Terapia-alvo molecular proporciona tratamento personalizado contra o câncer

Método possibilita atacar especificamente as células cancerígenas, causando menos efeitos colaterais ao paciente

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 27/09/2017

Durante muito tempo o tratamento para o câncer ficou restrito ao uso da quimioterapia e da radioterapia. De forma que, todos os pacientes acabavam sendo submetidos a protocolos de tratamento muito semelhantes, independentemente do tipo de tumor que tivessem. O que acontece é que o câncer não é uma única doença, para se ter uma ideia existem mais de 200 tipos de câncer, de acordo com o INCA.

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Além disso, a quimioterapia é um tratamento que pode ocasionar muitos efeitos colaterais incômodos, como queda de cabelo, dores pelo corpo, náuseas, enfraquecimento das unhas, manchas na pele, fadiga e, em alguns casos, sobrecarga do rim e fígado

Com os avanços da medicina, principalmente no âmbito da pesquisa molecular, tem sido possível entender cada vez mais as características de cada tipo de tumor. E, com isso, desenvolver fármacos que possibilitem o tratamento do câncer de forma mais efetiva e com menos efeitos colaterais para o paciente.

Um grupo de medicamentos que vem possibilitando que esse conceito torne-se realidade, e contribuindo para que o tratamento oncológico seja mais personalizado é a terapia alvo molecular. Esse tipo de terapia tem como objetivo agir diretamente nas células tumorais. O que pode resultar em uma maior precisão no tratamento e menos efeitos colaterais para o paciente.

Explicar um pouco sobre esse assunto e mostrar as possibilidades de tratamentos fazendo uso da terapia alvo molecular foi um dos temas abordado no 4º Congresso Todo Juntos Contra o Câncer, São Paulo, que contou com a presença do oncologista Pedro de Marchi, do Hospital do Câncer de Barretos e do oncologista Drauzio Varella.

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De acordo com Marchi, o tratamento personalizado com a terapia alvo molecular tem como objetivo atacar o tumor e impedir o seu crescimento e disseminação pelo organismo.

Para que o tratamento personalizado funcione é preciso que o tumor tenha algumas características específicas. De acordo com Varella alguns tumores possuem mutações genéticas que possibilitam que eles sejam tratados por outras drogas. Além disso, a terapia-alvo também é capaz de agir em células saudáveis que tenham sido atingidas de alguma forma por células cancerígenas

Para identificar se o tipo de tumor que o paciente tem possui características que sejam compatíveis com a terapia-alvo são feitos alguns exames para identificar, por exemplo, proteínas, genes e outros fatores que caracterizem o tumor.

Alguns tipos de tumor que podem contar com o auxílio da terapia-alvo são câncer de mama, câncer colorretal, câncer de pulmão, melanoma, leucemia. É importante ressaltar, no entanto, que somente após o exame o oncologista poderá saber se o tipo de câncer que o paciente apresenta pode ser tratado com a terapia-alvo.

Esses medicamentos podem ser administrados via intravenosas ou oral. A forma de consumo da terapia-alvo varia de acordo com as substâncias presentes no medicamento.

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Obstáculos da terapia-alvo molecular

Apesar de o tratamento personalizado com a terapia-alvo molecular ser uma revolução no tratamento oncológico, ainda existem limitações.

Tanto Marchi quanto Varella são categóricos em dizer que não são todos os tipos de tumores malignos que podem ser tratados junto com a terapia-alvo, e que mesmo apresentando menos efeitos colaterais do que a quimioterapia, esse tipo de tratamento também pode causar reações após a aplicação. As manifestações dependem do tipo de medicamento que será utilizado. Segundo Marcho, os pacientes costumam apresentar diarreia e alterações na pele.

Além disso, nem todos os pacientes respondem da forma esperada ao tratamento personalizado. Um dos motivos é que, em alguns casos, as modificações presentes no tumor não são tão relevantes e as drogas não conseguem agir de forma efetiva. Também há possibilidade de o tumor adquirir resistência à terapia.

Há também as limitações financeiras. Isso porque tantos os exames quanto os medicamentos disponíveis para o tratamento com terapia-alvo são muito caros e nem todos estão no rol de cobertura do SUS.

A dica é conversar com seu médico sobre o seu tratamento e perguntar a respeito da possibilidade de receber a terapia-alvo.

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