Azia: tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Leonardo Peixoto
Gastroenterologia - CRM 780553/RJ
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Azia?

Azia é uma sensação de queimação na região do esôfago, no peito, atrás do osso esterno. Ela pode provocar dor ou incômodo que irradia para o pescoço ou garganta.

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Os episódios de azia podem ser ocasionais ou frequentes, podendo interferir na rotina e qualidade de vida do paciente, e até ser sinal de algum problema mais grave.

O prazer da refeição dura pouco para os 12% de brasileiros que são obrigados a lidar com os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). O número levantado já é alto, mas tende a ser ainda maior, já que a maioria das pessoas que convive com o problema dificilmente busca um especialista na tentativa de resolvê-lo. A maioria dos pacientes procura, por conta própria, medicamentos ou soluções naturais para amenizar o desconforto. Os sintomas acabam melhorando temporariamente, mas voltam a incomodar em pouco tempo sem tratamento médico.A postergação do tratamento também pode gerar consequências para a saúde do paciente.

A azia é causada pelo refluxo de ácido gástrico (responsável pela digestão dos alimentos): ele segue do estômago para o esôfago,podendo inclusive chegar à boca. Esse refluxo, por sua vez, é causado habitualmente pelo mau funcionamento de uma espécie de válvula, chamada esfíncter: ela se abre para o alimento passar do esôfago para o estômago e, em seguida, deve se fechar para reter o que foi ingerido e também os sucos gástricos que circulam por ali.

Azia e queimação
Azia e queimação - SAIBA MAIS
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Causas

Normalmente, quando a comida ou a bebida entra no estômago, um anel muscular no final do esôfago fecha o órgão, para que o conteúdo gástrico não retorne ao esôfago. Esse anel é chamado de esfíncter esofágico inferior (EEI). Se ele não se fechar com a pressão suficiente ou relaxar fora do momento correto (quando o bolo alimentar está no esôfago pronto para passar para o estômago), o conteúdo do estômago pode voltar (refluxo) para o esôfago. Esse material parcialmente digerido pode irritar o esôfago, provocando alguns sintomas, entre eles a azia.

Esse refluxo costuma ser pior quando a pessoa deita ou se inclina.

Fatores de risco

Há maior probabilidade de uma pessoa apresentar o sintoma se ela tiver hérnia de hiato. A hérnia de hiato acontece quando parte do estômago se projeta para dentro da cavidade torácica, o que enfraquece o esfíncter e facilita a volta do ácido desde o estômago até o esôfago, causando, assim, a azia.

Outros fatores que podem facilitar a ocorrência da azia são gravidez, obesidade, tabagismo, esclerodermia, alimentação inadequada, hábitos alimentares ruins e certas medicações como betabloqueadores, broncodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio para pressão arterial alta, agonistas dopaminérgicos, sedativos e antidepressivos tricíclicos.

O consumo de certos alimentos também pode favorecer os sintomas. Confira alguns alimentos e bebidas capazes de provocar azia:

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Em caso de azia, procure tratamento médico urgente se:

  • Houver vômito com sangue ou ter o aspecto de borra de café
  • Suas fezes forem pretas (como piche) ou avermelhadas
  • Se sentir ardor e uma pressão, aperto ou dor esmagadora no peito. Às vezes, pessoas que acreditam ter azia na verdade estão tendo um ataque cardíaco.
  • Tiver azia com frequência, intensa ou recorrente
  • Perder peso não intencionalmente
  • Tiver dificuldade para engolir (os alimentos parecem ficar presos na garganta conforme passam)
  • Tiver tosse crônica ou dificuldade para respirar
  • Os sintomas piorarem com antiácidos
  • Achar que um de seus medicamentos pode estar produzindo o sintoma. Não troque ou pare de tomar quaisquer medicamentos sem antes conversar com um médico.
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Na consulta médica

Descreva todos os seus sintomas ao médico com detalhes. Tire todas as suas dúvidas e esteja preparado para responder às perguntas que ele poderá lhe fazer, que incluem:

  • Quando o sintoma começou?
  • Quanto tempo dura cada episódio?
  • É a primeira vez que você tem azia?
  • O que você come normalmente em cada refeição? Antes de sentir a azia, você comeu alimentos picantes ou gordurosos?
  • Você bebe muito café ou outras bebidas com cafeína ou álcool? Você fuma?Você usa roupas apertadas no peito ou na barriga?
  • Você também tem dor no peito, na mandíbula, no braço ou em outros lugares?
  • Que medicamentos você toma?
  • Seu vômito apresenta sangue ou é preto?
  • Você tem sangue nas fezes?
  • Suas fezes são pretas?
  • Existem outros sintomas que acompanhem a azia?

Exames

Geralmente, é fácil diagnosticar a azia somente a partir da descrição de sintomas. No entanto, às vezes, ela pode ser confundida com outros problemas de saúde. Por isso, em caso de o diagnóstico não estar claro, você poderá ser encaminhado a um médico gastroenterologista para fazer mais exames.

O processo diagnóstico começa com um questionário sobre os sintomas e histórico médico do paciente, seguido de um exame físico e exames diagnósticos, como esses:

  • Endoscopia digestiva alta para auxiliar na definição de prognóstico e conduta
  • Phmetria esofagiana
  • Esofagomanometria
  • Impedanciometria.

Tratamento e Cuidados

Cuidados

O tratamento do problema pode até incluir o uso de medicamentos, mas os especialistas garantem que só isso não funciona. É necessária uma mudança de hábitos tanto em relação à sua dieta quanto à forma como os alimentos são consumidos. Mastigando bem os alimentos, por exemplo, você facilita a digestão. Os cuidados são todos muito simples, na verdade, mas fazem uma tremenda diferença no tratamento da doença. Acompanhe todos eles para começar e encerrar suas refeições com muito prazer.

Cardápio selecionado

Controlar o consumo de alguns alimentos ajuda a evitar crises. Frituras e alimentos muito gordurosos, por exemplo, devem ficar longe do prato de quem sofre com azia. O mesmo vale para frutas ácidas (incluindo tomate), condimentos, embutidos, bebidas gasosas, menta e hortelã.

Refeições na hora certa

Passar longos períodos em jejum aumenta as chances de azia. Isso acontece porque, quando uma pessoa fica sem comer, o ácido gástrico se acumula e pode refluir, irritando o final do esôfago. Comer a cada três horas mantém o sistema digestivo em funcionamento, sem sobrecarga na produção de ácido gástrico.

Pratos que transbordam

Quem exagera no prato também corre maior risco de sofrer queimação. Quanto maior o volume de alimentos ingeridos de uma vez, maior será o risco que o suco gástrico reflua para o esôfago.

Exercícios após a refeição

Muita movimentação física aumenta as chances de refluxo. Até duas horas após uma grande refeição, o estômago ainda acumula ácidos gástricos em maior quantidade e os movimentos podem fazer com que esses líquidos retornem em direção ao esôfago, causando a queimação.

Leite gelado durante uma crise

Tomar um copo de leite gelado pode até piorar a queimação. O alívio que você sente ao tomar um copo de leite é momentâneo. A bebida tem pH baixo (o que neutraliza a acidez estomacal). No entanto, é rica em cálcio, mineral que estimula a produção de ácido gástrico pelo estômago. Além disso, o leite, em sua versão integral, é rico em gorduras, outro componente que aumenta as chances de azia. O mesmo processo não acontece com o leite de soja, que não possui grandes quantidades de cálcio e é livre de gorduras. Um copo de leite de soja gelado traz alívio, assim como alguns goles de água gelada.

Café depois do almoço

Outro hábito bastante comum que deve ser evitados por pessoas que sofrem com azia é tomar café após a refeição. A cafeína provoca um relaxamento demasiado no esfíncter, causando o refluxo de ácido digestivo para o esôfago. O consumo de café deve ser evitado ou ao menos reduzido para até duas xícaras diárias.

Tomar chá preto

Assim como o café, o chá preto e o chá mate provocam o relaxamento do esfíncter, facilitando o refluxo e aumentando as chances de azia. Chás mais claros e sem cafeína não causam o mesmo efeito, podendo ser consumidos sem preocupação. O chá de camomila, por sua vez, possui características calmantes que diminuem os sintomas.

Riscos do álcool

Além de irritar naturalmente a mucosa gástrica e esofagiana, o álcool também estimula a produção de ácido pelo estômago e diminui a capacidade de contração da válvula que impede o refluxo. Por isso, evite esse tipo de bebida durante as refeições como medida preventiva. Também não é recomendável beber com o estômago vazio, prevenindo o acúmulo de ainda mais ácidos digestivos.

Mais uma do cigarro

A azia é mais um incômodo que pode ser colocado na lista de malefícios que o fumo traz ao corpo. Além de causar problemas sérios no pulmão, o cigarro também diminui a proteção da mucosa do estômago, deixando o órgão mais sensível à irritação causada pelo ácido gástrico. É por esse motivo também que o cigarro aumenta as chances de úlcera no estômago. Fumantes têm um risco aumentado de sofrer com complicações derivadas do refluxo.

Excesso de peso

Pessoas que sofrem com o sobrepeso ou com obesidade têm maiores probabilidades de serem incomodadas com a azia, já que a pressão sobre o estômago (causada pelo excesso de peso) aumenta as chances dos ácidos gástricos sofrerem refluxo em direção ao esôfago.

Líquidos durante a refeição

Bebidas gaseificadas aumentam a pressão dentro do estômago, facilitando que os ácidos digestivos sigam em sentido inverso (refluxo gástrico). Ardência e queimação são resultados possíveis quando há consumo exagerado de bebidas junto às refeições.

Deitar-se após as refeições

Deitar-se após as refeições facilita o refluxo dos ácidos digestivos que provocam o sintoma. Caso você seja vítima do problema, o ideal é permanecer sentado, pelo menos, duas a três horas após o término da refeição. Para evitar o refluxo noturno, recomenda-se elevar a cabeceira da cama em 15 cm, permitindo que o material refluído para o esôfago retorne prontamente ao estômago.

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Medicamentos para Azia

A azia pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Entre os medicamentos mais utilizados estão os antiácidos, antagonistas H2, inibidores de bomba de prótons, agentes procinéticos e relaxadores do fundo gástrico. Como possuem indicações precisas e efeitos colaterais que incluem diarreia, vômitos, pólipos gástricos, hipomagnesemia, aumento no risco de infecção gastrointestinais e pneumonias, vale lembrar, mais uma vez, que o uso desses remédios deve ser feito apenas com prescrição médica.

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Fontes e referências

  • Luiz Eduardo Rossi Campedelli, gastroenterologista do Hospital Albert Einstein - CRM SP 83670
  • Ricardo Blanc, gastroenterologista da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia - CRM RJ 306783
  • Vladimir Schraibman, gastroenterologista e especialista do Portal Minha Vida - CRM 97304
  • Ministério da Saúde
  • Mayo Clinic
  • Federação Brasileira de Gastroenterologia