Surtos de cólera podem ocorrer por bactérias resistentes a antibióticos, diz estudo

Cientistas pesquisaram bactérias e encontraram mutações que deixaram a doença mais resistente ao tratamento

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 10/11/2017

Estudos recentes publicados na revista científica Science apontaram importantes novidades sobre o surto de cólera que atinge alguns lugares do mundo. Nas análises, foram observados o genoma das cepas da Vibrio cholerae, bactéria causadora da doença, buscando identificar sua origem e resistência aos tratamentos. Com essas medidas, os cientistas buscam conter as chances de surgir uma nova pandemia, ou seja, que a doença se dissemine por todo o planeta.

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Entre as descobertas, está a de que as cepas da bactéria introduzidas na África desde os anos 1980 se mostram agora resistentes aos antibióticos. Por muito tempo essa era a indicação de tratamento, juntamente com a hidratação, uma vez que, de acordo com o estudo, entre 106 e 109 cópias de bactérias resultam na perda de 1 litro de líquido a cada hora no corpo.

Hoje, porém, essa combinação está sendo ineficiente. Essa questão reforça a ideia de que é necessário reduzir o uso dos antibióticos de forma geral. Inclusive, a Organização Mundial da Saúde incentiva que sejam usados menos medicamentos nos animais por parte da indústria alimentícia, com o intuito de evitar a transmissão de patógenos resistentes para os seres humanos.

Foram observados pelo estudo dados do genoma de 1200 amostras de bactérias da cólera em diversas regiões do mundo, sendo a maior parte vinda da África e da América Latina, principais regiões onde ocorreram epidemias durante as últimas décadas. As análises apontaram que as linhagens resistentes são da cólera que afetou a Tanzânia em 1977, combatida na época com antibióticos do tipo tetraciclina. Também existem cepas resistentes que são oriundas de surtos em Madagascar (1999). Existem ainda mutações iniciadas em Ruanda que podem estar relacionadas à essa reação da doença.

Na América Latina, cientistas estudaram 252 amostras, das quais 164 pertenciam a variedade El Tor (7PET), um tipo oriundo do sul da Ásia. A descoberta aponta a necessidade de vigilância em relação à doença, uma vez que as epidemias ais recentes ocorreram no Peru, em 1999, e no Haiti, em 2010.

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