Estudo encontra riscos genéticos comuns a transtornos psiquiátricos

Autismo, depressão, TDAH, bipolaridade e esquizofrenia têm a mesma alteração

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 28/02/2013

Pela primeira vez, uma pesquisa mostrou que alguns transtornos psiquiátricos compartilham os mesmos fatores de risco genéticos. O trabalho foi desenvolvido pelo Consórcio de Genética e Psiquiatria dos Estados Unidos e publicado hoje no periódico The Lancet. Autismo, depressão, TDAH, transtorno bipolar e esquizofrenia foram as condições estudadas.

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Os pesquisadores revisaram o genoma de mais de 33 mil pacientes com diagnóstico de doenças psiquiátricas e de 27 mil voluntários de um grupo-controle, sem os transtornos, em busca de variações do DNA que poderiam causar a suscetibilidade às cinco doenças. Eles descobriram que existem regiões com similaridades para os transtornos em dois cromossomos e em dois genes ligados aos canais que regulam o fluxo de cálcio nas células do cérebro. Dessa forma, o estudo aponta que os transtornos psiquiátricos possuem caminhos genéticos parecidos e que a relação entre essa via reguladora do fluxo de cálcio e o surgimento de doenças abre espaço para novas classes de medicamentos.

Segundo os autores, as conclusões do estudo oferecem evidências para que as bases biológicas sejam usadas no diagnóstico e para a classificação dos transtornos. Mas, por enquanto, o diagnóstico ainda deve se basear em uma análise clínica.

Entenda os transtornos psiquiátricos

TDAH: o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um problema de desatenção, hiperatividade, impulsividade ou uma combinação destes. Para que esses problemas recebam um diagnóstico de TDAH, eles devem se apresentar fora de um limite normal para a idade e o desenvolvimento da criança. Ele afeta aproximadamente de 3 a 5% de crianças em idade escolar. Para o diagnóstico, o paciente deve apresentar pelo menos seis sintomas de desatenção ou seis sintomas de hiperatividade/impulsividade antes dos sete anos. O tratamento é feito com medicamentos e terapia comportamental.

Depressão: é um distúrbio afetivo no qual há presença de tristeza, pessimismo e baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células). Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão ? mas o estresse pode elevar as chances de manifestação em uma pessoa com predisposição. O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso com acompanhamento de terapia.

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Transtorno bipolar: é um problema em que as pessoas alternam entre períodos de muito bom humor ou irritação e depressão. As "oscilações de humor" entre a mania e a depressão podem ser muito rápidas. Ele geralmente tem início entre os 15 e 25 anos e sua causa exata ainda é desconhecida, mas ocorre com mais frequência em familiares de pessoas com transtorno bipolar. O tratamento é medicamentoso e visa diminuir a alternância entre as fases do transtorno, mas é importante ressaltar que os períodos de depressão e mania voltam a ocorrer na maioria dos pacientes, mesmo sob tratamento.

Esquizofrenia: é um transtorno mental complexo que dificulta a distinção entre as experiências reais e imaginárias, o pensamento lógico, as respostas emocionais e o comportamento social natural. A esquizofrenia é uma doença complexa e os especialistas em saúde mental não sabem ao certo sua causa. No entanto, alguns fatores genéticos parecem estar envolvidos. Geralmente, os sintomas da esquizofrenia se desenvolvem lentamente durante meses ou anos. O tratamento é feito com medicação e terapias de apoio, que podem ser em grupo. Durante um episódio de esquizofrenia, pode ser necessário hospitalizar o paciente por motivo de segurança.

Autismo: é um transtorno de desenvolvimento que aparece nos três primeiros anos de vida e afeta o desenvolvimento normal do cérebro relacionado às habilidades sociais e de comunicação. As causas exatas dessas anomalias continuam desconhecidas. Provavelmente, há uma combinação de fatores que leva ao autismo e a genética parece ser determinante. A maioria dos pais de crianças com autismo suspeita que algo está errado antes de a criança completar 18 meses de idade e busca ajuda antes que ela atinja 2 anos. Um programa de tratamento precoce, intensivo e apropriado melhora muito a perspectiva de crianças pequenas com autismo.

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