Seu sono, sua saúde

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 02/02/2007

Alessandro Loiola
Clínica Médica
especialista minha vida

Dormir na companhia de bilhões de ácaros é uma das muitas coisas essenciais que você pode fazer sobre seu colchão. Passamos um terço da nossa vida cochilando, algo como 25 anos inteiros. Não é à toa que os cientistas investem um bocado de tempo e dinheiro para desvendar por que, como e quanto dormimos.



O quanto depende. A maioria dos adultos precisa de 7 horas de sono por noite, outros se satisfazem com apenas 5 horas. Crianças e adolescentes precisam de um pouco mais: 9 a 10 horas. Mas o fato é que o número ideal varia de uma pessoa para a outra e até mesmo em uma mesma pessoa, dependendo do dia, da fase da lua e da quantidade de dívidas no final do mês.



Tão ou mais importante do que a quantidade é a qualidade das horas que você passa dormindo. Um sono ruim abre as portas para uma série de problemas de saúde e dificulta o tratamento de outros tantos. Existem mais de 85 distúrbios do sono, como insônia, ronco, apnéia do sono e a síndrome da privação do sono.



A insônia afeta uma em cada 3 pessoas e pode triplicar o risco de mortalidade em idosos. O ronco está presente em 45% das pessoas e é considerado um dos principais motivos que levam jovens casais a morar em apartamentos de 2 quartos. Mas é a apnéia do sono o distúrbio mais estudado nos últimos anos.





A apnéia do sono, caracterizada por períodos de ausência de respiração enquanto você dorme, pode afetar seriamente seu organismo. Por exemplo: de cada 10 pessoas que sofrem deste distúrbio, 4 desenvolvem hipertensão arterial. Essas pessoas também possuem um risco 15 vezes maior de se envolverem em acidentes automobilísticos. O motivo: uma hora e meia de sono de má-qualidade significa uma redução de 32% no nível de atenção durante o dia - e uma grande probabilidade de ter que chamar sua seguradora no meio do trânsito.



De um modo geral, a insônia, o ronco e a apnéia deságuam na chamada síndrome da privação do sono. Sabe aquele sujeito que acorda apenas quando o alarme está ficando rouco, passa o dia sentindo um cansaço irritante e vai dormir com dores-de-cabeça que nunca melhoram? Ele pode estar sofrendo de síndrome de privação do sono e ainda nem acordou para o problema.



Uns poucos dias de privação são suficientes para que o corpo reaja como se tivesse envelhecido vários anos: o raciocínio torna-se lento; a memória, incerta; o metabolismo se altera, a capacidade de concentração e a resistência para atividades físicas caem, e o sistema de defesa ameaça tirar férias. Se a privação persistir, podem ocorrer infecções de repetição, alterações cardiovasculares e até mesmo diabetes.



Então tá. Um bom sono é essencial para sua saúde, mas como fazer para manter a boa saúde do seu sono? Além de tudo aquilo que você está careca de saber (praticar exercícios regularmente, levar uma alimentação saudável, evitar o excesso de peso e não fumar), existem algumas orientações específicas bastante úteis:





Beba uma xícara de leite ou chá de camomila: o leite é rico em triptofano, um aminoácido capaz de produzir um relaxamento ideal antes do sono. A camomila é um fitoterápico com propriedades calmantes. Tome um banho morno. Ele amacia o corpo e espanta as moscas. Durante a noite, nada de filmes tensos, luzes oscilantes (como as da TV), refeições pesadas e bebidas alcoólicas ou ricas em cafeína, tais como café e refrigerantes à base de cola. Pelo amor de São Firmino do Sono da Santa Pluma: compre um bom colchão! Você passará mais tempo nele do que no sofá da sala ou dentro do armário da cozinha. Tenha um horário fixo para se levantar e se deitar. E espreguice bastante. Cuidado com o que leva para a cama: pijamas, travesseiros, o controle remoto da TV e uma boa companhia estão permitidos. Problemas? Nem pensar: tranque-os à chave do lado de fora de casa. Se você dorme acompanhado(a), faça um acordo: primeiro você faz uma massagem nas costas dele(a) e depois ele(a) faz em você. O truque é ser sempre o segundo na fila. Assim você poderá dormir completamente em paz, enquanto o outro fica acordado. Se não estiver dormindo 20 minutos após deitar-se, levante e faça algo entediante para chamar o sono. Leia o caderno de política, assista à fita do seu casamento ou ligue a TV em um daqueles documentários que passam meia hora mostrando o mesmo hipopótamo na lama. Quando estiver quase cochilando, largue tudo, desligue a TV e afunde no travesseiro.





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