurgia corretiva para miopia, astigmatismo e hipermetropia estão cada vez mais comuns.

Para dar fim na miopia, o procedimento é simples e leva em torno de 10 minutos. Consiste na aplicação do laser no centro da córnea, alterando seu desenho. O LASIK (laser-assisted in situ keratomileusis) é o utilizado em 90% das cirurgias, por possibilitar uma recuperação mais rápida e confortável. Há também a técnica de ceratectomia fotorrefrativa, o PRK, mais utilizado para graus menores (1 ou 2 graus).

O laser é aplicado na córnea, realizando a evaporação de parte de sua superfície e diminuindo a curvatura que deforma a visão. Há a utilização de um colírio para anestesiar o local e um afastador de pálpebra (blefarostato) para evitar que o olho se feche (em sistemas mais modernos, no entanto, o laser acompanha o movimento do olho).

Antes de optar pela cirurgia, o paciente precisa de uma avaliação que revela se o grau de desvio mantém-se estável e se a córnea está saudável. "O acompanhamento de um especialista é imprescindível tanto no pré quanto no pós-operatório, pois é necessário verificar se houve boa cicatrização e também se o resultado atendeu às expectativas do paciente.", ressalta o especialista.

Após se submeter à cirurgia, o paciente pode perceber cerca de 80% da melhora na visão em 24horas e, em cerca de três meses, surge o resultado definitivo. Caso reste algum desvio após esse período, o paciente será avaliado e poderá se submeter à nova cirurgia em um período de um mês. "Isso acontece em menos de 3% dos operados, que são avaliados particularmente para a possibilidade de nova cirurgia.", explica o Chefe da Oftalmologia da Unifesp, Mauro Campos. Aparecimento de cicatrizes na córnea e infecções são os outros riscos presentes nesse tipo de procedimento.

Para outros problemas de visão, como hipermetropia e astigmatismo, o processo cirúrgico é basicamente o mesmo. "O que muda é o desenho que o laser irá fazer diante de um caso de hipermetropia, atingindo uma parte mais periférica da córnea. A faixa etária que deve fazer esta cirurgia também muda: ela é recomendada para pacientes com mais de 40 anos, por ser um desequilíbrio estrutural mais demorado para estabilizar", explica o especialista. Para astigmatismo, o procedimento é o mesmo que o da miopia, também sendo feito no centro da córnea.

Entenda os problemas
O míope pode ter o olho grande demais ou a córnea extremamente curva. As chances de alguém se tornar míope são de 20% quando os pais não são míopes e de 50% quando os dois apresentam problemas na visão. Quem possui astigmatismo também tem o formato irregular da córnea ou do cristalino, num desenho que lembra o de um ovo ou uma bola de futebol americano. O olho do hipermétrope, por sua vez, é menor que o normal, causando alterações nas imagens que estão perto.

Prevenção de doenças visuais
"Alguns conselhos valem para a vida toda e deveriam ser seguidos desde a infância. Não fumar, comer alimentos ricos em proteínas, não usar colírios sem prescrição médica e fazer uso de óculos escuros podem ajudá-lo a ter uma visão saudável e mais jovem por mais tempo", salienta Dr. Walton Nose, oftalmologista e professor livre docente da Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM). Uma visão saudável requer cuidados desde o nascimento do bebê. O primeiro exame importante para a visão é o teste do olhinho, feito ainda no berçário, que pode detectar desde catarata e glaucoma congênitos até traumas de parto, hemorragias e inflamações.

Entre os 3 e os 7 anos é recomendada a visita ao oftalmologista para que sejam feitos testes que avaliem a visão de forma a identificar qualquer problema na visão da criança. Após essa época, são recomendadas visitas periódicas ao oftalmologista, que fará uma avaliação completa da visão, com dilatação da pupila e exame de fundo de olho. Dr. Walton Nose frisa que, após os 18 anos, a recomendação da periodicidade continua. "Estudos internacionais mostram que jovens pré-universitários tendem a desenvolver miopia por forçar a visão para enxergar de perto quando passam muitas horas lendo ou utilizando o computador.", explica o professor.

Já na idade adulta, a visita ao oftalmologista pode ser feita a cada 2 anos, quando não há nenhum tipo de problema na visão. Após os 40 anos, a presbiopia começa a dar as caras e o sintoma mais comum é a dificuldade para enxergar de perto. Depois dos 50, há maior probabilidade do desenvolvimento da catarata, devido à perda da acuidade e opacidade que os olhos sofrem. Grande parte dos casos resulta do envelhecimento natural do olho, mas pode se manifestar congenitamente e também por problemas como diabetes, traumas no olho, uso de corticóides, alem de herança genética. A evolução da doença varia de pessoa para pessoa, mas a catarata só é tratada através da cirurgia. Hoje, graças aos avanços da medicina, que tornaram o procedimento muito mais seguro para os pacientes, entende-se que o procedimento deve ser levado em consideração sempre que a catarata interferir nas atividades diárias do indivíduo , orienta o especialista.

Após os 65 anos, a atenção deve redobrar para a degeneração macular. Ela degenera a parte central da retina e pode conduzir a cegueira. Após os 80 anos, normalmente as doenças se agravam. No entanto, aqueles que cuidaram da saúde ao longo dos anos tendem a atingir essa idade com uma visão mais sadia.

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