Menos de 5% das pessoas seguem recomendações contra disseminação de gripes

Cobrir tosses e espirros com as mãos pode espalhar o vírus

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 16/07/2010

Pouco menos de 5% das pessoas, quando espirram ou tossem, cobrem a boca e o nariz com o braço ou com um lenço descartável - medida recomendada pelas autoridades de saúde para prevenir a transmissão de gripes e resfriados -, segundo estudo neozelandês apresentado nesta semana na Conferência Internacional sobre Doenças Infecciosas Emergentes. De acordo com os pesquisadores, apesar de toda a campanha mundial realizada no ano passado para o combate da pandemia da nova gripe A (H1N1), a maioria das pessoas não seguem as recomendações para evitar a disseminação dessas infecções.

Durante o mês de agosto de 2009, estudantes de medicina da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, passaram a observar o comportamento das pessoas em uma estação de metrô, um hospital e um shopping, registrando 384 episódios de tosse e espirro. Nessas ocasiões, mais de 26% ocorreram sem nenhuma cobertura, enquanto em apenas 4,7% dos casos a tosse ou espirro foi coberta por um tecido (lenço ou da própria roupa), um lenço de papel ou pelo braço. Mas a grande maioria das pessoas - em 64% dos casos - cobria a tosse e os espirros com as mãos, prática desaprovada pelas autoridades de saúde, por facilitar a disseminação de vírus.

Os especialistas destacam, entretanto, que, embora cobrir a boca e o nariz com as mãos não seja a prática indicada - por disseminar os vírus para superfícies que as pessoas tocam -, isso seria ainda melhor do que tossir ou espirrar livremente. "Provavelmente, a principal transmissão é pela exposição à tosse descoberta, mais do que por superfícies contaminadas", destacou o pesquisador Nick Wilson, líder do estudo. "Obviamente, a tosse descoberta em locais onde não há ninguém não é arriscada, mas as autoridades em saúde pública querem que as respostas apropriadas sejam automáticas, isto é, sempre tossir em um lenço ou tecido", acrescenta o especialista.

Para os autores, todos os países deveriam fazer estudos similares, pois essas tendências podem variar, principalmente de acordo com a educação para a saúde de cada população. Para um melhor comportamento das pessoas nesse sentido, o especialista defende que essas práticas sejam ensinadas nas escolas. "Haverá alguns benefícios para os adultos que aprenderem isso na infância. Mas as campanhas de massa nos meios de comunicação durante as epidemias e pandemias são muito válidas para que os adultos sejam encorajados a mudar", concluiu Nick Wilson.

PUBLICIDADE

Tossir com etiqueta

Que a tosse é um grande inconveniente ninguém nega. Mas o que muita gente não sabe é que apesar de incômodo, o sintoma é um importante aliado na proteção do organismo. A tosse é um sinal de que algo não vai bem. E no caso de um engasgo, por exemplo, é fundamental para expelir o corpo estranho e evitar o sufocamento. A tosse também auxilia o médico a detectar doenças que vão desde uma gripe, a problemas mais sérios como pneumonia, asma, bronquite, tuberculose e câncer. Portanto, não se deve inibir a tosse, pois catarro alojado nos pulmões propicia a multiplicação de bactérias e pode transformar uma simples gripe em pneumonia.

Porém, apesar de ser uma forma eficaz de eliminar secreções, a tosse também é um eficiente caminho de transmissão de doenças. Por isso, infectologistas do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, dão dicas de como "Tossir com Etiqueta", ou seja, atitudes simples e fáceis de tomar no dia a dia, que podem evitar a propagação de vírus, bactérias e a ocorrência de epidemias. Vale seguir esses conselhos:

1. Cubra a boca e o nariz com um lenço quando for tossir ou espirrar.
2 .Tussa ou espirre no seu antebraço, não em suas mãos, que são importantes veículos de contaminação.
3. Coloque o lenço usado no lixo.
4. Limpe as mãos depois de tossir ou espirrar. Lave-as com água e sabão e seque-as com papel toalha.

Não deixe de consultar o seu médico. Encontre aqui médicos indicados por outras pessoas.