Governo faz alerta para prevenção da catapora na primavera

Elevação da temperatura favorece os surtos, fique atento e previna-se

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 22/09/2011

Com a chegada da primavera (23 de setembro), os casos de catapora se tornam mais frequentes por conta da elevação da temperatura. Por isso, a Secretaria de Saúde de São Paulo fez um alerta à população para os sintomas, os cuidados e as formas de prevenir a doença.

De acordo com a secretaria, a catapora atinge principalmente crianças. Se contraída por adultos, porém, ela exige um tratamento mais cuidadoso - principalmente se for associada a outras doenças.

Caracterizada pela presença de febre e vesículas - pintas vermelhas com líquido - espalhadas em todo o corpo, a doença evolui para crostas que depois cicatrizam, finalizando o ciclo da doença.

A catapora é altamente contagiosa e a maioria das crianças costuma apresentar de 250 a 500 lesões no corpo que formam crostas e permanecem por até duas semanas. A transmissão ocorre por contato direto por meio da saliva e de secreções respiratórias ou por contato com o líquido do interior das vesículas. Depois de infectado, o paciente fica imune à doença.

Desde 2003, o Estado aplica gratuitamente a vacina em creches e escolas que registram dois ou mais casos da doença, imunizando crianças menores de seis anos. A dose não integra o calendário de vacinação do Ministério da Saúde.

No ano passado, São Paulo registrou 39.043 casos. Até julho deste ano, foram 1.413. O ano com mais registros da doença no Estado foi 2003, com 51,6 mil infecções.

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Catapora: baixa umidade do ar favorece surtos
A infectologista e pediatra Sandra de Oliveira Campos explica que não há motivo para pânico, pois os surtos repentinos de catapora são comuns e acontecem de tempos em tempos. "Isso ocorre porque a transmissão é muito rápida e contagia muita gente, mas, depois, esgotam-se as possibilidades de contágio. Como é uma doença que só se pega uma vez, quem já teve esse ano, não vai ter de novo e, por isso, demora até um novo surto aparecer", explica a especialista.

O principal sintoma da catapora é o aparecimento de pintinhas vermelhas pelo corpo, que coçam e ardem. Como essa doença é comum, principalmente, em crianças, as mães se engajam em uma tarefa nada fácil de evitar que o filho fique coçando as bolinhas e, ao mesmo tempo, tratar o problema. Mas, na tentativa de aliviar os incômodos da criança, muitas mães acabam apelando para métodos nada convencionais e podem acabar mais atrapalhando do que ajudando.

Abaixo, veja alguns cuidados para tratar a catapora do seu filho do jeito certo, ou até evitá-la.

O que é?
A varicela, ou catapora, é uma doença causada pelo vírus Varicela-Zoster, e seus principais sintomas são febre, sintomas respiratórios, como coriza e tosse e, o que pode ser mais incômodo e evidente, o aparecimento de bolhinhas vermelhas que coçam muito e deixam marcas pelo corpo. "Essas lesões aparecem no corpo todo, principalmente no couro cabeludo, nas pernas e braços e na região das genitálias", explica Sandra Campos, da Unifesp.

A doença aparece em qualquer idade, porém é muito conhecida como uma doença de criança, por ser mais comum a incidência até os cinco anos de idade. Como é uma doença transmitida pela respiração, o tempo seco é um fator agravante para o aparecimento de um surto de catapora. "O ar seco é agressivo para as vias respiratórias e agride mais a mucosa, deixando-a fragilizada. Por isso, nessa época, os vírus se instalam com mais facilidade", diz a especialista da Unifesp. Além disso, a primavera ainda é a época ideal de aparecimento e procriação do vírus da varicela.

Período de transmissão
A especialista ensina que o período de transmissão da catapora é de dois dias antes do aparecimento das manchinhas até a última bolhinha vermelha que surgir no corpo. Por isso, a pessoa que contrai varicela, precisa ficar cerca de sete dias em casa, sem maiores contatos com outras pessoas.

Porém, o atraso de dois dias para aparecer as manchas no corpo é um dos responsáveis pela rápida transmissão do vírus, principalmente em crianças. "Como as crianças estão em constante contato com outras, o vírus se espalha muito rápido entre essa faixa-etária. Além disso, nessa idade, as defesas imunológicas ainda são mais fracas", diz Sandra Campos.

Evite a coceira
O mais difícil para os pais é evitar que as crianças cocem e machuquem as bolinhas, no entanto esse passo é muito importante para que as manchas não se tornem permanentes e para que a criança não tenha complicações mais sérias. "A coceira rompe a integridade da pele, o que significa que, além de aprofundar a lesão - deixando cicatrizes -, ainda facilita que uma bactéria se instale no corpo, levando a um quadro de complicações infecciosas, entre elas, a infecção pulmonar", explica Sandra Campos.

A especialista ressalta que, apesar dos riscos de complicações, é uma doença que, se bem tratada, não apresenta maiores problemas.

A febre, por exemplo, é normal nos três primeiros dias, e tratada com antitérmico. "Dos antitérmicos comuns, a aspirina não é aconselhável, pois, quando entra em contato com o vírus da varicela, pode desencadear a Síndrome de Reye, doença danosa ao cérebro e fígado", alerta Sandra Campos.

Mantenha distância das receitas caseiras
É muito comum as mães tentarem amenizar a coceira dos filhos com "receitinhas caseiras" como, por exemplo, passar álcool, maizena com água ou pomada contra assaduras infantis. "Para evitar a coceira, a mãe ou um adulto pode, com as unhas bem aparadas, passar sobre a região afetada um algodão com água filtrada ou água boricada. Se a coceira não for embora de jeito nenhum, pode-se recorrer ao médico, que indicará o melhor antialérgico", diz Sandra Campos.

Além disso, a especialista ensina que se a criança tiver alguma doença mais grave, como HIV, leucemia ou câncer, deve ir imediatamente ao médico, assim que notar o aparecimento das manchinhas, pois, nesses casos, o tratamento da catapora é feito de forma mais específica.

Vacinas
Com a catapora é assim: só não pega, quem já teve. Por isso, as mães que nunca sofreram com as manchinhas, podem ter problemas se o filho aparecer em casa com catapora. Porém, existe uma vacina que garante a prevenção ou atenuação dos sintomas. "Até o 3º dia que o vírus está no corpo, portanto antes do aparecimento das bolhinhas, a vacina com o anticorpo ou com o vírus vivo atenuado, pode ser usada para diminuir os sintomas ou até evitá-los.

Se o filho contraiu a doença e a mãe nunca teve, então deve rapidamente se vacinar", diz a especialista da Unifesp. Além disso, existe uma vacina preventiva para a varicela, porém, como ela ainda não está na cartilha oficial de vacinação, grande parte da população não tem acesso a isso e, muito menos, conhecimento da existência dessa vacina.

Porém, Sandra diz que, apesar de não ser oficial, caso uma escola ou determinado lugar tenha registrado muitos casos de catapora, a comunidade pode solicitar junto a Secretaria do Estado que a vacina seja aplicada.

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