Elevar o álcool no sangue pode melhorar resposta contra dor, diz estudo

Estudiosos querem criar medicamento com base à resposta do corpo às bebidas alcoólicas

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 03/05/2017

Uma pesquisa da Universidade de Greenwich, em Londres, e publicada no periódico científico Journal of Pain afirma que o álcool presente em duas canecas de quase 500 ml de cerveja é mais eficaz contra dor e desconforto do que o paracetamol. Para chegar a esta conclusão os cientistas fizeram uma meta-análise de 18 estudos.

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Segundo a pesquisa, aumentar a quantidade de álcool no corpo para 0,08% aumenta levemente o limite de dor do organismo além de reduzir moderadamente a intensidade da sensação de dor.

As descobertas sugerem que o álcool é um analgésico eficaz, e que oferece reduções clinicamente relevantes na avaliação da intensidade da dor, o que poderia explicar o uso indevido de álcool naqueles com dor persistente, apesar das suas potenciais consequências para a saúde a longo prazo. "O álcool pode ser comparado a drogas opiódes e esse efeito é mais poderoso do que o paracetamol, por exemplo", explica o doutor Trevor Thompson, especialista que liderou o estudo, em entrevista ao jornal inglês The Sun.

No entanto, a intenção não é usar a cerveja para curar a dor. "Se pudermos criar medicamentos sem efeitos colaterais prejudiciais, então podemos ter algo potencialmente melhor do que o que está no mercado hoje em dia", explica o especialista.

Bebida demais não é saudável

Por enquanto, é importante lembrar que a bebida alcoólica não deve ser usada como medicamento, o que pode causar diversos danos à saúde do corpo todo. Isso ocorre porque o órgão responsável por metabolizar o álcool é o fígado e ele só consegue processar uma dose de bebida alcoólica por hora - entenda uma dose como uma lata de cerveja (360ml), uma taça de vinho (100ml) ou de destilado (40ml).

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Portanto, se tomarmos seis latas de cerveja, por exemplo, nosso fígado irá levar as mesmas seis horas para metabolizar todo o álcool presente em nosso corpo. "E enquanto o fígado metaboliza a primeira latinha, o resto do álcool fica circulando no sangue e intoxicando, causando alterações e danos em diferentes órgãos", explica a psiquiatra Ana Cecilia Marques, pesquisadora da Unidade de Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp e especialista em dependência química da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

Veja todos os impactos do álcool no organismo nesta matéria.

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