Corrimento vaginal: tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Jurandir Piassi Passos
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 60633/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Corrimento vaginal?

Sinônimos: secreção vaginal

Corrimento vaginal é um processo natural a toda mulher, que secreta um conteúdo pela vagina incolor e sem cheiro. Contudo, o termo geralmente é associado a algo errado em relação ao que é expelido, ou seja, quando há alterações do volume, da cor e do odor, além dos sintomas que causam - como dor pélvica. São nesses casos em que a mulher precisa ficar alerta: afinal, podem ser sinais de doenças.

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Quando o corrimento vaginal é normal

Toda mulher secreta um conteúdo pela vagina. A diferença entre o conteúdo normal e o corrimento está na alteração do volume, da cor e do odor, principalmente.

O conteúdo vaginal normal tem odor inespecífico e varia de mulher para mulher, de acordo com as fases do ciclo menstrual e as fases da vida (como menopausa).

Aumento ou diminuição do corrimento vaginal

Na segunda metade do ciclo menstrual, o volume é maior, podendo às vezes sujar as vestes íntimas (calcinhas).

Antes da primeira menstruação e após a menopausa, o conteúdo é quase nulo por conta dos baixos níveis dos hormônios femininos no organismo. Já na gravidez, no geral, a quantidade do corrimento normal aumenta.

Tipos

O que significa cada cor de corrimento vaginal

A cor do conteúdo vaginal pode mudar durante o ciclo menstrual sem que isso caracterize uma doença. Na maior parte do tempo ela é branca, mas no meio do ciclo menstrual, costuma ter aspecto de clara de ovo.

Também é possível que ela apareça ligeiramente amarelada na calcinha por conta de reações químicas que a secreção sofre quando entra em contato com o ambiente externo.

Já o corrimento vaginal suspeito provoca uma espécie de mancha branco-acinzentada ou amarelo-esverdeada na calcinha e, além do cheiro forte, do ardor e da coceira, pode estar associado a uma dor na região pélvica.

Confira detalhes das diferentes cores de corrimento vaginal e o que elas podem indicar:

Corrimento vaginal marrom ou cor de sangue escuro

Corrimento vaginal marrom ou escuro pode indicar ciclos menstruais irregulares, ou com menos frequência, câncer cervical ou do endométrio. Pode vir acompanhado de dores abdominais e sangramentos.

Corrimento vaginal amarelo (semelhante a pus)

Corrimento vaginal amarelo é comum em casos de gonorreia, parece pus e pode acompanhado de sangramento entre os períodos; e dor e sangramento ao urinar, com curta duração podendo por isto passar despercebido.

Corrimento vaginal amarelo-esverdeado ou acinzentado

Se seu corrimento vaginal é amarelo-esverdeado ou acinzentado, bolhoso, fluido e com mau cheiro, isso significa que você pode estar com tricomoníase, principalmente se houver dor e desconforto em baixo ventre durante a relação sexual e coceira vaginal intensa.

Corrimento vaginal rosa

Normalmente, o corrimento vaginal rosa é devido à eliminação do revestimento interno do útero após o parto, também chamado de lóquios.

Corrimento vaginal como leite talhado

Corrimento vaginal semelhante a leite talhado (branco esverdeado e espesso) indica infecção vaginal por fungo (cândida), que pode vir acompanhado de inchaço, sensibilidade vulvovaginal intensa, irritação e ardor ao redor da vulva, coceira intensa e relações sexuais dolorosas e dor ao urinar. Costuma melhorar durante as menstruações.

Corrimento com cheiro forte de peixe

Se após as relações sexuais e ou menstruações você tiver um corrimento vaginal amarelo-acinzentado fluido, com forte odor de peixe, indica vaginose bacteriana. A doença costuma vir acompanhada de coceira ou ardência, vermelhidão e inchaço da vagina e vulva.

Causas

Na maioria das vezes o corrimento é provocado por alterações do equilíbrio da flora vaginal. Algumas bactérias são próprias da vagina e fazem a defesa contra infecções.

Causas do desequilíbrio da flora vaginal

  • Falta de higiene adequada
  • Relações sexuais sem uso de preservativo
  • Alérgenos (perfumes, geleias contraceptivas, tecidos, sabão , duchas vaginais, banho de espuma, etc)
  • Agentes infecciosos, como vaginose bacteriana, candidíase, tricomoníase, clamídia, gonorreia e HPV
  • Problemas dermatológicos, como dermatite atópica e psoríase
  • Alteração do pH vaginal: o pH ácido da vagina normal fica entre 3,5 e 4,5. Esses níveis constituem uma barreira de defesa contra germes
  • Condições que alteram o PH e ou a flora bacteriana, como diabetes, queda imunológica por estresse ou doença, uso de antibioticoterapia, duchas vaginais, gestação, ciclo menstrual etc
  • Causas inespecíficas, como ausência de bacilos de Doderlein, bactéria que faz uma barreira de defesa do aparelho genital
  • Atrofia vaginal, que é o afinamento e ressecamento das paredes vaginais durante menopausa
  • Infecção pélvica após cirurgia

Fatores de risco

Sintomas

Sintomas de Corrimento vaginal

Como identificar corrimento vaginal anormal

  • Aumento do volume do conteúdo vaginal
  • Vestes íntimas úmidas todos os dias, às vezes passando para as roupas externas
  • Cor se transformou de branco opalescente e cristalino (de acordo com a fase do ciclo) para amarelo tipo pus, amarelo-acinzentado, amarelo-esverdeado, branco-amarelado e etc.
  • Forte odor, principalmente após relação sexual e no final do ciclo menstrual

Principais sintomas de corrimento vaginal anormal

  • Alteração do volume, odor e cheiro do corrimento
  • Coceira na vagina e na vulva
  • Ardor
  • Dor pélvica
  • Dor e ardor ao urinar
  • Dor durante a relação sexual

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Procure ajuda médica se perceber que seu conteúdo vaginal está diferente do normal. Qualquer alteração na cor, consistência ou odor que persistir deve ser investigada.

Vá ao ginecologista imediatamente se:

  • Sentir dor abdominal e febre superior a 38 graus, juntamente com um corrimento vaginal
  • Estiver grávida e apresentar corrimento vaginal incomum

Marque uma consulta se:

  • Estiver com coceira vaginal incomum
  • Sentir dor durante a relação sexual ou micção
  • Continuar a ter sintomas de corrimento após tratamento
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Na consulta médica

Você provavelmente consultará um(a) ginecologista para investigar seu corrimento vaginal anormal. Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo, para que você consiga fazer outras perguntas ao médico. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações anotadas:

  • Quando começou a perceber anormalidades no corrimento vaginal e quais foram essas (odor, volume, cor, espessura) e demais sintomas (dor, ardor, etc.)
  • A data da sua última menstruação
  • Quando foi a sua última relação sexual

Se essa é a primeira vez que você apresenta corrimento vaginal, o médico irá avaliar o conteúdo da sua vagina. Evite o uso de tampões, duchas ou coletor menstrual antes da consulta, para que o(a) ginecologista consiga avaliar o corrimento vaginal.

O(a) ginecologista provavelmente fará uma série de perguntas: seja sincera, não é preciso vergonha ou omissão. Lembre-se que ele(a) está lá para te ajudar.

Para te preparar para a consulta, abaixo está uma lista de possíveis perguntas que o(a) profissional pode fazer:

  • Quando o corrimento começou?
  • Qual a cor do corrimento vaginal?
  • Existe algum cheiro?
  • Você tem alguma coceira, dor ou queimação na vulva ou em torno da vagina?
  • Você faz sexo sem proteção?
  • Você está grávida?
  • Sua menstruação está vindo regularmente?
  • Você faz ducha íntima ou usa sprays de higiene íntima?
  • Você usa coletor menstrual?
  • Que medicamentos ou suplementos vitamínicos você toma regularmente?

Diagnóstico de Corrimento vaginal

O diagnóstico dependerá da análise do corrimento vaginal e informações coletadas na consulta médica. Poderá ser feito, com base em seu histórico, análise visual do conteúdo, aspecto da vulva e vagina.

O(a) ginecologista poderá ainda colher uma amostra do corrimento com uma espátula própria, limpa e esterilizada e enviar ao laboratório para uma análise mais específica de acordo com a suspeita clínica.

Tratamento e Cuidados

Complicações possíveis

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Tratamento de Corrimento vaginal

O tratamento dependerá da infecção que for constatada. No geral, as infecções são tratadas com medicamentos de aplicação local em forma de creme, gel ou comprimidos vaginais, podendo ser complementado com administração oral.

Em algumas infecções vaginais, principalmente infeções sexualmente transmissíveis (ISTs), - nova nomenclatura para DSTs - o parceiro ou parceira deverá ser examinado(a) e receber tratamento e se necessário.

Secreção vaginal é anormal quando tem cor, odor e volume alterados - Foto: Shutterstock
Secreção vaginal é anormal quando tem cor, odor e volume alterados - Foto: Shutterstock

Medicamentos para Corrimento vaginal

O corrimento vaginal pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico.

Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.

Medicamentos para corrimento vaginal anormal

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Durante o tratamento para corrimento vaginal, devem ser adotadas alguma atitudes:

  • Use absorventes externos, pois os internos podem absorver os cremes
  • Consulte o(a) ginecologista para verificar a possibilidade ou proibição de uso de coletor menstrual
  • Evite o uso de sabonetes perfumados para limpar a região
  • Utilize sabão neutro para limpeza da região íntima
  • Evite relações sexuais caso sejam dolorosas
  • Se as relações sexuais forem pouco dolorosas, use um lubrificante à base de água para reduzir a irritação
  • Se a área genital ficar inchada ou dolorida, faça um banho de assento em água ligeiramente morna (quase fria),pois a água quente piora a irritação ou então coloque um pano frio e úmido sobre a área
  • Não esfregue a região vaginal para tentar aliviar a coceira
  • Não compartilhe toalhas
  • Evite ficar com o mesmo absorvente por longos períodos

Prevenção

Prevenção

Tenha uma dieta equilibrada

Coma frutas frescas e lavadas, legumes e verduras em sua maioria cruas. Uma dica é se alimentar por dia com no mínimo 5 (melhor 9) espécies de frutas e legumes (somando os dois).

Alguns estudos indicam que o consumo de iogurtes ricos em lactobacilos pode ajudar na prevenção das infecções, mas ainda não foi cientificamente comprovado. No entanto, ter uma dieta adequada ajuda o organismo a combater doenças com maior eficiência.

Evite medicamentos e drogas em excesso

Procure evitar o uso desnecessário de antibióticos e o abuso de álcool e fumo.

Fique atenta a doenças crônicas

Controle o diabetes e hipertensão. Visite um clínico geral, um endocrinologista e um cardiologista e faça exames periodicamente.

Mantenha bons hábitos de higiene íntima

Após a micção, limpe a vulva em um movimento de frente para trás, evitando assim a propagação de bactérias e outros agentes infecciosos do ânus para a vagina ou trato urinário.

Após a defecação faça higiene limpando-se sempre da frente para trás e com água e sabão sempre que possível.

Não utilize sanitários fora de sua casa sem proteção.

Atente-se às vestimentas

Use roupas íntimas de algodão e evite tecidos sintéticos, pois ajuda a manter a área arejada e evita a proliferação de bactérias e fungos. Portanto, evite roupas apertadas.

Prefira dormir sem roupa íntima, para que a região “respire”.

Faça sexo seguro

Use camisinha e não faça duchas íntimas e nem use desodorantes ou perfumes na área genital, pois podem alterar o equilíbrio normal da flora vaginal.

Cuide de sua saúde com prioridade

;Pratique exercícios físicos e visite seu ginecologista anualmente. Faça seu papanicolau anualmente ou à critério do(a) seu(a) médico(a).

Fontes e referências

  • Revisado por: Lindinalva Giovani, ginecologista do laboratório Cedic Cedilab, em Cuiabá - CRM SP 36269
  • Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Manual de Bolso das Doenças Sexualmente Transmissíveis. Brasília. 2006.
  • Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama. Caderno de Atenção Básica; n° 13. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília. 2006.